
"(...) Não tenho dúvidas de que o fato mais significativo de todo o período dos 50 anos em 5 foi a inauguração, com a presença do próprio presidente, do Mercadão de Madureira, na Avenida Edgar Romero. O Mercadão é mais importante do que Brasília, uma cidade sem esquinas e, portanto, sem Exu. (...)
Acontece que a característica mais marcante do mercado popular de Madureira é a impressionante concentração de lojas de macumba. O camarada chegado numa curimba encontra rigorosamente tudo - bodes, galinhas, patos, codornas, ervas diversas, obis, orôbos, pembas, efuns, sabões da costa trazidos da Guiné, atabaques, ibás, roupas de santo e o escambau. O Mercadão é o principal ponto do país de venda de artigos religiosos afro-brasileiros, batendo inclusive os mercados da velha Bahia. Isso explica o furdunço da inauguração com a presença da comitiva presidencial.
O presidente JK estava, como sempre, tremendamente simpático. Cumprimentava os comerciantes com o sorriso largo, já tinha sido devidamente defumado por mães de santo, até que, na porta de uma das lojas, um funcionário não segurou a peteca, deu uns tremeliques e recebeu uma entidade - um boiadeiro, para ser mais preciso. O do Orum veio que veio, aos berros, dando fortíssimos murros no peito, e fez questão de falar com Juscelino.(...)
Leia mais sobre este hilariante caso no referencial Histórias do Brasil, do amigo Luiz Antonio Simas.
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