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40 anos do Bip Escrito em 11 de dezembro de 2008
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O Bip Bip, bar do meu coração, completa no próximo sábado quatro décadas de existência [é curioso pensar que aquele espaço tão democrático tenha sido aberto justamente no dia da decretação do AI-5] e a festa será grande: a partir das 18h, vai rolar o lançamento do livro Bip Bip, 40 anos - Histórias de um bar, organizado a seis mãos por mim e pelos amigos Chiquinho Genu e Luiz Pimentel.

A obra é uma coletânea com textos de 104 amigos do bar, incluindo artistas como Nelson Sargento, Paulo César Pinheiro, Moacyr Luz, Paulo César Feital e Hermínio Bello de Carvalho, jornalistas como Sérgio Cabral, Marceu Vieira, Hugo Sukman e Alexandre Medeiros, e muitos freqüentadores assíduos e queridos. Eduardo Goldenberg, que desfila seu saber empírico sobre os botequins no Buteco do Edu, também está no livro, que, além disso de tudo isso, traz cinco ilustrações feitas por bambas do traço, como Paulo Caruso e Amorim. Quem assina a orelha é Aldir Blanc.

O lançamento, evidentemente, se dará ao som de uma roda de samba: a Rua Almirante Gonçalves estará fechada, e 12 banheiros químicos garantirão um xixi tranqüilo. Posto, a seguir, um trecho da apresentação do livro. Espero vocês no sábado!

Um bar em 104 relatos

Francisco Genu, Luiz Pimentel e Marcelo Moutinho

Se você não conhece o Bip Bip, ao ler alguns dos textos a seguir é possível que ache este livro um tanto mentiroso. Porém, à medida que as páginas forem passando, perceberá algo curioso: os mais de cem autores, em distintos estilos e visões, parecem convergir em suas mentiras. Teriam combinado entre si? Ou, pelo contrário, haveria alguma verdade nas histórias e impressões relatadas?

Dizia Wally Salomão, poeta e letrista, que nossa memória “é uma ilha de edição”. Wally sugeria que as coisas que ficam na lembrança são aquelas que, por um motivo ou por outro, nos tocaram - consciente ou inconscientemente. Nesse processo, cada recordação ganha significados, cores e timbres particulares, já que a fantasia mistura-se ao sentimento, o lúdico enverniza o fato concreto. O Bip que emerge dos próximos textos também é assim. Meio verdade, meio invenção. Notícia de jornal e conto de fadas.

E este livro surgiu por conta da comemoração dos 40 anos do boteco, completados no dia 13 de dezembro de 2008. Até chegarmos ao atual formato, muita água rolou, muitas idéias foram debatidas e, depois, descartadas.

Na verdade, esta não é a primeira vez que amigos homenageiam o bar com um livro. Primeiro, foi o do Juninho (José Martins Silveira Jr. – Bip Bip, um bar a serviço do porre - Concorde Editora Gráfica Ltda). Depois, em 2000, veio uma outra obra (Luis Pimentel, Marceu Vieira e Francisco Genu - Bip Bip, um bar a serviço da alegria - Bip Bip Editorial).

No projeto original, seriam apenas 40 autores. Quarenta anos, 40 textos, 40 autores. Não há dúvida de que a identidade matemática tinha charme e pertinência. Era, no entanto, de difícil consecução. Como garantir, por exemplo, que todos os 40 convidados de fato remeteriam seus textos? Ainda assim, convidamos cerca de quatro dezenas de amigos, a maior parte dos quais escritores ou jornalistas. No meio do caminho, um alerta bem oportuno do Leo Faria, cliente do bar desde a fundação, nos fez compreender que esse formato não seria o melhor, sobretudo porque pecava em autenticidade. O Bip, afinal, não era um reduto de intelectuais. Era um pouco isso, mas também muito mais do que isso.

Assim, abandonamos a limitação de autores e estendemos o convite a todos os amigos do bar. Dos mais de 150 convidados, 104 atenderam nosso apelo. E hoje, olhando no retrovisor, acreditamos ter sido bom adotar o critério expandido. Se há a possibilidade de o livro ter perdido em qualidade literária, ganhou em emoção, verdade e fidelidade ao espírito do Bip. Sem dúvida. (...)

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