
Daqui de Natal (RN), onde estou a trabalho, recomendo a leitura do texto O fim de uma tradição, publicado pelo amigo Luiz Antônio Simas no referencial blog Histórias do Brasil. A partir da notícia sobre a mudança no chope do Bar Luiz, Simas faz uma interessante análise sobre a relação tradição/novo. Posto, abaixo, o trecho inicial do texto. Confira a íntegra aqui.
"O fim de uma tradição"
"O Bar Luiz, mais que centenária instituição da boêmia carioca, faz festa sábado para anunciar o fim de uma parceria com a Brahma , que durou cento e vinte anos , e celebrar a união com o chope da Femsa, o intragável chope Sol. Sobre isso escreveu com propriedade meu mano Eduardo Goldenberg. Cliquem ao lado , na chamada do Buteco do Edu , e leiam o texto. Vou pegar carona nesse bonde e dar meu pitaco.
Sou um sujeito apegado a tradição. Refiro-me , aqui , a idéia de uma tradição que não é estática. Falo dela como o ato de transmitir ou entregar algo para que o receptor tenha condições de colocar mais um elo numa corrente. Essa corrente é a cultura de um povo. Posso recorrer a uma velha metáfora , a da árvore que , por ter as raízes mais profundas , cresce mais vigorosa . Cultura é isso; a capacidade de criar e recriar a partir do legado dos ancestrais. Aprendi assim e é assim que enxergo o mundo.
Vivemos, porém, esses tempos desencantados em que acredita-se na tábula rasa. Rompa com o passado , ignore o que é antigo , olhe sempre pra frente , a vida começa agora , o futuro bate a nossa porta, danem-se os cento e tantos anos que passaram - o negócio são os dez anos que virão por aí. Enchamos as burras. (...)"
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