
"Feira do Livro, sabe como é, né? Ou a gente vai na certa ou se deixa levar. Como o tempo era pouco e o evento era em Porto Alegre, fui direto ao estande da L&PM em busca daqueles charmosos e variadíssimos livrinhos de bolso, feitos pra ler deitado, na rede - que a cama é pra outras coisas. Foi nessa que dei de cara com o novo Eduardo Galeano, que nem de bolso é. Chama-se Espelhos: uma história quase universal. E é efetivamente um livro de História, da Antguidade até hoje, só que em prosa poética.
Nele, quem não sabe, fica sabendo, por exemplo, que o presidente argentino Sarmento era um negão que não gostava de preto; assim como o ditador dominicano Trujillo, que chacinou milhares de haitianos, na fronteira entre os dois países; que o primeiro astro negro do futebol mundial foi o uruguaio Leandro Andrade; que Bolívar, depois de ser ajudado pelo Haiti, inclusive com grana, virou-llhe as costas; que Thomas Jefferson era racista, mas fez um montão de filhos em sua escrava Sally... e por aí vamos!
Galeano agora abriu as veias geral. E primorosamente".
* Escritor, compositor e pesquisador das culturas da Diáspora Africana. É autor de uma série de grandes sambas e de livros como o 'Dicionário Literário Afro-Brasileiro' e '171 - Lapa-Irajá – Casos e enredos do samba'
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