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Duas literárias Escrito em 26 de novembro de 2008
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1. Vai rolar, de quinta a domingo, mais uma edição da já tradicional Primavera dos Livros. O evento, promovido pela Liga Brasileira de Editoras (Libre), terá como patrono o escritor e jornalista Ruy Castro, e acontecerá no Museu da República, no Catete, oferecendo cerca de três mil títulos com descontos de até 50%. A entrada é franca.

Além disso, a Primavera contará com uma diversificada programação, incluindo palestras e lançamento de livros. Destaco a participação do amigo Henrique Rodrigues na mesa Machado de Assis: as diferentes faces do Bruxo do Cosme Velho (domingo, às 14h) e a noite de autógrafos do Mariel Reis (sábado, Às 20h). Mariel lançará seu segundo trabalho, John Fante trabalha no Esquimó, que sai pela Editora Calibán.

Confira a programação completa do evento aqui.

2. Amazônia, 20 andar - De Ipanema ao topo do mundo, uma jornada na trilha de Chico Mendes, novo livro do confrade tricolor Guilherme Fiúza, tem lançamento marcado para a próxima quinta-feira, a partir das 19h, na Travessa do Leblon. A obra, editada pela Record, conta a história de conta a trajetória de Bia Saldanha e João Augusto Fortes, os empresários que difundiram o couro vegetal pelo mundo.

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Festa dos protótipos Escrito em 24 de novembro de 2008
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Fantasias da Ala dos Devotos (a nossa!) e da Ala das Crianças

Na festa de apresentação dos protótipos do Império Serrano para o carnaval de 2009, realizada no último sábado, algumas coisas chamaram a atenção. Vamos a elas:

. A organização exemplar. A quadra - lotadíssima, lotadíssima - estava toda enfeitada e contou com uma iluminação especial, perfeitamente adequada ao tom de 'gala' do evento. Além disso, o público recebeu um belo folder com os desenhos das fantasias e as letras das canções que tocaram durante o desfile de cada um dos protótipos - todas elas músicas que tematizam o mar;

. O estilo adotado pela carnavalesca Márcia Lávia: fantasias leves e com uma palheta de cores que mistura o verde ao dourado e ao azul. Abrindo mãos dos esplendores, que pesam e muitas vezes atrapalham o prazer do folião, e apostando em capas e alegorias de mão, Márcia indica o caminho que o Império deve trilhar em 2009: um desfile semelhante ao deste ano, sobretudo no quesito alegria;


O pirata estilizado e as baianas, que virão lindamente vestidas

. O entusiasmo da comunidade imperiana. Ao contrário do que aconteceu em 2007, quando ficou bastante claro que os componentes não haviam 'comprado' o enredo, a animação parece redobrada. O samba - espetacular - ajuda, evidentemente - e foi cantado a plenos pulmões;

. A bateria de Mestre Átila. Mas qual a novidade?;

. A beleza do ato de Charles - mestre-sala imperianíssimo que foi baleado e, em recuperação, não poderá desfilar - ao apresentar o casal que representará oficialmente o Império na Avenida. De muletas, Charles atravessou a passarela cantando o samba de 2009 e pedindo ao público reverências à porta-bandeira Jaqueline e ao mestre-sala Diego, que o substituirá. Um momento emocionante da festa, que levou muita gente às lágrimas, inclusive o próprio Charles.

. Diante disso, amigos, posso afirmar mais uma vez: não tenho dúvidas de que viveremos uma grandiosa experiência na Sapucaí no próximo dia 22 de fevereiro. Avante, imperianos!

P.S. Veja mais fantasias aqui.

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Arquitetura do arco-íris Escrito em 21 de novembro de 2008
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Estou absolutamente fascinado com os contos de Cíntia Moscovich em Arquitetura do arco-íris, que li ontem à noite, de uma vez só. O livro me encantou por várias razões. A coerência interna que lhe conferece unidade e evita que se transforme tão-só numa seleta de histórias curtas. A prosa sofisticada de Cíntia, que recorre à metáfora sem medo e em momentos precisos, num ponto ideal entre a secura e o mero barroquismo. Os inspirados títulos (da obra e de cada narrativa). E, enfim, a temática: idiossincrasias e afetos que grassam em todo núcleo familiar.

Num movimento semelhante ao da avó-personagem do conto O telhado e a violonista, os narradores parecem a todo tempo recolher "lembranças encravadas numa rebarba de tempo". Lembranças que são o combustível das dez histórias. Líricas. Comoventes. Doloridas. Cerzidas com uma delicadeza que às vezes se releva áspera como lixa e que confirma a frase pescada de um textos: de fato, "a lágrima é o sal da dor".

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Literatura sem papel Escrito em 19 de novembro de 2008
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Na próxima segunda-feira, Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ vai promover o seminário Literatura sem papel, cujo objetivo é colocar em discussão o uso da internet por quem faz literatura e teatro, pratica a crítica literária e teatral ou apenas se interessa por estas expressões artísticas.

As atividades começarão às 10h30, com a palestra do dramaturgo Mário Bortolotto sobre Questões da dramaturgia contemporânea. Às 11h30, a coodenadora do Programa Avançado de Cultura Contemporânea – PACC-UFRJ, Heloísa Buarque de Hollanda, e Claudiney José Ferreira, do Instituto Cultural Itaú, falarão sobre Impressões digitais.

O debate seguinte, às 12h30, reunirá Daniele Ávila, Dinah Cesare e Márcio Freitas, da revista Z Cultural, e Amara Rocha, pesquisadora do PACC/UFRJ, com mediação da crítica teatral Juliana Pamplona O tema será A cena e a rede: blogs e revistas virtuais dedicadas às artes cênicas.

Os trabalhos continuarão às 14h30, com a palestra do escritor Marcelino Freire sobre Vida literária em tempos de internet, e às 15h30, quando Cristiane Costa, editora de não-ficção da Nova Fronteira, e Diana Klinger, editora da revista Grumos, irão compor o painel E o livro, como vai?

Blogs, sites e revistas eletrônicas - O jornalismo literário on line será o assunto da mesa seguinte (16h30), com o jornalistas Miguel Conde, do caderno Prosa & Verso (O Globo), e Cecilia Giannetti, editora do Portal Literal. Mediação da também jornalista (e doutora em Letras) Daniela Birman.

Ao lado da Ana Paula Maia, estarei às 17h no último painel do evento, Escritores em rede, a ser mediado pela professora Beatriz Resende. Vale lembrar que o seminário ocorrerá no Salão Moniz de Aragão (Av. Pasteur, 250 - 2º andar) e será transmitido pela internet através da rede aberta da UFRJ.

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Internetcidade Escrito em 14 de novembro de 2008
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O blog Internetcidade, mantido pelo jornalista Paulo Celestino da Costa (foto), tem com objetivo "mostrar iniciativas e idéias de pessoas que saem do comum e que provoquem a discussão sobre a questão de identidade cultural entre dois mundos, dois pólos seja em Natal, São Paulo ou Cabrobó". Pois bem, o Paulo fez uma entrevista comigo, que entrou no ar hoje. Publico, abaixo, o trecho inicial. Confira a íntegra aqui.

"O que Natal tem a ver com o Rio de Janeiro?"

"O escritor carioca Marcelo Moutinho não é geógrafo, mas ousou fazer uma cartografia da cidade do Rio de Janeiro. Não de suas ruas, mas dos cronistas delas. Descobriu que há vários “Rios”, uma cidade com várias cidades dentro. Constatou que a Cidade Maravilhosa idílica dos cartões-postais não existe. Mas também não é só aquele Rio pintado de sangue em que o noticiário tanto insiste. Mapeou a literatura. Encontrou uma cidade.

Uma cidade que já passou por muitas transformações. Uma delas se deu no início do século XX, quando o então prefeito Pereira Passos promoveu uma grande “revolução” na Capital do Brasil, derrubando mais de 2700 prédios para dar lugar a novas avenidas. Uma modernidade que custou caro aos cariocas. Mas que rendeu para os literatos. E por que os escritores são tão afeitos às cidades, por quê a utilizam tanto como matéria-prima? Porque as cidades têm “legitimidade”, afirma Moutinho. Afinal, é nelas que a vida escorre. E ele não acredita em literatura descolada da vida.

Mas em tempos de globalização, mundialização, integração de mercados em redes, seja lá o que diabos for, nem o Rio, de identidade tão mundial, é exceção à regra de perder a cor local. Moutinho vê uma espécie de uma cidade “exilada”, não por causa da violência, mas por uma postura de negação dessa cor, uma busca por apagar qualquer marca da cidade, uma recusa prévia que soa como “uma tentativa meio patética de embarcar o mais rápido possível no bonde da mundialização”. Alguma semelhança com Natal, Sras e Srs.? (...)

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Meu Império outra vez Escrito em 13 de novembro de 2008
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E não teve para ninguém. O site Carnavalesco - hoje, o melhor espaço informativo e crítico sobre carnaval da internet - apontou o samba-enredo do Império Serrano como o melhor entre os hinos das escolas do Grupo Especial para 2009. A escolha foi feita por oito jurados que entendem do riscado: Eugênio Leal (radialista da Rádio Tupi), Luiz Fernando Reis (colunista do Carnavalesco), Fernando Pamplona (ex-carnavalesco), Haroldo Costa (pesquisador e comentarista de carnaval), Aydano André Motta (jornalista de O Globo), Leonardo Bruno (jornalista do Expresso, colunista de carnaval do Extra), Hélio Turco (compositor) e Ricardo Cravo Albim (pesquisador). O samba da Beija-Flor ficou em segundo e o da Unidos da Tijuca, em terceiro. Leia a íntegra da notícia aqui.

P.S. Ainda sobre o Império e suas coisas: recomendo a leitura do emocionante artigo que o jornalista Luís Carlos Magalhães publicou em seu blog no site do jornal O Dia. Tendo como gancho o aniversário de 88 anos de Seu Molequinho (foto), o único fundador vivo da escola, Magalhães contrói uma radiografia precisa e (um tanto tristonha) sobre o carnaval de hoje. Li com lágrimas nos olhos e lembrando daquele desfile sob a chuva que nos abençoou neste ano. Confira aqui.

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Bar Luiz Escrito em 12 de novembro de 2008
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Daqui de Natal (RN), onde estou a trabalho, recomendo a leitura do texto O fim de uma tradição, publicado pelo amigo Luiz Antônio Simas no referencial blog Histórias do Brasil. A partir da notícia sobre a mudança no chope do Bar Luiz, Simas faz uma interessante análise sobre a relação tradição/novo. Posto, abaixo, o trecho inicial do texto. Confira a íntegra aqui.

"O fim de uma tradição"

"O Bar Luiz, mais que centenária instituição da boêmia carioca, faz festa sábado para anunciar o fim de uma parceria com a Brahma , que durou cento e vinte anos , e celebrar a união com o chope da Femsa, o intragável chope Sol. Sobre isso escreveu com propriedade meu mano Eduardo Goldenberg. Cliquem ao lado , na chamada do Buteco do Edu , e leiam o texto. Vou pegar carona nesse bonde e dar meu pitaco.

Sou um sujeito apegado a tradição. Refiro-me , aqui , a idéia de uma tradição que não é estática. Falo dela como o ato de transmitir ou entregar algo para que o receptor tenha condições de colocar mais um elo numa corrente. Essa corrente é a cultura de um povo. Posso recorrer a uma velha metáfora , a da árvore que , por ter as raízes mais profundas , cresce mais vigorosa . Cultura é isso; a capacidade de criar e recriar a partir do legado dos ancestrais. Aprendi assim e é assim que enxergo o mundo.

Vivemos, porém, esses tempos desencantados em que acredita-se na tábula rasa. Rompa com o passado , ignore o que é antigo , olhe sempre pra frente , a vida começa agora , o futuro bate a nossa porta, danem-se os cento e tantos anos que passaram - o negócio são os dez anos que virão por aí. Enchamos as burras. (...)"

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A dica do 'Nei Lopes' Escrito em 10 de novembro de 2008
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"Feira do Livro, sabe como é, né? Ou a gente vai na certa ou se deixa levar. Como o tempo era pouco e o evento era em Porto Alegre, fui direto ao estande da L&PM em busca daqueles charmosos e variadíssimos livrinhos de bolso, feitos pra ler deitado, na rede - que a cama é pra outras coisas. Foi nessa que dei de cara com o novo Eduardo Galeano, que nem de bolso é. Chama-se Espelhos: uma história quase universal. E é efetivamente um livro de História, da Antguidade até hoje, só que em prosa poética.

Nele, quem não sabe, fica sabendo, por exemplo, que o presidente argentino Sarmento era um negão que não gostava de preto; assim como o ditador dominicano Trujillo, que chacinou milhares de haitianos, na fronteira entre os dois países; que o primeiro astro negro do futebol mundial foi o uruguaio Leandro Andrade; que Bolívar, depois de ser ajudado pelo Haiti, inclusive com grana, virou-llhe as costas; que Thomas Jefferson era racista, mas fez um montão de filhos em sua escrava Sally... e por aí vamos!

Galeano agora abriu as veias geral. E primorosamente".

* Escritor, compositor e pesquisador das culturas da Diáspora Africana. É autor de uma série de grandes sambas e de livros como o 'Dicionário Literário Afro-Brasileiro' e '171 - Lapa-Irajá – Casos e enredos do samba'

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Notícias do Império Escrito em 07 de novembro de 2008
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Os servos do mar: a fantasia da Ala dos Devotos

Os tamborins começam a esquentar para o carnaval 2009 e trago notícias da Côrte Imperial. De volta à Serrinha, o puxador Nêgo já gravou o samba-enredo A lenda das sereias e os mistérios do mar, o lindo hino de 1976, que reeditaremos na Avenida no ano que vem. Baixe aqui a gravação que estará no disco oficial.

A apresentação dos protótipos desenhados pela carnavalesca Márcia Lávia está marcada para o próximo dia 22, mas a grande procura por fantasias levou a gloriosa Ala dos Devotos, onde saio religiosamente desde sua fundação, a abrir inscrições antecipadamente. Portanto, quem quiser desfilar no Império em 2009 - e experimentar um momento que desde já se anuncia histórico - pode entrar em contato comigo através aqui do blog para que eu faça a ponte com os fidalgos Vítor Monteiro e Inês Valença. A fantasia será esta do desenho aí em cima. Como vocês podem ver, bonita, levíssima e pouco calorenta.

Ainda sobre a festa de Momo, recomendo a leitura do pertinente artigo que o amigo e nobre imperiano Carlos Andreazza publicou ontem no site Tribuneiros. "Eduardo Paes, prefeito eleito, promete uma licitação para escolher o organizador do carnaval das escolas de samba. É o mínimo que se pode esperar de um homem público sério. Terá ele, porém, coragem de enfrentar os contraventores senhores absolutos do carnaval carioca?", indaga Andreazza logo no início do texto. Confira a íntegra aqui.

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'Chuva' Escrito em 06 de novembro de 2008
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Francis Ponge

"A chuva, no pátio em que a olho cair, desce em andamentos muito diversos. No centro, é uma fina cortina (ou rede) descontínua, uma queda implacável mas relativamente lenta de gotas provavelmente bastante leves, uma precipitação sempiterna sem vigor, uma fração intensa do meteoro puro. A pouca distância das paredes da direita e da esquerda caem com mais ruído gotas mais pesadas, individuadas. Aqui parecem do tamanho de um grão de trigo, lá de uma ervilha, adiante quase de uma bola de gude. Sobre o rebordo, sobre o parapeito da janela a chuva corre horizontalmente ao passo que na face inferior dos mesmos obstáculos ela se suspende em balas convexas.

Seguindo toda a superfície de um pequeno teto de zinco abarcado pelo olhar, ela corre em camada muito fina, ondeada por causa de correntes muito variadas devido a imperceptíveis ondulações e bossas da cobertura. Da calha contígua onde escoa com a contenção de um riacho fundo sem grande declive, cai de repente em um filete perfeitamente vertical, grosseiramente entrançado, até o solo, onde se rompe e espirra em agulhetas brilhantes.

Cada uma de suas formas tem um andamento particular; a cada uma corresponde um ruído particular. O todo vive com intensidade, como um mecanismo complicado, tão preciso quanto casual, como uma relojoaria cuja mola é o peso de uma dada massa de vapor em precipitação.

O repique no solo dos filetes verticais, o gluglu das calhas, as minúsculas batidas de gongo se multiplicam e ressoam ao mesmo tempo em um concerto sem monotonia, não sem delicadeza.

Quando a mola se distende, certas engrenagens por algum tempo continuam a funcionar, cada vez mais lentamente, depois toda a maquinaria pára. Então, se o sol reaparece, tudo logo se desfaz, o brilhante aparelho evapora: choveu".

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... Escrito em 05 de novembro de 2008
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Trabalhando no novo livro. Amanhã eu volto.

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Os bons blogs da Bravo Escrito em 04 de novembro de 2008
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Domingos de Oliveira: um dos novos blogueiros da revista

O travalíngua do título serve para dar ótimas notícias. A primeira delas é que o blog do Paulo Roberto Pires no site da revista Bravo!, que seria temporário, ganhou caráter permanente. Ou seja, continuaremos a contar com os comentários inteligentes e bem humorados do Paulo sobre música, literatura, boemia e outras boas coisas da vida.

A segunda notícia é que a Bravo! agregou mais dois blogueiros de primeiro time: o dramaturgo e cineasta Domingos de Oliveira (de resto, o cara que eu quero ser quando crescer) e o escritor José Luís Peixoto. Os blogs da revista podem ser conferidos aqui.

Ainda sobre a Bravo!, recomendo a leitura da edição de novembro, que acaba de chegar às bancas. A capa traz o cineasta Woddy Allen, que é objeto de longa matéria feita pelo editor da revista, João Gabriel de Lima. O número inclui ainda uma entrevista com José Saramago e um conto inédito de Cristóvão Tezza. Papa fina, meus amigos.

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Euclides, Anna, Dilermando Escrito em 03 de novembro de 2008
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Em 2009, fará cem anos que o jornalista e escritor Euclides da Cunha foi assassinado pelo tenente Dilermando de Assis, num episódio polêmico que ficou conhecido como 'A tragédia de Piedade'. Antecipando-se à efeméride, a editora Saraiva lançou o livro Matar ou morrer - O caso Euclides da Cunha. Na obra, a procuradora Luiza Nagib Eluf relata toda a história, contemplando seus desdobramentos sob o viés jurídico.

Escrevi uma matéria sobre o livro para a edição de novembro do jornal da OAB/RJ, que edito. Como a publicação é distribuída exclusivamente aos advogados e o assunto pode interessar a mais gente, resolvi reproduzi-la aqui no Pentimento.


Charge sobre o crime publicada na época pelo jornal 'O Malho'

Um triângulo amoroso e trágico

Assassinato de Euclides da Cunha pelo amante de sua mulher é tema de livro que esquadrinha o processo judicial e analisa o caso à luz da sociedade patriarcal da época

Marcelo Moutinho

"Vim para matar ou morrer", anunciou Euclides da Cunha ao entrar na casa de número 214 da Estrada Real de Santa Cruz, em Piedade, na manhã chuvosa do dia 15 de agosto de 1909. O tenente Dilermando de Assis, amante da mulher do escritor e alvo de sua ira, acabara de tomar o café . Euclides então sacou a arma, mas no embate com o militar, que era exímio atirador, levou a pior: apesar de alvejar Dilermando três vezes, recebeu dois tiros precisos, desabando próximo ao jardim.

O crime incendiou a República Velha. Envolvendo um escritor já celebrizado pelo seminal Os sertões e farto de ingredientes dramáticos - paixão, traição, luta corporal -, suscitou uma vigorosa indignação contra o assassino e impôs um desafio à Justiça: examinar as provas, ouvir os testemunhos e julgar com isenção mesmo sob intenso clamor público. Paralelamente, tocou num ponto sensível ao indicar que mesmo a genialidade é vulnerável às misérias humanas.

Foram justamente esses elementos que levaram a procuradora Luiza Nagib Eluf a escrever o livro Matar ou morrer - O caso Euclides da Cunha, que acaba de ser lançado pela Saraiva. Numa edição caprichada e repleta de imagens da época, Luiza congrega em sua análise a abordagem sociológica sobre os significados de um crime passional no início do século passado e o viés jurídico, esmiuçado a partir dos autos do processo que resultaria na absolvição do acusado.

Para a procuradora, Euclides foi o verdadeiro responsável pela própria morte. No entanto, Anna e Dilermando é que pagaram por isso. "Eles sofreram terrivelmente graças à intransigência e ao descontrole de Euclides, que nunca reconheceu que tinham o direito de casar e criar seus filhos", afirma Luiza, lembrando que Anna pedira insistentemente a separação. "Euclides preferiu se tornar um obstáculo à felicidade alheia, em nome de sua reputação de macho", destaca.

O estudo da procuradora reconstrói a história desde o início, quando o jovem cadete Dilermando conheceu Anna. Euclides, na ocasião, viajara a serviço e passava mais uma de suas longas temporadas longe de casa. O livro narra passo a passo o envolvimento que se tornaria adultério e, mais tarde, motivaria o crime passional. Além disso, reproduz peças do processo, como trechos dos depoimentos das testemunhas e extratos dos pronunciamentos da polícia, dos advogados e do juiz. Traz ainda uma divisão exclusivamente dedicada à doutrina sobre o direito de defesa.


Luiza Eluf: "adultério era considerado crime gravíssimo"

Como Luiza demonstra, Evaristo de Moraes e Delamari Garcia, os advogados de Dilermando, valeram-se da tese da legítima defesa própria e de terceiro. O promotor José Sabóia Viriato de Medeiros contra-argumentou salientando que a "atualidade da agressão", pressuposto básico em tais casos, não se confirmara. Na primeira votação, houve empate entre os 12 membros do júri, prevalecendo ao fim o entendimento favorável ao réu. Na apelação, nova vitória de Dilermando, dessa vez por cinco votos a dois.

A absolvição não foi capaz, porém, de evitar que uma sombra de reprovação social se instalasse a partir de então sobre as vidas de Anna e do militar. E a biografia de Dilermando ganharia outro capítulo trágico. Sete anos depois, no afã de vingar a morte do pai, Euclides Filho tentou assassinar o tenente, que mais uma vez se safou. Na reação, acabou matando também o rapaz.

"O adultério antigamente era considerado um crime gravíssimo", observa Luiza, admitindo que, com a emancipação feminina, os padrões de comportamento mudaram. Mas ela pondera: "Apesar disso, os crimes passionais continuam acontecendo, como demonstra o recente caso de Pimenta Neves e Sandra Gomide. Os crimes de honra é que não encontram mais complacência, e os julgamentos refletem essa postura".

Com relação ao julgamento, Luiza acredita que as técnicas de defesa utilizadas por Evaristo e Delamari hoje não seriam muito diferentes. "Eles ressaltaram o temperamento explosivo e desrespeitoso do escritor quanto à sua mulher e, ao final, ainda confirmaram que Euclides sabia do caso com Dilermando, mas não reagia. Talvez um defensor do século 21 não dissesse as mesmas coisas, mas com certeza usaria a estratégia de atacar a imagem da vítima, fosse como fosse", sublinha.

Luiza adverte, contudo, que o comportamento de Euclides no episódio não retira seus méritos como escritor, professor, historiador e jornalista. "Sua memória merece nosso respeito e nossa admiração. Foi infeliz no amor e na conduta em face aos percalços que encontrou, assim como outros homens daquele tempo e dos tempos atuais", resume ela.

Box: Obra anterior investigou crimes passionais

O interesse de Luiza nas relações entre desejo, sentimento de posse e delito já estava patente no livro anterior, A paixão no banco dos réus, no qual a procuradora analisa 14 crimes passionais buscando compreender o aparente paradoxo: por que, enfim, as pessoas por vezes matam aquele que é o objeto de seu amor?

Ela parte do assassinato de uma prostituta pelo desembargador José Cândido Visgueiro em 1873, passa por casos famosos como o de Doca Street, até chegar à morte da jornalista Sandra Gomide, em 2000. Os pontos de interseção entre os crimes, atesta o estudo, são a condenação por parte da Justiça - que ocorre quase sempre - e a confissão dos réus. "Até como forma de mostrar a sociedade que a honra foi lavada", comenta.

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A vitória de Massa Escrito em 03 de novembro de 2008
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Pensei muito em escrever aqui sobre a surrealista corrida de ontem - mais um exemplo de que o esporte é coisa para corações fortes (é verdade que, sendo tricolor, estou cansado de saber disso, mas cada sofrimento é um sofrimento e, embora se pareça com os outros, sempre singular). Desisti de escrever ao ler, há pouco, o blog da amiga Lúcia Bettencourt. Ela sintetizou, em poucas frases, o que eu queria dizer:

"Massa me comoveu com suas lágrimas, e, por alguns instantes, odiei o Hamilton, pela sua sorte. Depois, não, ele também se esforçou para chegar até onde estava. Mereceu, mas não festejo por ele".

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Deu a louca no Jabuti Escrito em 03 de novembro de 2008
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Estou até agora sem entender: como pode um livro que sequer venceu em sua categoria conquistar o prêmio geral, supremo, de um concurso? Pois foi o que inacreditavelmente aconteceu no Jabuti deste ano. O menino que vendia palavras, de Ignácio de Loyola Brandão, ficara em segundo lugar entre os títulos infantis, mas acabou derrotando todos os vencedores das diferentes áreas, inclusive aquele que, de acordo com o próprio júri do prêmio, lhe era superior na categoria em que concorreu: Sei por ouvir dizer, de Bartolomeu Campos de Queirós.

Com todo respeito ao Ignácio de Loyola Brandão, autor dos mais relevantes de nossa literatura, essa premiação me parece no mínimo estranha.

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