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Luiz Carlos da Vila Escrito em 20 de outubro de 2008
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Com muita tristeza, informo a vocês que acabo de saber por telefone da morte do grande Luiz Carlos da Vila. O cantor e compositor de mão cheia não resistiu ao câncer que reapareceu com força cinco anos após a esperança da cura definitiva e se foi, aos 59 anos de idade. Com o perdão pelo clichê, trata-se uma perda imensa, colossal mesmo.

Da Vila - ou "das Vilas" (Vila da Penha, Vila Kennedy, Vila Isabel...), como o chamava Nei Lopes - era um daqueles artistas que mantinham a obra atavicamente conectada à vida. Seus sambas são marcados por um lirismo singular, sem frescuras, que caminha na linha tênue entre o ameno e o excessivo sem nunca se desequilibrar. O que dizer, por exemplo, dos versos de Além da razão e de Pra conquistar teu coração?

Ao mesmo tempo, emprestou sua voz à denúncia social e retratou a vida suburbana do Rio com a precisão e o afeto de um cronista, perfilando em gírias, histórias e irreverência o modus vivendi dessa parte tão peculiar do Rio. Da Vila, na verdade, nunca se encastelou. Quem costuma circular pelos bares e pelas rodas da cidade, seja na Zona Norte ou na Zona Sul, sempre esbarrava com ele, copo de uísque na mão, gogó pronto para uma canja e uma nova canção. Coisa de primeira, a gente adivinhava antes mesmo de ouvir.

E se ainda fosse pouco nos presentear com maravilhas como Benza, Deus, Por um dia de graça, A luz do vencedor, Nas veias do Brasil, Doce refúgio, entre tantas outras, ainda compôs Kizomba - A festa da raça, samba-de-enredo que instantaneamente virou clássico e, sem favor, está hoje entre os maiores já escritos.

Olho agora e vejo que a morte de Da Vila é nota de pé-de-página nos sites noticiosos. A desimportância é reveladora sobre o nosso tempo, sobre suas prioridades. Mas estou triste demais para reclamar. "Maldade maior passar a vida sem saudade", como anotou ele numa de suas canções.

Hoje, definitivamente, é dia de gurufim.

P.S. O corpo do compositor esté sendo velado na sede da GRES Vila Isabel.

Acréscimo feito hoje, terça-feira: recomendo a todos a leitura do sensível texto que o Felipe Moura Brasil escreveu sobre o Da Vila no site Tribuneiros. Confira aqui.

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