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Elegia Escrito em 14 de outubro de 2008
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Trajetória interessante tem cumprido a diretora espanhola Isabel Coixet. Na sexta passada, fui ver o trabalho mais recente, Fatal, que confirma seu talento em trabalhar temas nada leves com uma espantosa sobriedade.

Isso se dava já na estréia, com o ótimo Minha vida sem mim. A história girava em torno de Ann, que, ao descobrir a morte iminente, começa a preparar cada detalhe para que a família e os amigos possam superar sua perda. Sem resvalar em nenhum momento no melodramático – um risco em se tratando do mote -, Coixet conduziu a trama sem condescendência. Em nenhum momento, a protagonista sequer resvala na auto-comiseração. Em vez de dramalhão, há nuance e complexidade.

Em A vida secreta das palavras, filme posterior, a personagem principal é Hannah, a solitária funcionária de uma indústria que troca suas férias pela tarefa de cuidar de um homem que acabara de sofrer um acidente. Coixet explora com precisão as matizes da tristeza, do medo, da insegurança, mostrando o quanto há de sentimentos reprimidos sob as palavras. Ou sob o silêncio.

A produção mais recente é uma adaptação do romance O animal agonizante, de Philip Roth, e centra-se no encontro entre David, crítico cultural de TV e professor, e sua aluna Consuelo. A diferença de idade – mais de 30 anos – não impede o incendiário caso amoroso e, em seguida, atiça uma obsessão: David se vê doentiamente dominado pelo ciúme, agravado pelo contraste entre a velhice dele e a exuberante juventude dela.

O misto de afeto e amargura que a relação enseja é valorizado pelas brilhantes atuações de Ben Kingsley e da exuberante Penélope Cruz. Atuações que sobrepujam inclusive o peso da mão da diretora. Sim, porque ao contrário do que acontece em Minha vida sem mim e A vida secreta das palavras, na nova película ela às vezes explicita demais – a narração em off de David, por exemplo, me parece excessiva –, sufocando o espaço do espectador.

Trata-se, porém, de um reparo pequeno que não chega a macular a beleza doída de Elegy - cujo título original, aliás, se presta muito melhor do que o da tradução. Afinal, filme de Coixet é, na mais pura essência, uma canção de lamento sobre oportunidades desperdiçadas, sobre juízos equivocados, sobre a pele fina e frágil que cobre a vida da gente.

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