Voltar para Página Principal
Blog
Clicando nos botões ao lado você aumenta o tamanho da fonte do textoDiminui FonteAumenta Fonte
»
Sobre filmes e perdas Escrito em 01 de setembro de 2008
separador

. No sábado passado, o Prosa & Verso publicou, em sua capa, uma matéria sobre as Poéticas da delicadeza. No texto, o repórter Miguel Conde abre espaço para jovens autores brasileiros contemporâneos que, num contraponto à literatura calcada na violência, na brutalidade e no escatólogico (marcas da chamada Geração 90), têm buscado um registro mais próximo do meio-tom, "da vida íntima e codidiana". Recomendo a leitura da matéria, que contempla a opinião de críticos e de escritores que admiro, como José Castello, Adriana Lisboa, João Anzanello Carrascoza e Michel Laub. Também estou por lá.

. A delicadeza, aliás, transborda em dois filmes a que assisti no fim-de-semana. Conversas com meu jardineiro, de Jean Becker, é um pequeno tratado sobre a amizade, desenhado a partir do reencontro entre um pintor bem sucedido (Daniel Auteuil) que deixa Paris para retornar à pequena cidade onde nasceu, há mais de 50 anos, e o velho colega de escola a quem contrata para cuidar do jardim. Um filme de nuances e silêncios...

. O outro filme - O tempo que resta, do polivalente François Ozon - centra-se na perda. A história do jovem que subitamente descobre que está com câncer e morrerá em poucas semanas é contada sem nenhum recurso melodramático. Pelo contário: em vez de desespero, há (aqui mais uma vez) silêncio - e contemplação: fotógrafo profissional, ele passa a registrar imagens das pessoas que ama, das paisagens que quer guardar (sabe-se lá onde), à espera do inevitável. A cena final, sobretudo, é comovente e extremamente poética em sua singeleza.

. No dia 7 de abril, escrevi aqui no blog sobre a perda do meu Tio Chico. No post, eu citava uma prima, que ressaltara, num texto bonito em homenagem ao tio, o papel de 'patriarca' que ele havia representado para a família. Pois bem: esta prima faleceu ontem, ainda bem jovem, vítima de um câncer anunciado abruptamente e que não lhe deu chances. Assisti a O tempo que resta antes de saber de sua morte. E me pareceu menos doído assim.

. "Mói a mó, mói a morte / em seu moer parado / o que era trigo eterno / e nem sequer semeado". Versos de Drummond. Vida boa, vida ruim, o fato é que a gente sempre quer mais.

Clique para deixar seu comentário {2}