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Rasif no Rio Escrito em 22 de setembro de 2008
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Hoje, a partir das 18h, o amigo Marcelino Freire lança Rasif - Mar que arrebenta na livraria do Cine Odeon. Ilustrado com belas gravuras de Manu Maltez, o livro traz 17 contos que reiteram as marcas da literatura do Marcelino: a contundência e um lirismo extremamente singular. Que nasce da aspereza, da degradação. Da merda, enfim.

Segue um trecho de Para Iemanjá, um dos textos que integram a seleta, editada pela Record.

"Para Iemanjá"

Marcelino Freire

"Oferenda não é essa perna de sofá. Essa marca de pneu. Esse óleo, esse breu. Peixes entulhados, assassinados. Minha Rainha.

Não são oferenda essas latas e caixas. Esses restos de navio. Baleias encalhadas. Pingüins tupiniquins, mortos e afins. Minha Rainha.

Não fui eu quem lançou ao mar essas garrafas de Coca. Essas flores de bosta. Não mijei na tua praia. Juro que não fui eu. Minha Rainha.

Oferenda não são os crioulos da Guiné. Os negros de Cuba. Na luta, cruzando a nado. Caçados e fisgados. Náufragos. Minha Rainha.

Não são para o teu altar essas lanchas e iates. Esses transatlânticos. Submarinos de guerra. Ilhas de Ozônio. Minha Rainha.

Oferenda não é essa maré de merda. Esse tempo doente. Deriva e degelo. Neste dia dois de fevereiro. Peço perdão. Minha Rainha.

Se a minha esperança é um grão de sal. Espuma de sabão. Nenhuma terra à vista. Neste oceano de medo. Nada. Minha Rainha. (...)"

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