Voltar para Página Principal
Blog
Clicando nos botões ao lado você aumenta o tamanho da fonte do textoDiminui FonteAumenta Fonte
»
Freddy Cole Escrito em 17 de setembro de 2008
separador

No carro do meu pai, ao lado dos Nelson Gonçalves, dos Altemar Dutra, dos Roberto Ribeiro, morava uma fita cassete do Freddy Cole. Adorava ouvi-la. Lembro-me de que a fita era azul piscina, com um projeto gráfico meio cafoninha, e de que, salvo engano, trazia umas músicas brasileiras ao lado dos naturais standards norte-americanos. Meu pai me dissera que ele era irmão do Nat King Cole, este bem mais famoso. Do Nat, já naquela época, já havia ouvido falar.

Lembro-me também que Freddy tinha uma voz aveludada (como a do irmão). Não estou certo, no entanto, é se naqueles anos era tão pequenina como hoje. Porque ontem à noite, ao reencontrá-lo depois de tanto tempo no Programa do Jô, fiquei admirado: a voz está frágil, dá a impressão de que não vai sustentar os versos do início ao fim.

Só que parece ciente disso, então não força a barra. Pelo contrário: contorna essa fragilidade com uma interpretação minimalista, de fraseado absolutamente perfeito. Pela voz mais áspera (rouca?) e pela própria imagem, ele me remeteu ao excepcional Bola de Nieve, músico cubano que integra a minha lista de pianistas prediletos.

Me comovi com as novas cores que Freddy deu, ontem, à batidíssima Unforgettable. É claro que o arranjo classudo, centrado nas cordas do piano, do violão e do baixo acústico, ajudou. Mas foi a voz do cantor que tirou as gorduras sentimentais da canção. Que lhe deu insuspeito frescor. Que me fez enxergar de novo a beleza de sua melodia, afogada pela repetição e por orquestrações demasiadamente açucaradas. Foi um afago antes do sono.

Freddy se apresenta amanhã no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Queria estar lá.

Clique para deixar seu comentário {1}