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Paisagem submersa Escrito em 04 de setembro de 2008
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Ao saber que sete municípios no nordeste do estado de Minas Gerais seriam inundados para a formação do lago da Usina Hidrelétrica de Irapé, no leito do rio Jequitinhonha, os fotógrafos mineiros João Castilho, Pedro David e Pedro Motta decidiram retratar literalmente a decomposição da memória. Ou seja, o processo de demolição das casas e de transferência de cerca de 1.100 famílias que se viram obrigadas a mudar-se para outras cidades.

O resultado desse trabalho foi personificado no livro Paisagem submersa, editado pela Cosac Naify. Trata-se, como os três autores bem definiram pegando emprestada uma expressão de Chuck Samuels, de um “documentário imaginário”, pois a objetividade é deliberadamente invadida pelo olhar poético e subjetivo de quem captou as imagens. Como se, ao focar naquilo que fica (ao menos momentaneamente), apreendessem também a sombra do que se esvaece.

As fotos ora mostram as pessoas carregando seus objetos pessoais, como malas, antigos rádios ou mesmo uma porta, ora contemplam a paisagem em sua grandeza (e em seu vazio), num contraste lúdico – e meio triste – entre indivíduo e natureza. De certo modo, elas configuram ainda um ensaio sobre a partida, e a dor que o desapego engendra quando abrupto e compulsório.

Algumas das imagens, que têm uma beleza realmente singular, podem ser vistas no site do projeto.

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