
![]()
Ferrez: um escritores citados por Marcelo Coelho no texto
Ainda a velha e boa literatura: dia desses assisti, não sem espanto, ao discurso (um tanto acrítico) que a crítica Heloísa Buarque de Hollanda fez, defendendo que produção brasileira de qualidade viria hoje dos autores da chamada 'periferia'. Mais uma generalização, entre as tantas que nos cercam. Acredito que tanto na periferia (aliás, teríamos, antes de qualquer coisa, que conceituar o termo) quanto nas classes médias ou altas, há (ou, vá lá, pode haver) péssimos, medianos e ótimos escritores.
O discurso 'engajado' de Heloísa parece confundir valor testemunhal com valor estético. E concordo com boa parte das premissas que o Marcelo Coelho levantou hoje, em seu blog no UOL, a respeito do tema. Coelho afirma que, no âmbito da 'literatura da periferia' (aspas, mais uma vez), "o autor é mais 'representante' da realidade do que 'representador' da realidade e perde, com isso, "a distância que deveria ter diante daquilo que representa". "Oscila, assim, entre uma atitude “crítica” e uma atitude “identitária”. Precisa mostrar, por exemplo, que na periferia se mata e se morre por uma ninharia, mas tende a considerar preconceituosa a opinião do burguês que tem medo de passear por essas regiões. A periferia é enaltecida e detestada ao mesmo tempo", complementa.
Coelho destaca ainda que esse autor, embora saudado como "artista" pelo mundo não-periférico, é visto muito mais como uma espécie de "informante". E, "na medida em que a crítica se interessa pela 'realidade representada', e não pelo modo com que isso foi feito, cada livro se torna expressivo e complexo independentemente das intenções, da autoconsciência, do grau de controle de que o autor está imbuído". Assim, mais do que autores, surgiriam 'casos'. "O caso Ferréz, o caso Paulo Lins", exemplifica.
O artigo (leia a íntegra aqui) é um bom ponto de partida para uma discussão menos deslumbrada sobre o assunto.
{4}