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'Soneto com tela de fundo azul' Escrito em 28 de agosto de 2008
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Quando o amigo Henrique Rodrigues me enviou, ontem, o soneto que havia acabado de escrever, de pronto comentei com ele sobre a imagem publicada aqui no post com o poema do Herberto Helder. Pura coincidência.

O lindo soneto, que fará parte do próximo livro do HR, é mais uma peça entre as tantas que ele tem produzido atualmente, aproveitando os "dias de ponto e vírgula" (na definição própria). Divido o texto com vocês.

"Soneto com tela de fundo azul"

Henrique Rodrigues

"Guardar o que se pode da beleza,
Não cultivar o vácuo da lembrança,
Tampouco fermentar desesperança,
Mas respeitar o tempo da tristeza;

Abrir lugar àquilo que está vindo
E despedir-se do que já morreu;
Usar nós onde só cabia o eu,
Sabendo-se também como algo findo;

Sorver o breu de todo desencanto
Como se fosse um vinho seco e denso
A lágrima acridoce do teu pranto.

E então viver esse conjunto intenso
De todas as certezas em suspenso
Enquanto passa o que é só mesmo enquanto."

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