
Foi com emoção que reencontrei, no blog do Marceu Vieira, uma crônica que ele escreveu quando ainda estava no Jornal do Brasil, onde assinava a coluna Coisas do Rio. Com seus textos extremamente bem redigidos, sempre sensíveis, plenos de sinceridade, Marceu já era então uma referência para aquele adolescente que sonhava estudar jornalismo.
Mas me lembro bem: foi ao ler Para uma certa mulher que pude ter a exata certeza de que o ofício ao qual me dedicaria seria, de fato, o mesmo do autor daquelas palavras. Em segredo, eu alimentava a esperança de um dia, quem sabe, escrever como ele.
Posto, abaixo, um trecho da crônica. Leia a íntegra no aqui.
"Para uma certa mulher"
Marceu Vieira
"A mulher na Praça General Osório, às quinze para as cinco da tarde, não sabe que bem do lado alguém busca nela a inspiração que falta. Parece querer consolo do sol que ilumina mas não aquece o início do outono em Ipanema, com suas folhas amareladas se desprendendo das árvores para dançar no vento.
A aparência sugere mais de 30. O batom disfarça o sentimento do mundo que parece carregar. Mas as lágrimas denunciam que sofre.
É moça da Zona Sul, percebe-se. É branca, alta e um certo jeito de mexer nos cabelos tenta dizer que já se achou mais bonita.
Como num filme, vira-se para o lado e, sem que se pergunte, conta que encontrou um bilhete perfumado no bolso do marido. Em letras miúdas e bem desenhadas, o papelzinho denunciava o desassossego no coração do homem com quem está casada há alguns anos. (...)"
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