
Acaba de chegar às lojas um discaço. Refiro-me a Olhos negros, de Johnny Alf - trabalho produzido por Libert Gadelha que havia sido lançado na versão cd em 1991, mas estava há muito tempo fora de catálogo. Conheci esse disco na casa do meu amigo Rodrigo Zaidan, num dos ótimos saraus que ele costumava fazer, e de cara me encantei com a canção-título, melodia do próprio Alf que ganhou letra inspirada de Ronaldo Bastos.
No registro de Olhos negros, Caetano Veloso divide os vocais com o pianista O cd, aliás, é todo assentado em duos nos quais uma das partes é o homanegado. Na linda O que é amar, a interpretação algo exagerada de Sandra de Sá reflete a turbulência das paixões abruptas. Em Ilusão à toa, Gal Costa sussurra com delicadeza a história de amor "discreto". No choro-canção Seu Chopin, desculpe, um Chico Buarque gaiato conversa diretamente com Liszt e George Sand. E tem ainda Emílio Santiago, Zizi Possi, Marcio Montarroyos...
Anteontem dei duas voltas na Lagoa escutando o disco e pude prestar ainda mais atenção nos arranjos, nas cordas que salientam as harmonias sofisticadas do compositor. E então pude perceber que foram justamente as orquestrações dessas já conhecidas músicas que me fizeram gostar tanto do cd. Que tem lá um jeitão de caça-níqueis, mas vale cada centavo.
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