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'Põe na roda o tambozeiro' Escrito em 01 de agosto de 2008
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Quando o ouvi pela primeira vez, batucado por dois dos autores numa das mesas do sebo Al Farabi, comentei na hora: dificilmente haverá algum samba melhor na disputa. Agora, depois de escutar o registro feito pelo Richah, posso afirmar sem erro: o hino composto pelos amigos Luiz Antonio Simas e Alberto Mussa (com Edgar Filho, Gari Sorriso e Bené) para o carnaval do Salgueiro em 2009 é, disparado, o melhor entre os 38 concorrentes oficiais. É, mais do que isso (e desde já), uma pérola do samba-enredo.

O tom menor e o andamento reverente aos clássicos somam-se a uma letra inspirada e sem apelação, que traz, entre muitos ótimos versos, uma tirada genial ("Qual é o povo / Que não bate o seu tambor"). Torço para que o Salgueiro, escola pela qual meu coração imperiano tem uma enorme simpatia, confirme minhas expectativas e escolha esse hino para levar à Sapucaí. Segue a letra do samba, que pode ser ouvido aqui.

"Tambor"

Edgar Filho, Simas, Beto Mussa, Gari Sorriso e Bené do Salgueiro

"Canto uma herança
Da humanidade primordial
De árvores tombadas um tom grave
Deu a cadência original
A idéia de um gênio anônimo,
Meu ancestral
Caçador que na mata uma fera enfrentou
Quando sua vitória quis anunciar
Pôs o couro esticado, bateu, repicou
Ôô ôô, ôô ôô

Festa na aldeia,
Lua cheia, um clarão
Tem batuque a noite inteira
É magia, adoração

De ocidente a oriente
Em diferentes formas se multiplicou
Qual é o povo
Que não bate o seu tambor

Quem cruzou o mar
Encontrou um som guerreiro
E desde então o baticum não quer parar
Zambê, zabumba, ilu-abá
Angoma, tumba, candongueiro
Batá-cotô no meu terreiro
Põe na roda o tambozeiro
O Brasil nasceu de mim
Inclusão, cidadania
Furiosa bateria
Coração que bate assim

Menina, quem foi teu mestre?
Um batuqueiro
Que arrastava
O povo do Salgueiro"

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