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Como andam chatos os jornais Escrito em 15 de agosto de 2008
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Como andam chatos (bizarros?) os jornais. O Merval Pereira, de O Globo, parece colunista do Washington Post: só fala nas eleições norte-americanas. Em que pese sua importância para o resto do mundo, o pleito definitivamente não é a única pauta política do momento, como um incauto pode pensar ao ler, nas últimas três semanas, as colunas do jornalista

O mesmo O Globo publica hoje uma matéria que, como alerta meu bom amigo Cid Benjamin, mais se assemelha a um informe publicitário. Sob o pretexto de anunciar o aquecimento do mercado imobiliário na Zona Oeste do Rio, o jornal abre generoso espaço para que o presidente da Patrimóvel, Rubem Vasconcelos, propague os predicados de seu 'produto': "Os lançamentos nessas áreas hoje têm piscina, área para esporte e home theater. Um de nossos imóveis tem até boliche", afirma ele.

Já a Folha de S. Paulo se prestou a ser garoto de recados de João Gilberto. Na edição de anteontem da Ilustrada (seu suplemento de cultura), a colunista Mônica Bergamo publicou uma lista de "amigos perdidos" a quem o cantor procurava a fim de convidá-los para o show que iria realizar na capital paulistana. Sob um antetítulo formado pela palavra Urgente, Mônica avisa que as pessoas relacionadas devem passar na bilheteria "para pegar seus ingressos". Abro aspas para a colunista:

"Atenção, "irmãos Waldemar e Wilson", João quer vocês no show; "doutora Terezinha, prima do Toninho Botelho", a senhora também é esperada; "o Marcelo que trabalhava na Varig me daria um grande prazer se fosse", diz João Gilberto. E também Carlinhos Rodenburg, do banco Opportunity e ex-cunhado do banqueiro Daniel Dantas (ele é parente afastado do cantor).

João listou ainda "três grandes cantoras, Elsa Laranjeira, Maricenne Costa e Mirian Fraga"; "meu querido Mario Thompson e sua família"; Acyr, Cyro Del Nero, Álvaro Moya, Alfredo Borba, Antonio Vanderlei, Daniel Serra, Elizabeth Rizzini, Orfeu Palmari e sua irmã; Os Titulares do Ritmo e suas famílias; Alberto, Eduardo Mario, Dina, Silvinha e dona Gita, da família Leão Fuerte; Rodolfo Nagler, Sabát, "o grande Fernando Faro"; Joãozinho Bossa Nova; Luiz Galvão e também seus músicos; Iná Abreu e José Pires; e Mônica Vanderley e Paulinho."

Relevância indiscutível, não?

Andam mesmo chatos os jornais - embora ainda menos do que o João Gilberto.

P.S. Uma exceção, digna de ser mencionada aqui: a edição de ontem do Segundo Caderno (O Globo). O suplemento foi todo dedicado ao aniversário da bossa nova e conseguiu dar certo frescor a esse assunto tão batido. Das matérias muito bem escritas por coleguinhas como João Máximo e Leonardo Lichote ao lindo projeto gráfico, salpicado pelos desenhos do bamba César Vilela, um primor de peça jornalística.

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