
Em tributo à grande Zezé Gonzaga, que morreu na semana passada, a amiga Monica Ramalho republicou no site Overmundo a entrevista que fez com a cantora há cerca de dois anos. Na conversa, transposta para a tela com a habitual elegância do texto da Monica, Zezé fala da infância em Minas Gerais, do início na vida artística, da desilusão com a carreira, da traumática perda da filha adotiva e da idade avançada. “Já estou pagando hora extra na vida”, afirma ela.
Reproduzo, abaixo, alguns trechos da entrevista. Leia a íntegra aqui.
"(...) Em 1942, a cantora puxou a mãe, dona Oraida, pelo braço para se inscreverem no programa do Ary Barroso. “Ganhamos cinco, que era a nota máxima. Cantei uma música que estava em voga na ocasião, ‘Sempre no meu coração’, e mamãe tocou ‘Dinorah’, do Benedito Lacerda”. Quem passava bonito pelo gongo exigente de Ary ganhava o direito de participar do ‘Escada de Jacó’, comandado por Zé Bacurau. “Eu não queria ser profissional. Pelo menos, naquele instante, não”, diz. O negócio era cantar por prazer. Em seguida, Zezé assumiu o pseudônimo de Deise Barbosa para soltar a voz no programa de calouro ‘Pescando Estrelas’, do Arnaldo Amaral. “Eu ainda morava em Minas e vinha muito ao Rio de Janeiro de férias. Inventei um nome porque não queria que ninguém me reconhecesse” (...)"
"(...) A Rádio Nacional foi uma grande escola para Zezé, na época uma jovem de 22 anos. “Para mim, valeu muito, mas vi muita gente perder um dinheirão lá. Era o seguinte: Você tinha que chegar, no máximo, 15 minutos antes da hora que estava programado para entrar no ar. Se atrasasse, não cantava e ainda pagava uma multa”. Zezé era muito responsável e nunca chegou depois do horário combinado. “Por ter facilidade para aprender, quando faltava um, me chamavam para fazer o número daquela pessoa. Eu dava uma olhada na partitura e cantava ao vivo. Ficava um primor. Uma das cantoras que eu mais substituí foi a Nora Ney” (...)"
"(...) Outro dia, a produção do ‘Fantástico’, da Rede Globo, telefonou para a cantora a fim de convidá-la para participar de um quadro do programa dominical, um dos mais antigos da emissora. “Ah, tive que dizer à menina: Desculpe, minha filha, você não tem culpa, mas não aceito fazer parte deste programa porque em 64 anos de carreira ninguém nunca cometeu a delicadeza de me chamar para fazer um número. Obrigada, mas não vou. Não tenho nada de importante para falar sobre a minha carreira. Aliás, a mídia nunca me prestigiou como eu vejo prestigiar outros artistas, embora eu sempre tenha feito o meu trabalho com a maior dignidade possível”, desabafa (...)"
{0}