
Quando me entregou o CD de presente, a amiga Luisa Sabóia avisou de bate-pronto: "Presta atenção na gravação de Altos e baixos".
Ela sabia, evidentemente, o quanto me apraz essa canção escrita em parceria por Sueli Costa e Aldir Blanc - canção que, aliás, a própria Lu interpretou no inesquecível show que fez, há algum tempo, na Cobal do Humaitá.
De fato, a moça tinha razão. O arranjo jazzístico, marcado pela suave marcação da bateria; o andamento mais lento, que valoriza a visceralidade da letra do Aldir; a voz pequena, expondo os machucados mais profundos: tudo é preciso no registro feito por Rosa Passos em seu mais recente disco, Romance, infelizmente ainda não lançado no Brasil.
"Foram discos demais, desculpas demais / Já vão tarde essas tardes e mais tuas aulas / Meu táxi, whisky, Dietil, Diempax / Ah, mas há que se louvar entre altos e baixos / O amor quando traz tanta vida / Que até pra morrer leva tempo demais...", canta Rosa, e a gente sofre um pouco com ela, como se a alma macerada gritasse, nos sussurros, os seus cortes.
Num CD em que o repertório algumas vezes peca pela obviedade (não obstante a qualidade de tais canções, para que gravar novamente Tatuagem e Eu sei que vou te amar?), Altos e baixos sobressai num rol de belezas redescobertas que inclui ainda Doce presença (Ivan Lins / Victor Martins) e Cadê você (João Donato / Chico Buarque).
Em tempos de Lei Seca, um disco para se ouvir com a lucidez de umas taças de vinho.
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