Voltar para Página Principal
Blog
Clicando nos botões ao lado você aumenta o tamanho da fonte do textoDiminui FonteAumenta Fonte
»
Dia do Escritor Escrito em 25 de julho de 2008
separador

Hoje, no Dia do Escritor, reproduzo aqui o poema que me foi enviado pelo amigo Henrique Rodrigues. O texto, do João Cabral, sintetiza o nosso ofício diário de catar as palavras-feijão.

"Catar feijão"

João Cabral de Melo Neto

"Catar feijão se limita com escrever:
joga-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo;
pois para catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e o oco; palha e eco.

Ora, nesse catar feijão entra um risco:
o de que entre os grãos pesados entre
um grão qualquer, pedra ou indigesto,
um grão imastigável, de quebrar dente.
Certo não, quando ao catar palavras:
a pedra dá à frase grão mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual,
açula a atenção, isca-a com o risco"

Clique para deixar seu comentário {1}