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Beleza e tristeza Escrito em 29 de julho de 2008
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O presente que comprei para meu amigo (mencionado no post abaixo) foi Beleza e tristeza, o último romance de Yasunari Kawabata (foto). O livro acaba de ser editado no Brasil pela Estação Liberdade, num duplo lançamento que inclui o trabalho de estréia do escritor japonês, a novela A dançarina de Izu (esta saiu pela Globo).

Estou curiosíssimo para ler as duas obras, sobretudo Beleza e tristeza, no qual Kawabata narra a viagem de um velho escritor, Oki Toshio, até a cidade de Kyoto, para ouvir os sinos que tradicionalmente celebram o final do ano. O enredo, ao mesmo tempo singelo e poético, conjuga as principais marcas da literatura desse extraordinário autor, que ganhou o Prêmio Nobel em 1968. Marcas, aliás, presentes nos dois romances anteriormente lançados por aqui - O país das neves e A casa das belas adormecidas -, que resenhei há algum tempo para o Prosa & Verso (O Globo) e recomendo fortemente. Publico, abaixo, o trecho inicial da resenha. Leia a íntegra aqui.

Literatura das sensações

Marcelo Moutinho

Morte e erotismo são os dois temas que se amalgamam e cimentam em essência a literatura do japonês Yasunari Kawabata, Nobel de 1968, cuja obra está sendo relançada no Brasil com dois de seus mais importantes livros: “O país das neves” (1937) e “A casa das belas adormecidas” (1960). A dolorida noção da transitoriedade da vida, presente nestes e em outros romances dele, é cifrada por um olhar sensível, que dispensa à narrativa tons e semitons nuançados, como se o texto fosse uma pintura impressionista cunhada em sensações, em sutilezas, em subentendidos.

Formado em literatura pela Universidade Imperial de Tóquio, o escritor foi um dos fundadores da revista “Bungei Jidai”, publicação de vanguarda influenciada pelo surrealismo, e destacado integrante da chamada Shinkankuha, corrente neo-sensorialista que revolucionou as letras japonesas, opondo-se ao realismo clássico. Kawabata e seus colegas professavam a captura mais direta dos sentimentos, apostando na rarefação narrativa e no lirismo.

Em ambos os livros, traduzidos diretamente do japonês, esses traços são evidentes. No primeiro, o leitor é posto diante de um triângulo amoroso apenas sugerido entre um intelectual de meia-idade que mora em Tóquio, uma gueixa e uma jovem, cujo rosto ficará para sempre fixado na mente do protagonista, desde que o vislumbrou refletido na janela embaçada do trem em que viajava para a estação termal do País das Neves. (...)

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