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Nelson: que os tricolores vivos, doentes e mortos apareçam
Cada jogo tem sua história - e depende de tantos fatores (acaso, inspiração, sorte) além do esquema tático, que não há como se falar vitória nem derrota de véspera. O Tostão – melhor comentarista de futebol da atualidade – vive afirmando isso. Então, vamos com calma.
Como escrevi aqui ontem, nada nunca foi fácil para o Fluminense. Tomemos os títulos mais recentes. No Estadual de 2005, éramos favoritíssimos contra o apenas bem-armado Volta Redonda. No primeiro jogo da final, perdemos por 4x3, sendo que nosso terceiro tento foi marcado (por Tuta) no apagar das luzes. O gol que viria a nos garantir a conquista, assinalando os 3x1 na partida decisiva, saiu aos 45 minutos do segundo tempo, numa cabeçada esquisita do zagueiro Antonio Carlos.
Na Copa do Brasil do ano passado, mais uma vez o “favoritismo” diante do Figueirense. O jogo inicial foi no Maracanã, e não passamos de um empate em 1x1 – para piorar, o gol fora assegurava aos catarinenses a vantagem do 0x0 em Florianópolis. Lá, na semana seguinte, logo aos 5 minutos abrimos o placar – depois disso, experimentamos mais de uma hora de sofrimento com a natural pressão dos ‘donos da casa’.
Esses episódios vieram se somar a muitos outros, como os Fla x Flus de 1983 (gol de Assis no derradeiro minuto) e de 1995 (a célebre ‘barrigada’ de Renato Gaúcho). Falo apenas do que pude ver com os próprios olhos.
Por tudo isso é que confio plenamente no êxito tricolor na próxima semana. É fundamental que toda a torcida – até aqui um dos destaques desta Libertadores na qual construímos uma história bonita (independentemente de sermos ou não campeões, as vitórias contra o Arsenal (6x0), o São Paulo (3x1) e o Boca Jrs (3x1) estarão para sempre registradas nas melhores estantes da minha memória. – também acredite. Como disse um amigo nitiano, a tristeza, a revolta, a dor (sim, houve dor), a crítica, valem até quarta-feira, sol poente. A partir de então, é virar besta-fera e exigir dos jogadores uma postura de besta-fera – diferente, pois, da apatia demonstrada em Quito. Berrar nossas tradicionais canções, vaiar o adversário, jogar junto. Empurrar o time para o ataque, sem medo. Fazer valer o Maracanã.
Cronista maior, Nelson Rodrigues observou certa vez que, “nas situações de rotina, um `pó-de-arroz' pode ficar em casa abanando-se com a Revista do Rádio. Mas quando o Fluminense precisa de número, acontece o suave milagre: os tricolores vivos, doentes e mortos aparecem. Os vivos saem de suas casas, os doentes de suas camas e os mortos de suas tumbas".
Na quarta, além de número, o Flu precisará da esperança que, simbolicamente, o seu verde enseja. Precisará, sobretudo, de valentia.
Que não nos faltem.
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