
Confirmando as primeiras suspeitas, quando começaram a circular nomes como o da psicanalista Elizabeth Roudinesco e o da cineasta Lucrecia Martel, a programação da Flip 2008 é de altíssimo nível. Merece elogios o novo curador do evento, Flávio Moura, que conseguiu um interessante equilíbrio entre os convidados internacionais e o escrete brazuca. O grande problema de 2007 foi justamente a discrepância entre os dois grupos.
Destaco, no programa, algumas mesas. Como a de número 1, que reunirá Michel Laub e Adriana Lunardi, ótimos escritores, e as incógnitas da vez: Emilia Fraia e Vanessa Bárbara, que ainda não têm livros publicados. A ver.
Na mesa 2, estará a já citada Elizabeth Roudinesco, que pretende examinar as relações entre a literatura e a psicanálise a partir de autores como Shakespeare, James Joyce e Machado de Assis. O cantor e compositor Carlos Lyra, um das artífices do movimento, e o crítico Lorenzo Mammi farão, na mesa 3, um balanço dos 40 anos da bossa nova.
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Inês Pedrosa e Tom Stoppard: destaques no time gringo
Também promete bastante a mesa 4, com os jornalistas Humberto Werneck e Xico Sá. Werneck acaba de lançar uma biografia de Jaime Ovalle, poeta que circulou pela Lapa nos anos 20, e conversará com Xico sobre jornalismo e boêmia.
Na mesa 6, a retomada de um tema que andou ausente da Flip: a narrativa curta. Os contistas Modesto Carone, Ingo Schulze e Rodrigo Naves serão os debatedores do painel. Logo em seguida, na 7, um encontro interessante: o grande João Gilberto Noll com a também já mencionada Lucrecia Martel.
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Da Matta e Wisnik farão um bate-bola sobre o futebol
Outras atrações: as mesas 15 (Shakespeare, utopia e rock’n’roll), com Tom Stoppard; 16 (Os livros que não lemos), com Marcelo Coelho e Pierre Bayard; 17 (Sexo, mentiras e videotape), com Cíntia Moscovich, Inês Pedrosa e Zoë Heller; e 19, um vôo duplo do antropólogo Roberto da Matta e do ensaísta José Miguel Wisnik. Sobre o quê? O velho e bom ludopédio, assunto do qual os dois já trataram em livro.
Na mesa 14, estará o Cees Nooteboom. Ao lado dele, o marqueteiro Fernando Vallejo, que provavelmente agitará o público com suas frases milimetricamente pensadas para virar manchete no dia seguinte. Há algumas espécimes assim na literatura brasileira: muito barulho por nada. A pose de enfant terrible é tão porosa quanto a de existencialista. Não caio nessa conversinha, mas os jornais adoram.
Além disso tudo, ainda vai ter show do Luiz Melodia (que não poderei ver, por conta da finalíssima da Copa Libertadores). Espero apenas que a organização da Festa reflita o grau de qualidade dos convidados, com um sistema de venda de ingressos menos caótico do que o das edições recentes. Confira a programação completa aqui.
P.S. Este blog entra em recesso hoje. Volto no dia 16, com impressões de viagem.
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