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Centro Cultural José Bonifácio: pérola arquitetônica da Gamboa
Já estão abertas as inscrições abertas para o curso Aspectos da cultura negro-africana na música brasileira, que acontecerá a partir do dia 7 de julho no Centro Cultural Municipal José Bonifácio. As aulas - gratuitas - serão ministradas por Leonardo Sá, pianista, compositor, professor da Fundação Getúlio Vargas e da Escola de Música Villa-Lobos, além de coordenador educacional da Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira.
Sá propõe uma reflexão sobre as características da expressão musical brasileira de origem negro-africana a partir da observação de algumas manifestações presentes no cotidiano do Rio de Janeiro. O programa inclui tópicos como a lógica musical segundo os diferentes sistemas culturais; música e músicas da África e na África; sistemas musicais no Brasil; percepção e imaginação musical negro-afro-brasileiras; parâmetros musicais e paradigmas culturais e exclusão e apropriação na criação artística no Brasil.
As atividades do Centro Cultural José Bonifácio - um espaço que vale a visita só pela beleza de sua arquitetura - incluem ainda uma série sobre os fazeres do carnaval e outros três cursos: Arte, África e Brasil, com Roberto Conduru; Literatura afro-brasileira, com Fernanda Felisberto; e Culto à Ifá, com o babalaô nigeriano Afixe. Informações pelo telefone 2233-7754
O amigo Marcelo Copello – enólogo que, justamente por entender do riscado, não guarda nenhum tique ‘enochato’ – acaba de abrir um espaço exclusivamente voltado à cultura do vinho. Localizada no Flamengo, a Escola Mar de Vinho será a partir de agora a sede de suas palestras, além de palco de degustações e eventos especiais, como o que acontecerá na próxima quinta.
Refiro-me a Degustando ‘Sex in the city’ com Marcelo Copello, encontro no qual o enólogo tentará associar diferentes vinhos às personalidades das quatro personagens do filme: Charlotte, Miranda, Samantha e Carrie. O evento contará com a participação e os comentários da crítica de cinema Raphaela Ximenes e com a exibição de cenas da série que deu origem ao longa-metragem.
A degustação vai incluir um espumante, quatro vinhos e, como ninguém é de ferro, um prato 'principal': Risotto al limone e gamberi, que será preparado pela chef Ciça Roxo e harmonizado com o drink Cosmopolitan. Mais informações sobre o evento ou sobre a Escola Mar de Vinho podem ser obtidas pelo telefone 2285-6087.
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Eu e Flávio ao lado do velho, que aniversariaria hoje
"O corpo a morte leva
A voz some na brisa
A dor sobe pras trevas
O nome a obra imortaliza
A morte benze o espírito
A brisa traz a música
Que na vida é sempre a luz mais forte
Ilumina a gente além da morte (...)"
Amiga querida e escritora de raro talento, a Adriana Lisboa lança amanhã o livro Contos populares japoneses, que sai pelo selo Rocco Jovens Leitores. O lançamento acontecerá na Livrara Malasartes (Shopping da Gávea), a partir das 16h, e incluirá uma oficina de origami para os interessados nessa tradicional arte do Oriente.
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Nelson: que os tricolores vivos, doentes e mortos apareçam
Cada jogo tem sua história - e depende de tantos fatores (acaso, inspiração, sorte) além do esquema tático, que não há como se falar vitória nem derrota de véspera. O Tostão – melhor comentarista de futebol da atualidade – vive afirmando isso. Então, vamos com calma.
Como escrevi aqui ontem, nada nunca foi fácil para o Fluminense. Tomemos os títulos mais recentes. No Estadual de 2005, éramos favoritíssimos contra o apenas bem-armado Volta Redonda. No primeiro jogo da final, perdemos por 4x3, sendo que nosso terceiro tento foi marcado (por Tuta) no apagar das luzes. O gol que viria a nos garantir a conquista, assinalando os 3x1 na partida decisiva, saiu aos 45 minutos do segundo tempo, numa cabeçada esquisita do zagueiro Antonio Carlos.
Na Copa do Brasil do ano passado, mais uma vez o “favoritismo” diante do Figueirense. O jogo inicial foi no Maracanã, e não passamos de um empate em 1x1 – para piorar, o gol fora assegurava aos catarinenses a vantagem do 0x0 em Florianópolis. Lá, na semana seguinte, logo aos 5 minutos abrimos o placar – depois disso, experimentamos mais de uma hora de sofrimento com a natural pressão dos ‘donos da casa’.
Esses episódios vieram se somar a muitos outros, como os Fla x Flus de 1983 (gol de Assis no derradeiro minuto) e de 1995 (a célebre ‘barrigada’ de Renato Gaúcho). Falo apenas do que pude ver com os próprios olhos.
Por tudo isso é que confio plenamente no êxito tricolor na próxima semana. É fundamental que toda a torcida – até aqui um dos destaques desta Libertadores na qual construímos uma história bonita (independentemente de sermos ou não campeões, as vitórias contra o Arsenal (6x0), o São Paulo (3x1) e o Boca Jrs (3x1) estarão para sempre registradas nas melhores estantes da minha memória. – também acredite. Como disse um amigo nitiano, a tristeza, a revolta, a dor (sim, houve dor), a crítica, valem até quarta-feira, sol poente. A partir de então, é virar besta-fera e exigir dos jogadores uma postura de besta-fera – diferente, pois, da apatia demonstrada em Quito. Berrar nossas tradicionais canções, vaiar o adversário, jogar junto. Empurrar o time para o ataque, sem medo. Fazer valer o Maracanã.
Cronista maior, Nelson Rodrigues observou certa vez que, “nas situações de rotina, um `pó-de-arroz' pode ficar em casa abanando-se com a Revista do Rádio. Mas quando o Fluminense precisa de número, acontece o suave milagre: os tricolores vivos, doentes e mortos aparecem. Os vivos saem de suas casas, os doentes de suas camas e os mortos de suas tumbas".
Na quarta, além de número, o Flu precisará da esperança que, simbolicamente, o seu verde enseja. Precisará, sobretudo, de valentia.
Que não nos faltem.
No segundo semestre, vou coordenar uma oficina de contos, em nível avançado, na Estação das Letras. As aulas serão às quintas-feiras, das 19h30 às 21h30. Na oficina, de caráter eminentemente prático, os alunos serão estimulados a criar pequenas narrativas a partir das discussões de aula e de motes específicos, como canções, poemas, notícias de jornal ou outros contos. Os textos serão analisados por mim e, depois, discutidos em sala com os próprios alunos, possibilitando um olhar crítico sobre a produção de cada um. As inscrições podem ser feitas no site da Estação.
Seria cômico, se não fosse trágico, ver um dos responsáveis pelo caótico sistema de venda de ingressos para jogos de futebol no Rio de Janeiro - o ex-presidente da Suderj Eduardo Paes - apresentar-se como candidato ao nobre posto de administrador da cidade.
Muito boa a entrevista que o curador da Flip, Flávio Moura, concedeu ao blog Prosa On Line. Responsável pela ótima programação deste ano, Flávio fala sobre a preparação da festa, os convidados e a opção por manter a interdisciplinariedade que marcou as últimas edições. Ele rebate também a 'crítica' (ouvi bastante esse comentário) de que faltou um 'grande nome'. Concordo totalmente: o bacana da escalação de 2008 é justamente a qualidade média das mesas.
"É preciso lembrar que esse culto aos 'grandes nomes' embute o risco de fetichismo. Não me agradava a idéia de ficar obcecado por autores de extrema celebridade, mas que já tenham deixado de produzir há tempos o melhor de seu trabalho, apenas para atender a essa expectativa", afirma o curador. Quando indagado sobre a qual mesa mais quer assistir, Flávio espirituosamente responde como programador, e não como leitor, esquivando-se da dividida: "No domingo à noite, à mesa do bar de Paraty em que o chope estiver mais gelado".
Leia a íntegra da enrevista aqui.
Fico sabendo, através do ótimo blog do amigo e professor Luis Antônio Simas, que hoje se completam exatos 20 anos da morte de Aracy de Almeida. Para quem, como eu e tantos da minha geração, conheceu Aracy na figura caricata da jurada do Show de Calouros, de Sílvio Santos, fazer o percurso temporal contrário e reencontrá-la na jovem cantora de voz rascante e tristonha foi um susto e, ao mesmo tempo, uma imensa alegria.
Um susto, porque parecia haver um fosso entre a jurada mal-humorada ("Vou dar dez mangos!") e a intérprete delicada, que gravou Noel Rosa (sobretudo), Antonio Maria e Assis Valente, entre outros bambas. Uma alegria, pela descoberta de uma artista de registro singular, bonito toda vida, e dotada de uma cadência tão precisa que viria a lhe conferir a alcunha de "o Samba em Pessoa".
Ao som de Três apitos, fica aqui a homenagem do Pentimento.
Quando o Flávio Carneiro me disse que teria uma coluna sobre futebol no Rascunho - jornal voltado exclusivamente a assuntos literários -, confesso ter estranhado. Parecia-me que, malgrado a relevância do velho esporte bretão, tal tema ficaria um tanto deslocado em meio a resenhas de livros e entrevistas com autores.
Engano meu. A coluna, hoje uma das seções mais divertidas do Rascunho, está perfeitamente integrada à publicação. E, na edição deste mês, é um dos pontos mais altos do jornal. Em seu texto, Flávio trata de desfazer a impressão de que escritores são bichos estranhos que passam todas as horas do dia lendo e criando textos, ou exercitando um de seus esportes favoritos: falar mal dos pares.
O colunista - ele próprio torcedor fanático (do Botafogo) - joga luz sobre a relação (normalíssima, muito em razão de sua esquisitice) que os escritores brasileiros mantêm com seus times de coração. Entre os depoimentos colhidos informalmente, estão os de Raimundo Carrero (Sport), José Castello (Fluminense), André de Leones (Goiás), Ivana Arruda Leite (Corínthians) e Milton Hatoum (Flamengo). Peladeiro e freqüentador contumaz do Maracanã, também dei lá meu pitaco.
Publico, abaixo, o início do texto, que pode ser lido na íntegra aqui.
"Torcedores"
Flávio Carneiro
"Certa vez escrevi, num breve ensaio sobre o conto A cartomante, de Machado de Assis, que há pelo menos três tipos de leitor: o que nega, o que afirma e o que desconfia.
Talvez se possa dizer o mesmo do torcedor de futebol. O tipo que nega normalmente aparece quando se trata de torcer pela seleção brasileira. Sim, porque para muitos torcedores há uma diferença abismal entre torcer para um clube e torcer pelo Brasil. Quando se trata do seu clube, há torcedores que vibram até com cobrança de tiro-de-meta. Se, no entanto, diante da televisão está o time de camisa amarela, a emoção só acontece mesmo quando é jogo importante, de Copa do Mundo, ou se for contra a Argentina (aí vale até amistoso). (...)"
Veja por exemplo o caso daquele torcedor que aparece numa crônica do Nelson Rodrigues. O Brasil acabara de ganhar de 5 a 1 do Paraguai e depois do jogo Nelson esbarra com o amigo lúgubre. "Mas que cara de enterro é essa?", pergunta. E o outro responde: "Estou decepcionado com o escrete!"
E Nelson conclui: "A seleção não tem saída. Se vence de cinco, se dá uma lavagem, o torcedor acha que o adversário não presta. Se empata, quem não presta somos nós. Durma-se com um barulho desses!"
Há também o torcedor que afirma sempre. Seu time pode estar uma porcaria, mas ele não admite. E torce ufanisticamente pela seleção brasileira, mesmo que seja em jogo-treino contra os juvenis do São Cristóvão. Esse é incapaz de autocrítica, pelo menos em público. Pode ser que num domingo à noite, a sós com o travesseiro, ele grite um palavrão contido a ferro e fogo durante o dia e mande seu time inteiro para o inferno! Mas com os amigos, na conversa de segunda-feira, ele volta ao normal (...)"
Do blog do Juarez Becoza:
"Encontro em livraria debaterá botequim
Caro leitor:
Na próxima quarta-feira, dia 25, dois dos maiores expoentes da luta pela preservação da verdadeira cultura botequeira carioca debaterão o assunto num outro tipo de templo em extinção aqui no Rio: a Livraria Leonardo da Vinci, no centro da cidade.
O compositor Moacyr Luz, de talento indiscutível e boemia inveterada, autor do 'Manual de Sobrevivência nos Botequins Mais Vagabundos', e o jornalista Paulo Thiago de Mello, idealizador do Guia Rio Botequim e pioneiro no estudo do assunto como tema acadêmico, sentarão na mesa para discutir uma das polêmicas mais preocupantes hoje em dia para quem realmente ama o verdadeiro pé-sujo: a proliferação de franquias de pseudo-botequins. Pra quem gosta de azulejo, São Jorge e empada servida dentro do balcão, uma debate imperdível.
O evento faz parte do projeto Encontros no Subsolo, que promove debates mensais na livraria, sob curadoria do jornalista imperiano Marcelo Moutinho.
"Botequins cariocas: identidade na era da franquia": Debate com Moacyr Luz e Paulo Thiago de Mello. Quarta-feira, dia 25, às 18h30, na galeria da Livraria Leonardo da Vinci - Av.Rio Branco, 185, Centro"
"Para quem teve vontade de comprar uma casa antiga só para que não seja derrubada, recomendo King Kong e as cervejas, primeira novela do poeta paulista Fabrício Corsaletti, lançamento da Companhia das Letras. A obra faz exatamente isso: protege as lembranças da infância e adolescência da extinção. Livro sensorial, em que captura o nada a fazer e o tudo a desejar de um jovem numa cidadezinha do interior de São Paulo. Personagens sem grandes ambições e ainda assim decisivos. A partir da narração em primeira pessoa de um vestibulando, retratos bem pintados do pai, da mãe, dos avós, dos colegas, das paixões platônicas, das festas de carnaval, do churrasco de madrugada. Uma prosa memorialística, que emociona pela honestidade das evocações".
* Poeta e cronista. Autor, entre outros, dos livros 'As solas do sol', 'Um terno de pássaros ao sul', 'Biografia de uma árvore', 'Caixa de sapatos', 'Cinco Marias', 'Como no céu / Livro de visitas', 'O amor esquece de começar' e 'Meu filho, minha filha'
Tenho aproveitado a valorização do Real para conhecer melhor a América do Sul. Em 2006, voltei ao Chile e à Argentina, onde já havia estado em 1997. Na semana passada, fui ao Uruguai, numa viagem que novamente incluiu a capital argentina e da qual trago muitas impressões. Os tópicos deste e do próximo post tentarão sintetizá-las.
Uruguaios – O orgulho de ser uruguaio é uma marca muito evidente - e chega a comover. Espremidos entre duas nações maiores (Brasil e Argentina), os uruguaios não se cansam em dar provas do profundo sentimento que nutrem pelo país, ressaltando coisas que, tangíveis ou não, eles têm como o seu melhor. Com generosidade e sem qualquer traço de arrogância, tentam fazer o estrangeiro entender o que move esse amor-próprio.
Um simples monumento ou um prédio cuja arquitetura não chegaria a chamar a atenção no Rio de Janeiro ou na Bahia, por exemplo, nos são apresentados como locações excepcionais – e, diante da empolgação com que se fala, terminamos por concordar. São excepcionais, sim, ainda que para eles; e como afetos são afetos em qualquer parte do mundo, nos identificamos, e passam a ser também para nós. É bonito de ver (e sentir junto) essa relação atávica com o lugar em que vivem, sem xenofobia, mas sem o irritante deslumbramento primeiro-mundista que não raro paira por aqui.
Montevidéu – Não esperava, sinceramente, encontrar uma cidade tão bonita. Margeada pelo Rio da Prata e coalhada de árvores (que no outono chegam a seu esplendor), Montevidéu mistura à natureza uma decadência elegante, com visual marcadamente europeu. Pelas ruas, os uruguaios circulam agarrados a garrafas-térmicas e pequenas cuias, nas quais tomam o mate quente para combater o frio (peguei 1,8 grau de temperatura). É o caso de pelo menos um em cada cinco passantes.
Curiosa, também, a origem do nome da cidade. Na cartografia, as terras que viriam a se tornar a capital do Uruguai eram chamadas de “Monte VI” (em algarismos romanos), e ficavam na Direção Este Oeste (DEO), de forma que houve uma conjunção desses termos.
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No Mercado Municipal, a preparação da 'parilla'
Carne – Que a carne bovina uruguaia tem uma qualidade ímpar, eu já sabia – ao menos teoricamente. Estar lá e comprovar isso na prática é ao mesmo tempo uma delícia (em sabor) e um ato de coragem (haja digestão...). Nos restaurantes, a carne é a grande protagonista – a ponto de ser escolhida separadamente dos acompanhamentos, que vêm em pouquíssima quantidade, justificando como nunca o nome.
São 3 milhões de uruguaios e 12 milhões de cabeças de gado. Dizem que o ‘segredo’ da carne é a formação do relevo uruguaio, quase todo em planície. Por não ter que subir morros, os bois teriam menos músculos, o que resultaria numa carne mais macia.
A ‘parilla’ (churrasco) funciona como um elemento socializador. É tradição receber a família e os amigos em torno da churrasqueira, para conversar e comer. “Se não há carne na mesa, não há comida”, reza um adágio local, que resume bem a relação dos uruguaios com a carne.
Mercado – Um dos bons lugares para se comer a carne uruguaia é o Mercado Municipal de Montevidéu. Entre os tantos restaurantes que funcionam no local, eu e F. escolhemos aquele que mais tinha cara de ‘pé-sujo’. Acertamos. Logo após nos sentarmos, pedimos a quem nos atendeu uma sugestão. Quando ele acenou com o contra-filé, conclui que entendia do riscado (o mignon é excelente para comer com molho, mas sabor mesmo tem o ‘contra’). Resultado: foi lá um de nossos melhores almoços: o tal contra-filé (uma ‘manteiga’ de tão macio) com batatas-fritas, ao lado da cerveja Patricia.
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Cerveja Patrícia: preferência nacional
Cervejas – Provei as três marcas mais consumidas por lá. A já citada Patrícia é leve e bastante saborosa. A Pilsen, mais encorpada, não tem muita personalidade. Já a Zillerrthal se assemelha às cervejas européias – é mais rascante. Melhor do que todas elas é a argentina Quilmes, que foi ótima companhia nos dias passados em Buenos Aires.
Futebol – A relação dos uruguaios com o futebol se parece muito com a dos brasileiros. Orgulhosíssimos de seu passado (não foram poucas as vezes em que ouvimos referências à conquista da Copa de 1950), eles acompanham com empolgação os campeonatos locais e contam com vários canais de televisão exclusivamente voltados ao assunto. Os últimos resultados dos jogos são assunto em todas as rodas, nos bares, nos pontos de ônibus.
Quando estava em Montevidéu, aconteceu a finalíssima do Torneio Clausura, entre Penarol e River Plate. Infelizmente, os ingressos já estavam esgotados, e não conseguimos assistir à partida (aliás, as entradas custam o equivalente a R$ 10).
No fim, o Peñarol foi campeão, e uma imensa festa se espalhou pelas ruas.
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No Museu, as chuteiras e a camisa 11 de Gighia
Centenário – Fiz questão de conhecer o Estádio Centenário, palco da primeira Copa do Mundo (1930). Há, em seu interior, um interessante Museu do Futebol, que reúne troféus, uniformes e imagens dos heróis do esporte uruguaio em todos os tempos.
Mas o estádio em si está bem caidinho, apesar do indisfarçável charme.
Poesia – Comprei, durante a viagem, alguns livros (de autores uruguaios, argentinos e chilenos), dos quais falarei mais detidamente no post de amanhã. Deixo, a título de aperitivo, um lindo poema do Mario Benedetti (foto), que toca com precisão no assunto do primeiro tópico deste post. Definitivamente, a América do Sul sempre me emociona.
"Mi ciudad"
Mario Benedetti
"Mi ciudad sigue siendo mi ciudad
sin embargo no puede ser la misma
muchos de mis amigos sucumbieron
o fueron destrozados por el odio
dejando um hueco atroz em la vergüenza
ahora existe algún rosal suplente
que las lágrimas riegan por rutina
hay árboles que fueran / otros son
los pajaritos buscan los que fueron
fue desde allí que los parió la luna
y los lanzó a volar a todo riesgo
mi ciudad es la misma y no lo es
el povo de sus calles hace daño
pero el cielo implorado sigue el mismo
antes mi corazón tan suburbano
palpitaba sin el aval de nadie
ahora em marcapasos los defiende
de las alarmas y los sobresaltos
hoy llueve sobre el frío / las mujeres
abren paraguas / cierran oraciones
tal vez por ellas la ciudad es otra
y el cuerpo es outro y outro es el paisaje
también es capital del desempleo
hay barrenderos com licenciaturas
taxis que los manejan ingenieros
o químicos o médicos cesantes
y sin embargo sigue siendo ésta
la ciudad de las tiernas soledades
donde busco perdones de la vida
donde encuentro la vida del perdón".
Confirmando as primeiras suspeitas, quando começaram a circular nomes como o da psicanalista Elizabeth Roudinesco e o da cineasta Lucrecia Martel, a programação da Flip 2008 é de altíssimo nível. Merece elogios o novo curador do evento, Flávio Moura, que conseguiu um interessante equilíbrio entre os convidados internacionais e o escrete brazuca. O grande problema de 2007 foi justamente a discrepância entre os dois grupos.
Destaco, no programa, algumas mesas. Como a de número 1, que reunirá Michel Laub e Adriana Lunardi, ótimos escritores, e as incógnitas da vez: Emilia Fraia e Vanessa Bárbara, que ainda não têm livros publicados. A ver.
Na mesa 2, estará a já citada Elizabeth Roudinesco, que pretende examinar as relações entre a literatura e a psicanálise a partir de autores como Shakespeare, James Joyce e Machado de Assis. O cantor e compositor Carlos Lyra, um das artífices do movimento, e o crítico Lorenzo Mammi farão, na mesa 3, um balanço dos 40 anos da bossa nova.
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Inês Pedrosa e Tom Stoppard: destaques no time gringo
Também promete bastante a mesa 4, com os jornalistas Humberto Werneck e Xico Sá. Werneck acaba de lançar uma biografia de Jaime Ovalle, poeta que circulou pela Lapa nos anos 20, e conversará com Xico sobre jornalismo e boêmia.
Na mesa 6, a retomada de um tema que andou ausente da Flip: a narrativa curta. Os contistas Modesto Carone, Ingo Schulze e Rodrigo Naves serão os debatedores do painel. Logo em seguida, na 7, um encontro interessante: o grande João Gilberto Noll com a também já mencionada Lucrecia Martel.
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Da Matta e Wisnik farão um bate-bola sobre o futebol
Outras atrações: as mesas 15 (Shakespeare, utopia e rock’n’roll), com Tom Stoppard; 16 (Os livros que não lemos), com Marcelo Coelho e Pierre Bayard; 17 (Sexo, mentiras e videotape), com Cíntia Moscovich, Inês Pedrosa e Zoë Heller; e 19, um vôo duplo do antropólogo Roberto da Matta e do ensaísta José Miguel Wisnik. Sobre o quê? O velho e bom ludopédio, assunto do qual os dois já trataram em livro.
Na mesa 14, estará o Cees Nooteboom. Ao lado dele, o marqueteiro Fernando Vallejo, que provavelmente agitará o público com suas frases milimetricamente pensadas para virar manchete no dia seguinte. Há algumas espécimes assim na literatura brasileira: muito barulho por nada. A pose de enfant terrible é tão porosa quanto a de existencialista. Não caio nessa conversinha, mas os jornais adoram.
Além disso tudo, ainda vai ter show do Luiz Melodia (que não poderei ver, por conta da finalíssima da Copa Libertadores). Espero apenas que a organização da Festa reflita o grau de qualidade dos convidados, com um sistema de venda de ingressos menos caótico do que o das edições recentes. Confira a programação completa aqui.
P.S. Este blog entra em recesso hoje. Volto no dia 16, com impressões de viagem.
"Entre outras coisas, a obra de Akira Kurosawa é uma demonstração de que o lirismo não exige o embotamento do juízo nem o culto narcísico à própria sensibilidade, mas pode ser, ele mesmo, uma forma de lucidez. Viver (1952) é um filme em que a imagem está a todo momento contaminada pelo ânimo do protagonista, mas nem por isso deixa de lançar sobre ele um olhar compassivo e perspicaz. A trama é simples: ao descobrir que só tem mais seis meses de vida, um funcionário público se desespera e tenta aproveitar ao máximo o tempo que até então desperdiçava. Conduzida por Kurosawa e pelo brilhante ator Takashi Shimura, a busca assume a forma de um questionamento comovido e poético sobre o sentido que emprestamos aos nossos atos.
* Jornalista e escritor. É repórter do suplemento Prosa & Verso (O Globo) e autor de um dos contos da antologia 'Prosas cariocas - Uma nova cartografia do Rio'
Recebi ontem, com alegria, a notícia de que o Antônio Torres vai se candidatar à vaga aberta com a morte de Zélia Gattai na Academia Brasileira de Letras. Autor de uma extensa obra - composta por 15 livros, entre romances, seletas de contos, de crônicas, e incursões pela ficção infanto-juvenil -, Torres legou à nossa literatura preciosidades como Essa terra, Um cão uivando para a lua, Um táxi para Viena D’Áustria, O cachorro e o lobo e Balada da infância perdida. Em resumo: trata-se, de fato, de um escritor - coisa cada vez mais rara na ABL.
Vale dizer que, apesar da merecida notoriedade, ele sempre demonstrou generosidade com aqueles que se iniciam na lide literária, fazendo questão de manter um diálogo franco, aberto e horizontal com os jovens autores. Sou uma prova disso: quando lancei meu Memória dos barcos, foi Torres quem assinou a orelha do livro, recomendando a leitura e subscrevendo a 'qualidade' dos contos.
Por tudo isso (e muito mais), registro desde já meu apoio à sua candidatura.
. Estou cada vez mais convencido de que, ao morar em determinado bairro, você acaba assumindo, mesmo na esfera mais pessoal, algumas de suas características. Assunto para uma futura crônica, decerto;
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Atom Egoyan: tema de mostra na UFRJ
. O Fórum de Ciência e Cultura e a Escola de Comunicação da UFRJ realizarão, a partir do dia 9, uma mostra com os filmes de Atom Egoyan. O evento incluirá a projeção de trabalhos raramente (ou nunca) exibidos por aqui, como Next of Kim e Family viewing e um debate entre a professora Fernanda Bruno e o jornalista Rodrigo Fonseca (crítico de O Globo). Os dois conversarão sobre a obra de Egoyan, diretor do belo e tristíssimo O doce amanhã, no dia 12. Leia mais informações sobre a mostra aqui.
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Moacyr e Paulo Thiago: botequins em debate
. Já definimos o assunto da próxima edição dos Encontros no Subsolo, que acontecerá no próximo dia 25. O debate será sobre o tema Botequins cariocas: identidade na era da franquia e contará com as participações do cantor e compositor Moacyr Luz e do jornalista Paulo Thiago de Mello. Os dois convidados são freqüentadores dos botecos da cidade e já escreveram sobre a matéria. Moa, em Manual de sobrevivência nos butiquins mais vagabundos; Paulo, nos primeiros números do Rio Botequim (que coordenou) e em sua dissertação de mestrado em Antropologia. Aos leitores que estiverem boiando quanto ao tema, recomendo a visita ao blog Buteco do Edu, que o Eduardo Goldenberg transformou numa verdadeira trincheira contra a descaracterização dos botequins;
. No segundo semestre, vou coordenar uma oficina de contos na Estação das Letras. As aulas serão semanais. Mais notícias em breve.