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A dica de 'Carla Rodrigues' Escrito em 29 de maio de 2008
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"Ela é magra, baixinha e, embora em Madri essa palavra possa não fazer muito sentido, espevitada. Escritora e jornalista, a espanhola Rosa Montero é uma autora que seduz pelo que diz e como diz. Irônica, dona de pontos de vista muito peculiares sobre a escrita, Rosa é uma descoberta relativamente recente para o público brasileiro. Seu primeiro livro traduzido aqui foi A louca da casa, que a Ediouro lançou na FLIP de 2004. Sucesso de público e crítica, o título ainda serve de carro-chefe para suas outras obras. É com essa marca que chega às livrarias História das mulheres, um trabalho de 1995 em que ela reúne pequenas biografias de grandes mulheres como Simone de Beauvoir, Frida Khalo, Camille Claudel e George Sand. É um trabalho jornalístico semelhante a Paixões, também já traduzido. Da autora recomenda-se ainda a ótima fábula História do rei transparente.

* Jornalista, mantém o blog do Contemporânea e é autora de 'Betinho - Sertanejo, mineiro brasileiro' (Planeta, 2007). Foto: Renata Ludwig.

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Se sobrar um tempinho… Escrito em 28 de maio de 2008
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Recomendo fortemente a leitura do artigo Se sobrar um tempinho…, publicado pelo Carlos Andreazza no site Tribuneiros. Andreazza tira mais uma máscara do senhor Arlindo Cruz com relação a seu (auto) propalado 'amor' pelo Império Serrrano (para o qual, diga-se, já compôs grandes sambas). Posto, abaixo, alguns trechos do texto. Leia a íntegra aqui.

"Em recente entrevista à TV O Dia [aqui], o Sr. Arlindo Cruz, perguntado sobre se os imperianos poderiam esperar um grande [um mega!] samba-enredo dele para 2009, saiu-se, entre críticas [justas] a enredos anti-sambísticos [de desenvolvimento musical impossível], com a seguinte pérola de descaso para com o Império Serrano - que jamais compreendeu:

“(…) vou caprichar ao máximo… Eu não sei se vou ter tempo de fazer o samba-enredo, porque, graças a deus, a minha carreira tá num momento muito mágico, tenho trabalhado bastante; mas, sem dúvida, se sobrar um tempinho, vou fazer. Mesmo que eu não vá sempre na quadra, vou deixar meus parceiros lá me representando - mas vou tentar fazer o melhor para o meu Império Serrano (…)”.

A verdade é que o Sr. Arlindo Cruz não faz samba para o Império há muito tempo, desde 2006, seja bom ou não o enredo, seja bem escrita ou não a sinopse. Não há nenhuma novidade nisso, senão que o assuma. A agenda está cheia e ele tem mesmo mais o que fazer… Tanto melhor assim, uma vez que sabemos no que dá o tempinho do grande compositor.(...)

(...) Com a mesma cara-de-pau sob a qual desfilou e com que foi à festa do título na quadra, subindo no palco e cantando - ele que só atrapalhou e jogou a escola para baixo -, agora muda de idéia sobre concorrer nas eliminatórias imperianas e pretende mesmo disputá-las, $claro$, sem no entanto ter aprendido, com humildade, que uma escola de samba que soube perder Mano Décio e Beto Sem-Braço, em tempo integral, sobrevivera a Arlindo Cruz meia-boca. (...)

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Conto na Confraria Escrito em 27 de maio de 2008
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A edição de maio/junho da revista virtual Confraria do Vento acaba de entrar no ar. O novo número traz, entre outros destaques, um ensaio (inédito em português) de Stéphane Mallarmé, artigo do escritor Pedro Sussekind sobre O filósofo Hamlet e poemas do catalão Joan Navarro.

Eu e o amigo Mariel Reis também contribuímos nessa edição. Mariel, com o conto John Fante trabalha no Esquimó; eu, com Interlúdio, cujo trecho inicial reproduzo a seguir. Confira a íntegra aqui.

Interlúdio

Marcelo Moutinho

Na mesinha de mogno, próximo à imagem de Santo Expedito, o telefone a desafiava em silêncio. Ela revezava a vista entre o aparelho e a tela da TV, onde a novela das oito lançava algum colorido na sala escurecida pelos móveis de fórmica marrom, sem no entanto dominar a atenção. Os olhos posavam ora na tela, ora no telefone e, embora indecisos, tentavam se manter firmes sobre as bolsas inchadas do rosto, como se dissessem que permanecer abertos, apesar do sono, era questão de honra.

Mantinha os pés descansados sobre uma almofada puída, ainda mais esturricada pela sujeira do chão, e apertava com as mãos a xícara de louça inglesa, que vibrava, inquieta, em contraste com o ritmo seguro da cadeira de balanço. Os movimentos para frente e para trás ninavam o nervosismo à medida que o chá preto era sorvido em goles curtos e lentos.

Na sala, apenas ela. O irmão fora dormir logo após o jornal, desejando o boa noite terno de sempre e deixando-lhe um beijo leve na face, a solidariedade que a velhice impõe entre os que nela se embrenham. Quero ver um pouco da novela, descansei à tarde, daqui a pouco também vou, uma dessas frases saiu de seus lábios naturalmente, como um bocejo, esboçando a desculpa e precedendo o até amanhã.

O telefone permanecia fixo à mesinha, numa quietude sádica, enquanto ela tentava vender a si mesma alguma tranqüilidade, abrigar-se na moldura barroca da senhora impassível e distinta que toma chá antes de se recolher. Cada vez que os comerciais davam trégua, ajeitava os óculos com a ponta dos dedos, como se ansiasse por mais nitidez, para então fitar novamente a tela da TV, mendigando um motivo qualquer que a fizesse desviar do aparelho. (...)

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Samba falado Escrito em 26 de maio de 2008
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Na edição do último sábado, o suplemento Idéias (Jornal do Brasil) publicou minha resenha sobre o livro Samba falado, que reúne crônicas musicais produzidas por Vinicius de Moraes entre as décadas de 1950 e 1970. Segue o texto, na íntegra.

O por quê do uísque, e não da cachaça

Marcelo Moutinho

A faceta de cronista talvez seja a menos célebre entre as tantas que assumiu, ao longo dos 66 anos de vida, o cantor, poeta, compositor e diplomata Vinicius de Moraes. Da crônica, Vinicius se valeu principalmente para interferir no debate sobre a cultura brasileira, sinalizando sua visão a respeito da música popular e rebatendo as críticas que se levantavam contra a então incipiente bossa nova.

Os textos compilados por Miguel Jost, Sergio Cohn e Simone Campos em Samba falado recuperam essa militância. O livro reúne 53 crônicas – quatro delas inéditas, as demais publicadas em jornais entre as décadas de 1950 e 1970 – nas quais o Poetinha perfila amigos de cancioneiro e boemia, como Jayme Ovalle, Antonio Maria, Ciro Monteiro, Tom Jobim, Baden Powell, e saúda jovens que davam seus primeiros passos, casos de Francis Hime, Edu Lobo e Marcos Valle. Além disso, fala de seu processo criativo e combate, com lhaneza mas também com vigor, as legiões puristas da nossa música.

A edição tem seus tropeços – há erros gramaticais e na grafia de alguns nomes, falta rigor à padronização de estilo. Esses descuidos, no entanto, não chegam a turvar a leitura, da qual se depreende um prosador com pleno domínio formal sobre o texto. Antonio Cândido afirmou certa vez que, em suas crônicas, Vinicius "conversa como dedilhava o violão". A metáfora é precisa: o registro do cronista-poeta "da pesada e do perdão" não abre flanco para afetações. E se singulariza na farta adjetivação e nos diminutivos que expressam o profundo carinho por aqueles que o cercavam.

Os textos carregam o mesmo despojamento que marcou a vida pessoal de Vinicius, suscitando inclusive olhares enviesados do Itamaraty. E essa postura contrária a qualquer tipo de parolagem está claramente presente em boa parte das crônicas. Em "Elizeth no Municipal", ele ataca o "esnobismo" da música erudita, evocando um dos maiores expoentes do gênero: "Quando Bach escrevia obras de gênio para serem executadas durante a missa, escrevia para o povo que freqüentava as igrejas, e não para os senhores esnobes que sabem (ou será que sabem?) o que é fuga e contraponto".

Em diapasão semelhante, prega a dissolução das fronteiras que separavam os militantes favoráveis dos opositores às mudanças trazidas pela bossa nova. Na resposta a um artigo do amigo Lúcio Rangel, datada de 1959, Vinicius confessa sua irritação "ao ver fecharem uma arte tão ‘comprometida’, tão engajada (...) com a vida, em compartimentos estanques, como vocês, os ‘puristas da música popular’ fazem com relação ao jazz e ao samba". "Mas, Deus do céu, é tudo uma música só", observa o cronista. "Ninguém tem culpa de nascer preto ou branco, nem de morar seja no morro seja em Copacabana. O que é errado é o preto do morro querer bancar Nelson Cavaquinho. Não adianta enquadrar a música porque ela não se deixa enquadrar". A tréplica de Rangel não consta de Samba falado, mas pode ser conferida em outro lançamento recente: Samba, jazz & outras notas (Agir).

No subtexto dos argumentos do Poetinha está a crença de uma ligação atávica entre a vida do artista e sua criação – como a que, aliás, claramente se deu no seu caso particular. Em "O novo samba", ele já se posicionava dessa maneira: "Não se pode pedir a um Antônio Maia, a um Luís Bonfá, a um Paulinho Soledade, a um Fernando Lobo que façam samba de morro, samba de batucada, porque se eles o fizessem estariam praticando uma contrafação", pondera, antes de oferecer a si mesmo como exemplo: "Estou tentando fazer um tipo de samba assim, embora procurando torná-lo mais afirmativo, menos lamuriento no que exprime. Mas não há como fugir. Ainda há pouco numa música em parceria com Antônio Maria, eu falava em ‘copo de uísque’. Houve quem protestasse. Mas mantive. Não sou bebedor de cachaça e sim de uísque".

Em meio às polêmicas musicais, surgem histórias deliciosas. Numa delas, narrada em "Música popular", ele confirma sua fama de eterno admirador do sexo feminino ao explicar que o fato de torcer pelo Botafogo devia-se à fidelidade ao bairro no qual morou e cujas ruas têm "adoráveis nomes de senhoras – Dona Mariana, Bambina, Tereza Guimarães...".

Em "SP não é mais o túmulo do samba", ensaia uma autocrítica ao rememorar a cena na qual cunhou a famosa frase. O caso ocorrera cinco anos antes, numa noite em que Vinicius esteve na boate Cave com "uns grã-finos paulistas, já meio ‘no óleo". Ao notar Johnny Alf ao piano, levantou-se e foi ouvir, levando uma reprimenda sobre "o mau gosto" de trocar de companhia, "ainda mais por um ‘cara’ que não tocava coisa com coisa, desafinando tudo e com aquelas harmonias erradas". O poeta respondeu atravessado e aconselhou Alf: "Meu irmãozinho, pegue sua malinha e se mande para o Rio de Janeiro, porque São Paulo é o túmulo do samba".

Em "Le monde musical de Baden", a lembrança é de um episódio vivido em Londres, na companhia do violonista. Os dois devoravam um pé-de-porco, devidamente acompanhado de uísque, quando Vinicius notou que o amigo estava "mal à vontade, como se alma não lhe coubesse no corpo". Na esticada pós-jantar ao bar do hotel, abriram mais uma garrafa do "divino centeio", e Baden enfim confessou: recebera uma proposta, "à base de uma ‘erva considerável’, para se tornar concertista. "Poeta, ele suplicou. Não deixa eu ser concertista não... Eu não quero esse troço não... Eu quero é fazer o que eu faço, misturar popular com erudito (...), compor com você, escutar o Tonzinho, essas coisas", relata o cronista, que, em seguida, serviu mais duas doses e recebeu do parceiro "um sorriso abissínio, de alívio e bem-estar". Os dois, então, chocaram seus copos e beberam à amizade.

* Jornalista e escritor

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Das Neves no Samba novo Escrito em 23 de maio de 2008
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No próximo domingo, acontecerá a segunda edição do evento Samba novo, promovido pelos amigos Cláudio Jorge, Baiano e Hugo Sukman. A idéia do projeto é permitir que alguns de nossos melhores compositores apresentem suas músicas inéditas, por intermédio de um encontro descontraído entre criadores, intérpretes e fãs.

Desta vez, os convidados serão Wilson das Neves e o violinista Leo Ortiz, e a roda contará também com as participações de Gabriel Versiani e dos poetas Sérgio Natureza e Salgado Maranhão. A cargo do Baiano e de Jorge Ferraz, o cardápio do domingo nos reserva pernil com feijão tropeiro. A furdunço está marcado para 14h, no Clube Renascença, que fica na Rua Barão de São Francisco, 54 - Andaraí.

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O Rio de Machado Escrito em 23 de maio de 2008
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Daqui a pouquinho (às 15h), o amigo Henrique Rodrigues estará no X Salão do Livro para Crianças e Jovens, que acontece no MAM, para lançar seu novo livro. Em Machado de Assis: o Rio de Janeiro de seus personagens, o HR apresenta um roteiro carioca com passagens dos personagens machadianos por ruas, praças, praias e outros cenários da cidade onde o Bruxo do Cosme Velho passou a vida inteira. Essas passagens são ilustradas com pinturas dos mais respeitados artistas do período, como Agostinho José da Mota, Gustavo Dall’Ara, Emil Bauch e Nicolau Antonio Facchinetti.

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Cartola Escrito em 23 de maio de 2008
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Não podia deixar de registrar aqui a bonita homenagem que a torcida do Flu prestou a mestre Cartola, com a confecção da bandeira acima, alusiva ao centenário do artista e grande tricolor...

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Mais uma Escrito em 22 de maio de 2008
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Jornal O Globo de hoje. Segundo clichê (para quem não sabe, é a edição que fecha mais tarde): a vitória histórica do Fluminense ganhou um texto-legenda em três colunas, embaixo, com título burocrático. E notem que o Tricolor é o único assunto do Rio de Janeiro na primeira página.

Como afirmou um bom amigo: não é apenas ridículo. É um erro. Um erro jornalístico.

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Nelson Escrito em 22 de maio de 2008
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Que falta nos faz o Nelson Rodrigues para comentar o jogo de ontem...

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A dica de 'Ana Costa' Escrito em 21 de maio de 2008
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"Fiz aqui uma lista de entretenimentos que realmente me emocionaram. Não sei se o filmes ainda estão em cartaz mas podem ser vistos em DVD. Vamos a eles: A culpa é do Fidel e A vida dos outros. Ambos com enfoque no regime político comunista. Histórias diferentes e de muita sensibilidade. Os livros: o badalado Quando Nietzsche chorou. Esse livro me levou ao próprio Nietzche e estou apaixonada por Ecce homo, no qual o autor comenta suas próprias obras. Através dessa obra derradeira, pode-se conhecer intimamente a personalidade do filósofo. A peça: não tenho ido à teatro - o que é uma falta. A última peça que pela que vi já saiu de cartaz e chama-se Salmo 91, baseada no livro Estação Carandiru, de Dráuzio Varella. A exposição: é sempre bom visitar o Museu da Língua Portuguesa em São Paulo. Saímos com a certeza de que este é o melhor país do mundo".

* Cantora e compositora. Hoje à noite, ela fará participação no show em que os amigos Marceu Vieira e Tuninho Galante apresentarão suas parcerias no Centro Cultural Carioca

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Flapress Escrito em 20 de maio de 2008
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Cerca de 80 mil ingressos vendidos - isso, diga-se, sem promoção de Leite Ninho -, o que configura desde já o maior público de um time brasileiro na atual Copa Libertadores. Mas a matéria sobre o Fluminense no patético caderno de Esportes de O Globo privilegia as notícias negativas e passa ao largo do que deveria ser central. Os coleguinhas parecem ter perdido de vez a vergonha.

Com todo o respeito, é de foder.

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Guimarães Rosa Escrito em 20 de maio de 2008
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O centenário de Guimarães Rosa será lembrado - e debatido - no curso que o escritor e crítico literário Marcelo Backes ministrará, durante o mês de junho, na Escola de Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (Emerj). As aulas acontecerão nos dias 2, 9, 16 e 23, sempre às 18h30, e abordarão essencialmente a obra do autor, focalizando seus contos, suas novelas e seus romances, sem esquecer as incursões por gêneros a crônica e da poesia.

Uma boa notícia: o curso é gratuito. As inscrições devem ser feitas até o fim deste mês. Mais informações pelos telefones 3133- 3366 e 3133-3368.

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Notícias imperianas Escrito em 19 de maio de 2008
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A boa notícia de hoje aqui no Pentimento é, na verdade, de ontem. Refiro-me à retumbante (e merecida) vitória de Humberto Soares Carneiro no pleito que apontou o corpo diretivo do glorioso GRES Império Serrano para o triênio 2008/2010.

Humberto foi reeleito com mais de 85% dos votos, e sua conquista enseja a manutenção daqueles que comandaram o desfile da verde-e-branco de Madureira na dureza do Grupo de Acesso: a grande imperiana Rachel Valença (vice-presidente de Carnaval) e seu parceiro Waltinho Honorato (diretor de Carnaval), além da trabalhadora e dedicada Comissão de Carnaval. Outro confrade querido, o Zé Luiz, estará à frente da vice-presidência administrativa.

Ao que me parece, a reeleição de Humberto, com a conseqüente garantia do grupo que tanto fez para que a escola voltasse ao Grupo Especial, é o primeiro passo para que tenhamos, em 2009, um desfile à altura da tradição do Império Serrano.

P.S. A foto acima, feliz registro que remonta à quarta-feira de cinzas do carnaval passado, reúne justamente as pessoas citadas acima: Zé Luiz, Humberto, Rachel e Waltinho. Agradeço ao tribuneiro Carlos Andreazza pela reprodução.

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Vamos, Fluzão Escrito em 16 de maio de 2008
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Passei, hoje pela manhã, em frente ao histórico estádio do Fluminense Football Club e a fila para a compra de ingressos faz vislumbrar um grande público no jogo decisivo da próxima quarta-feira, contra o São Paulo. Como todo mundo sabe, fomos derrotados na primeira partida pelo placar mínimo. Precisamos, portanto, de um 2x0 para passar às semifinais da Copa Libertadores. Um placar perfeitamente possível diante do equilíbrio entre as duas equipes e da pressão que o Maracanã pode impor.

Mas, com qualquer que seja o desfecho, esses dois jogos contra o São Paulo confirmam de forma inequívoca a recuperação do Tricolor (um parêntese: com todo o respeito, ‘o’ Tricolor é o Fluminense; os demais clubes com três cores são ‘tricolores’ no sentido lato). As sucessivas quedas para a Segunda e a Terceira divisões, a lamentável virada de mesa (*) e a montagem de times ridículos, entre tantos outros erros, arranharam a imagem do clube, causando sérios prejuízos à sua vitoriosa tradição e um grave dano emocional, que atingiu sobretudo a torcida.

E recuperar um clube com a grandeza do Fluminense, colar os muitos casos de um desmonte dessa natureza, não é tarefa nada fácil. A retomada – e aqui se deve, mesmo com os equívocos cometidos, tecer as devidas loas à Unimed – foi acontecendo aos poucos. E também aos poucos começou a frutificar. A conquista do Estadual de 2005, o vice-campeonato na Copa do Brasil do mesmo ano e o título de campeão em 2007, as boas posições no Brasileirão (nas últimas quatro edições, o Flu esteve por três vezes entre os melhores do país) e a montagem de equipes fortes ajudaram a recuperar a confiança dos torcedores, que também fizeram a sua parte.

E afirmo isso porque a torcida tem dado sucessivos shows neste ano, o que não ecoa nos jornais em razão da evidente mediocridade da imprensa esportiva, hoje totalmente de joelhos diante das exigências comerciais (com uma subserviência acrítica à maioria rubro-negra). O espetáculo mais recente ocorreu justamente na partida disputada na capital paulistana, em que os cerca de quatro mil tricolores cariocas em vários momentos se fizeram ouvir no Morumbi, mesmo contra a natural maioria de são-paulinos. Coisa de quem tem paixão. Coisa de quem voltou a acreditar em si.

Essa mesma torcida pode ser um elemento importante na semana que vem. E – repito - independentemente do resultado, de não termos um técnico, de o time ainda não ter acertado taticamente, o jogo tem um imenso valor simbólico. De modo que não há desculpa: não se pode sequer cogitar o ‘conforto’ de ver a partida em casa ou mesmo optar pela companhia dos amigos em um bar. Lugar de tricolor, na próxima quarta, é no Maracanã.

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Heitor Ferraz Escrito em 15 de maio de 2008
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"Um prédio"

"Nenhuma lembrança
- o sol batendo no prédio
na sacada alta
de alta fuligem
na pequena área
cercada de brinquedos
onde procuro meu pai,
minha mãe e meu irmão.
E tudo em volta
entramado na pedra
é silêncio e memória
fugindo pela mão".

"A velha casa"

"Havia sempre no passado
o momento de grande gargalhada.
Corríamos pela casa
como duas crianças
e sacudíamos os lençóis
com nossos corpos.
Tínhamos em comum
a admiração da lua
e um certo jeito de olhar o mundo.
E mesmo hoje no passado
em que já nos encontramos distantes
ainda corremos pela casa
desabitada.
E só."

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A dica de 'Cláudia Nina' Escrito em 14 de maio de 2008
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"Minha sugestão vai para Inquieta companhia, de Carlos Fuentes. Aqui o fantástico está representado por anjos, vampiros, bruxas e fantasmas de toda a sorte em contos que começam dentro da mais absoluta normalidade e depois perdem a lógica no meio do caminho. Os personagens transitam entre a morte e a loucura, sempre a um passo de um abismo metafísico. Em um deles, A boa companhia, por exemplo, o jovem Alejandro se dá conta de que alguma coisa mudou quando vai morar com duas tias idosas. Como não se dão bem, elas se organizam para que uma jamais veja a outra dentro de casa. Elas dizem que as pessoas de fora são todas fantasmas. Esses 'fantasmas', por sua vez, crêem que elas sejam assombrações. Alejandro só precisa descobrir em qual lado da vida ele próprio está. Talvez tenha morrido na infância e não saiba. Ou, pior, suas tias estejam tentando matá-lo. Em um outro conto, intitulado A bela adormecida, Alberta está encerrada no quarto há 30 anos. Um médico chamado doutor Jorge Caballero é chamado para examiná-la. Aparentemente, está morta. Mas, quando ele a toca, a carne da mulher se aquece, e o sangue da ex-talvez-quase-morta entra novamente em circulação. Para o médico, trata-se de uma doença neurológica rara. Para Emil Baur, marido de Alberta, ela está mesmo morta e só desperta quando tocada por outro morto. Mistérios e assombrações já rendem boas histórias. Quando bem contadas, ficam melhores ainda.

* Professora e crítica literária. Autora dos livros 'A palavra usurpada - Exílio e nomadismo na obra de Clarice Lispector' e 'Literatura nos jornais - A crítica literária dos rodapés às resenhas'

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# Mais pinceladas Escrito em 13 de maio de 2008
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. O poeta e ensaísta Antônio Cícero será atração da edição especial dos Encontros no Subsolo, que acontece amanhã, às 18h30, na Livraria Leonardo da Vinci (Av. Rio Branco, 185 - Subsolo). Cícero vai analisar as afinidades e as diferenças entre a poesia e a filosofia. A entrada é gratuita;

. O amigo Nereu Afonso da Silva avisa que o grupo Fantásticos frenéticos, integrado por palhaços que atuam em instituições psiquiátricas, acaba colocar no ar um blog voltado para o relato de suas intervenções e pesquisas. Confira aqui;

. Quem também estréia na internet é a professora e crítica literária Cláudia Nina, que dará a dica do Pentimento amanhã. Em seu recém-criado site, Cláudia disponibilza resenhas, matérias, ensaios, entrevistas e palestras que produziu ao longo da carreira, além de informações biográficas e três breves incursões pela seara ficcional. Acesse aqui;


Sérgio Rodrigues: agora no Ig

. Mais duas boas notícias sobre a literatura na rede. A primeira delas é que o blog Prosa on line, mantido pelo pessoal do suplemento Prosa & Verso (O Globo), passou a ser efetivamente atualizado, com entrevistas, posts interessantes e escritos inéditos de ficcção. A outra é que o referencial Todo prosa, do Sérgio Rodrigues, ganhou nova morada. Agora integrado ao portal do Ig, o blog volta a ter novidades diariamente.

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Flip 2008 Escrito em 12 de maio de 2008
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A portuguesa Inês Pedrosa e a argentina Lucrécia Martel

A se confirmarem os nomes que têm sido ventilados na imprensa, pelo menos quanto à escalação internacional a Flip 2008 promete superar as últimas edições. A participação de Inês Pedrosa, autora do lírico Fazes-me falta, foi anunciada hoje na coluna Gente Boa (O Globo). Ela vem se somar à cineasta Lucrécia Martel (diretora do ótimo Pântano) e à psicanalista Elizabeth Roudinesco no time gringo. Só bamba.

Já o escrete nacional - ponto fraco, com raras exceções, na escalação de 2007 - continua em segredo. Só espero que não apelem para desnecessárias repetições, nem que seja sob o 'apelo' de novos projetos.

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# Pinceladas Escrito em 12 de maio de 2008
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. Na correria da mudança (o apartamento ainda é um amontoado caótico de caixas), deixo algumas dicas para esta semana:


Ruy Castro: curso sobre a bossa nova

. Autor dos ótimos Chega de saudade -- A história e as histórias da bossa nova e A onda que se ergueu no mar -- Novos mergulhos na bossa nova, Ruy Castro inicia hoje curso sobre os 50 anos do movimento. As aulas acontecerão no Museu da República, das 19h às 21h, e o objetivo é mostrar que a bossa nova não nasceu magicamente na gravação de um disco, nem mesmo em uma boate e muito menos em um apartamento. "Tratou-se, na verdade, de um processo que pode ter começado dez anos atrás ou até mesmo antes. E que era, de certa forma, inevitável. Alguma coisa iria fatalmente acontecer à música popular brasileira naquela época -- e que seria uma 'bossa nova' do mesmo jeito, embora não talvez a bossa nova como a conhecemos, explica o autor. Mais informações aqui;


Cláudio Jorge: homenagem da Câmara

. O amigo Cláudio Jorge receberá amanhã a Medalha Pedro Ernesto, concedida pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro. A entrega da comenda - proposta pelo vereador Eliomar Coelho - acontecerá na Modern Sound (Rua Barata Ribeiro, 502-D), com show baseado no trabalho mais recente do artista, o excelente Amigo de fé. O evento está marcado para 19h, e as reservas podem ser feitas pelo telefone 2548-5005;


Registro da primeira edição do Mapa

. Na quarta, vai rolar a segunda edição do projeto Mapa. A exemplo do ano passado, quando eu e Henrique Rodrigues participamos (confira o relato aqui), o encontro entre músicos, prosadores e poetas acontecerá no palco do Cinemathèque Jam Club (Rua Voluntários da Pátria, 53 - Botafogo). Dessa vez, os convidados são o cantor e compositor Otto; o poeta Chacal e os amigos Flávio Izhaki e Paulo Thiago de Mello. O Mapa foi idealizado e é produzido por Marcello Magdaleno, ex-saxofonista da banda Canastra. O show começará às 22h30, e os ingressos custam R$ 20 (para entrar na 'lista amiga' e pagar apenas R$ 15, basta mandar e-mail para mapaprojeto@gmail.com).

. Desde sexta passada, sou oficialmente um morador de Lanarjeiras.

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A dica de ‘Arnaldo Bloch’ Escrito em 08 de maio de 2008
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“Um Woody Allen é sempre um Woody Allen. Tal tautologia já se tornou pièce de résistance dos deslocados fãs desde que Allen caiu duplamente em desgraça: primeiro, frente ao público americano (e, por conseqüência, também ao brasileiro), tendo na Europa, em especial a França, seu último reduto de admiração. Esse fenômeno virou até piada: a que fecha o filme Hollywood ending (Dirigindo no escuro), uma das comédias medianas da fase em que Allen estava sendo sustentado por Spielberg. Como se não bastasse, a crítica passou a cair em cima, sistematicamente, do trabalho contemporâneo do cineasta. Depois dessa série de produções sofríveis (mas sempre obrigatórias para quem preza sua cinematografia), em Match point, novamente independente, Allen voltou aos ápices de crítica e bilheteria. Agora (e enfim, a dica da semana, depois deste enorme nariz de cera acima), O sonho de Cassandra, em cartaz no Rio, vem confirmar não só a boa fase (existe alguma fase realmente ruim de Woody Allen?) mas o ponto de maestria a que ele chegou, sobretudo nos trabalhos em que fica por trás da câmera: para além das influências temáticas e filosóficas calcadas em literatura (no caso em questão, Dostoievsky e Shakespeare) o forte mesmo é a marca de Allen , que dirige o filme como um espetáculo de marionetes, conciliando distanciamento e profundidade dramática; estranhamento (com os ingleses...) e exatidão descritiva; símbolo e matéria; síntese e conteúdo de fundo; desprendimento e apuro estético. Um de seus melhores filmes, sem dúvida. Woody Allen é assim: ainda que um camelo possa ficar quase um ano sem beber água, há um momento em que ele terá que se fartar naquela poça, mesmo enlameada e quente. Filme de Woody Allen no cinema é sempre a água da vez numa paisagem tantas vezes desértica."

* Jornalista e escritor. Autor dos livros ‘Amanhã a loucura’, ‘Talk-show’ e ‘Fernando Sabino/Perfil’

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Crônica de um verão Escrito em 07 de maio de 2008
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Rouch, Marcelline Loridan (a entrevistadora) e Edgar Morin

Um filmaço acaba de ser lançado em DVD. Refiro-me a Crônica de um verão, de Jean Rouch e Edgar Morin. O trabalho da dupla francesa, que retrata a vida parisiense no verão de 1960, é uma aula de documentário, tendo influenciado a trajetória de bambas do gênero, como Eduardo Coutinho e João Moreira Salles.

Os diretores partem de uma idéia simples - abordar pessoas que transitam pela cidade com a pergunta "você é feliz?". A partir daí, abrem espaço para que os entrevistados exponham suas dúvidas e angústias, além de opiniões sobre o cotidiano e a política. Os mesmos entrevistados serão reunidos, na parte final do documentário, para reagir ao material filmado.

Crônica de um verão chega ao mercado pela VideoFilmes, que tem desempenhado o papel importantíssimo de trazer ao público brasileiro os maiores clássicos do documentário.

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Cícero e a vanguarda Escrito em 07 de maio de 2008
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No sábado passado, o Antônio Cícero dedicou sua coluna na Ilustrada (Folha de S. Paulo) a examinar a questão da vanguarda, concentrando-se sobretudo no campo da poesia. No excelente texto, o ensaísta salienta que o poeta moderno - ou seja, aquele que escreve num tempo posterior ao da experiência da vanguarda - "é capaz de empregar as formas que bem entender para fazer os seus poemas, mas não pode deixar de saber que elas constituem apenas algumas das formas possíveis". "Em tal situação", pondera Cícero, "não pode haver nenhum caminho a ser indicado ou aberto por alguns poucos, para ser seguido pelos outros muitos".

Perfeito. Há uma tendência em se considerar demodê, por exemplo, a forma fixa, como se não pudesse ser adequada a poema algum, quando a riqueza desses tempos pós-vanguarda deve-se justamente à extrema liberdade que é legada aos autores.

Já adiantando que Cícero será o convidado da próxima edição dos Encontros no Subsolo (quarta que vem, às 18h30, na Livraria Leonardo da Vinci), reproduzo abaixo a íntegra de seu artigo.

"O sentido da vanguarda"

Antônio Cícero

"Ninguém ignora o sentido metafórico da palavra "avant-garde", de onde vem a nossa "vanguarda". No âmbito militar em que se origina, ela designa o dispositivo avançado de um exército ou de uma frota, isto é, o destacamento que, indo à frente, indica ou abre caminho para o grosso do Exército ou da frota. Analogamente, chamam-se de "vanguarda" os artistas que, estando à frente dos demais, indicam ou abrem os caminhos que serão eventualmente tomados por estes.

Historicamente, a vanguarda não só se atribuiu o papel de indicar ou abrir caminhos, mas efetivamente o cumpriu. Por exemplo, antes da eclosão das vanguardas, as formas poéticas mais tradicionais em uso nas línguas modernas haviam sido fetichizadas. Supunha-se que o uso de métrica ou de rima ou o emprego de alguma das diversas formas fixas então catalogadas (tais quais o soneto, a balada e a sextina) fosse necessário para a produção de um bom poema. Desse modo, consideravam-se naturais determinadas formas convencionais.

Pois bem: ao produzir autênticos poemas sem o emprego dessas formas, as vanguardas mostraram, em primeiro lugar, o caráter convencional de tais formas; em segundo lugar, mostraram que a poesia ou o poético não se encontram prêt-à-porter, à disposição do poeta, nestas ou naquelas formas fixas; em terceiro lugar, mostraram que a poesia não é necessariamente incompatível com nenhuma forma determinada: que é possível inventar novas formas para ela.

Assim, ao desfetichizar as formas poéticas tradicionais, as vanguardas abriram novas possibilidades para todos os poetas. E ressalto que, apesar da retórica da "morte", da "destruição", do "fim" das formas poéticas que a vanguarda mostrou serem relativas, a verdade é que nenhuma das formas convencionais jamais deixou de existir ou de continuar a ser realizada, em maior ou menor grau. As formas existentes podem ser relativizadas, mas não morrem.

No meu artigo anterior, observei que, no seu "Plano-Piloto", a poesia concreta errara ao dar por encerrado o ciclo do verso. Por outro lado, o "Plano-Piloto" também afirmava que "a poesia concreta começa por tomar conhecimento do espaço gráfico como agente estrutural. Espaço qualificado: estrutura espaço-temporal, em vez de desenvolvimento meramente temporístico-linear".

Pois bem, ao efetivamente criar poemas de estrutura não-discursiva, espaço-temporal, a poesia concreta eliminou a possibilidade de qualquer fetichismo residual em relação a qualquer forma convencional da poesia. Trata-se, sem dúvida, de um feito eminentemente vanguardista, pois todos os poetas são afetados tanto pelas possibilidades que ele abre quanto pela conseqüente relativização de todas as formas tradicionais de poesia.

Entretanto, é preciso reconhecer que esse foi o derradeiro feito da vanguarda no campo da poesia. Com isso, não quero dizer, de maneira nenhuma, que deixe de existir a poesia experimental. Ao contrário: o feito vanguardista consistiu exatamente na abertura ilimitada de possibilidades experimentais. Acontece porém que, quando todas as experiências são possíveis e nenhuma possibilidade já experimentada está morta, cada qual está livre para seguir o seu próprio e singular caminho.

Que diríamos de um poeta ou crítico que hoje decretasse serem poemas só os experimentos vídeo-áudio-verbais? Ou só aquilo que fosse composto em versos metrificados e rimados? Ou, ao contrário, só aquilo que fosse escrito em versos livres? Sabemos hoje que, por princípio, não se pode em são juízo decretar o que é admissível e o que é inadmissível num poema; nem estabelecer critérios a priori pelos quais todos os poemas devam ser julgados.

O poeta moderno - e moderno aqui quer dizer "que vive depois que a experiência da vanguarda se cumpriu"- é capaz de empregar as formas que bem entender para fazer os seus poemas, mas não pode deixar de saber que elas constituem apenas algumas das formas possíveis; e o crítico deve reconhecer esse fato. Em tal situação, não pode haver nenhum caminho a ser indicado ou aberto por alguns poucos, para ser seguido pelos outros muitos. Não há mais vanguarda.

Nesse sentido, não há como não concordar com Haroldo de Campos quando, em seu ensaio "Poesia e Modernidade: Da Morte do Verso à Constelação. O Poema Pós-Utópico", afirma que "ao projeto totalizador da vanguarda, que, no limite, só a utopia redentora pode sustentar, sucede a pluralização das poéticas possíveis"."

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Luiza Dionízio Escrito em 06 de maio de 2008
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Cantora de voz singular e registros à flor da pele, a imperiana de fé Luiza Dionízio acaba de colocar no ar o seu site. A página traz a biografia e fotos da artista, além de clipping e da agenda de shows. Ainda sem a atenção merecida por parte dos cadernos de cultura, Luiza brilha quinzenalmente (aos sábados) no palco do Carioca da Gema e, como me confidenciou dia desses outro grande imperiano, o Délcio Carvalho, prepara-se para lançar seu primeiro disco.

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# Caixas de papelão Escrito em 05 de maio de 2008
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As caixas amontoadas tomam todo o apartamento: nossas coisas.

Após o fim-de-semana extenuante de separa, embala, fecha, não há quase mais nada nas estantes - que me olham, cabisbaixas, exprimindo o desamparo de sua súbita prescindibilidade. Retribuo o olhar.

Uma sala cheia de caixas de papelão só não é mais triste do que uma sala vazia. E toda mudança tem um sabor agridoce: se a perspectiva do novo vibra à frente, como uma pista de asfalto fritando no calor, a gente adivinha uma saudade que ainda não chegou.

O garçom do bar que fica no fim da rua, o atendente da livraria-café, o jornaleiro que torce para o Botafogo, o café-da-manhã na sorveteria, o almoço no restaurante a quilo. A vizinha loura que desce, de elevador, sempre com duas borrifadas a mais de perfume. O crepe de frango ao curry, pedido por telefone. O chato que reclama do barulho. O toque estridente da campainha. O porteiro que lê, na encolha, o jornal dos moradores que ainda dormem. O começo da vida a dois.

Ao ver as caixas de papelão, sinto que tudo isso de uma hora para outra deixará de ser familiar, dando lugar a registros outros. Eu e minha dificuldade em deixar as coisas, pessoas. Eu e minha facilidade em construir cotidianos, hábitos. Eu, cindido, flutuando no vácuo entre o que foi e o que virá, nesse limbo estranho e furta-cor.

Durante a arrumação, aquela quantidade absurda de objetos à minha frente afligia. Livros sobre Cuba, sobre a formação do PT. Estudos sobre assuntos que possivelmente nunca mais me interessarão. Cadernetas do Colégio Nossa Senhora da Piedade, óculos e relógios velhos, já fora de moda, trabalhos da faculdade, mágicas da época em que fazia truques para impressionar.

Eu e minha dificuldade em jogar coisas fora.

Diante daquele aglomerado, só pensava ‘mas para que, meu Deus, para quê?’ Qual o objetivo de apinhar os armários com badulaques sem serventia, que só voltarei a visitar numa nova mudança, quando será mais uma vez necessário acondicioná-los para o devido transporte?

Pensava nisso e seguia colocando-os nas caixas de papelão, com todo o esmero. Às vezes, comentava com a F.: ‘caramba, essa calculadora do Mickey eu ganhei quando era muito pequeno mesmo’, ‘nem lembrava que ainda tinha esse livro’. Às vezes, exclamava: ‘meu boletim da sétima série!’; ‘tem uma nota vermelha em Moral e Cívica’, e ria.

À medida que os depositava, aqueles objetos, em sua aparente inutilidade, me recontavam a minha própria história. Fatos que o tempo fez perder o verniz voltaram a cintilar, rostos já esmaecidos tiveram seus contornos refeitos, com impressionante precisão.

Então percebi que, juntas, aquelas coisas que mantenho por esses anos todos constituem uma insólita engrenagem. Uma espécie de máquina da lembrança que está sempre à mão, sempre disposta a ser acionada, sem ficha alguma, para instantaneamente reerguer mundos de dor, contentamento, algaravia e silêncio - e impedir que eu esqueça de mim mesmo.

Talvez por isso eu as guarde.

* Foto de Mariana Newlands

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Aldir e João, por Zaidan Escrito em 05 de maio de 2008
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Meu parceiro de canções Rodrigo Zaidan lança hoje, na Modern Sound, um cd totalmente dedicado à obra da dupla João Bosco e Aldir Blanc. O disco traz pérolas como O ronco da cuíca, Dois pra lá, dois pra cá e O bêbado e a equilibrista e chega ao mercado pelo selo da Universidade Estácio de Sá.

O evento marcará também o lançamento de cds de dois outros pianistas (dedicados, respectivamente, às músicas de Edu Lobo e a trilhas de cinema). O show está marcado para 19h e contará com a participação especialíssima de outro amigo querido, a quem não vejo há tempos: o Anselmo Mazzoni. Estarei lá.

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Um título merecido Escrito em 04 de maio de 2008
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"Mesmo com a torcida contrária dos milhares de rubro-negros presentes ao Maracanã, o Fluminense terminou com a hegemonia do Flamengo de três anos seguidos com títulos e se sagrou campeão carioca de juniores neste domingo. O Tricolor arrancou um empate em 2 a 2, após estar perdendo por 2 a 0, com um jogador a menos. O resultado bastava para o time das Laranjeiras, que venceu a primeira partida por 3 a 2. Pedro Beda, aos 12 minutos do primeiro tempo, e Guilherme Camacho, aos três do segundo tempo, fizeram pelo Fla. Do lado do Flu, Mateus, aos 23 minutos do segundo tempo e Alan, aos 37, marcaram".

* Do LancenetPress

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Uma pergunta no ar Escrito em 02 de maio de 2008
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É praticamente certo que, diante do embróglio do rubro-negro Ronaldo com três travestis, a torcida do Botafogo leve ao Maracanã uma série de novos cantos para gozar (opa!) o fato na finalíssima de domingo. Há, porém, uma dúvida que permanece no ar: será que o Galvão Bueno também vai recorrer aos arranjos orquestrais para embalar essas recentíssimas composições?

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Na TV Senado Escrito em 02 de maio de 2008
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Complementando o post abaixo: minha entrevista ao Leituras (TV Senado), gravada recentemente lá em casa, será reprisada amanhã (sábado, 9h30 e 20h) e domingo (8h e 20h30). Segue o release do programa:

"O senso comum, incentivado pela imprensa e a literatura, enxerga o Rio de Janeiro como o espaço da violência e do caos. Remando contra a maré o contista Marcelo Moutinho aponta para outra parte da cidade e conta histórias cercadas de lirismo e otimismo. Em seu mais recente livro, Somos todos iguais nesta noite, lançado pela Rocco, chega mesmo a resgatar o clima intimista dos anos 50. Sobre este Rio, hoje inusitado, Moutinho conversa com o jornalista Maurício Melo Júnior no programa Leituras, da TV Senado, desta semana.

Seria injusto e limitador enxerga ingenuidade no texto de Marcelo Moutinho. Conhecedor meticuloso do universo carioca, o escritor sabe encontrar novos caminhos entre a banalidade corrente. Se é fácil falar de violência e miséria, ele prefere o caminho mais duro de buscar o mundo mais íntimo de seus personagens. Com isso faz de sua literatura o exercício da novidade e da renovação.

Marcelo Moutinho é carioca de Madureira. Jornalista, escreve resenhas literárias para os cadernos Prosa e Verso (O Globo) e Idéias (Jornal do Brasil). Estreou com o volume de contos Memória dos barcos (2001). Participa de várias antologias. Somos todos iguais nesta noite é seu segundo livro publicado".

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# Pinceladas Escrito em 02 de maio de 2008
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. Fiquei sabendo, pela leitora Tetê Bezerra (obrigado pelo comentário!), que a entrevista que concedi ao Leituras, da Tv Senado, foi ao ar ontem. Já mandei um email do apresentador do programa, o gente boa Maurício Melo Júnior, perguntando se haverá reprises para que eu possa avisar aqui;


'Chega de saudade' e 'Estômago': duas grande pedidas em cartaz

. Embora com algum atraso, queria indicar dos filmes brasileiros que estão em cartaz: o comovente Chega de saudade, de Laís Bodanzky, que lança um olhar sensível para os freqüentadores dos clubes de dança de salão, pessoas já no outono da vida; e o criativo Estômago, promissor trabalho de estréia em longas do diretor Marcos Jorge;


Nilze: show gratuito em Santa Teresa

. Ótimo programa para o domingo que se aproxima é o show da amiga Nilze Carvalho no Parque das Ruínas, em Santa Teresa. Não só pela altíssima qualidade da cantora, mas também pela beleza do lugar. Além de tudo, a entrada é gratuita. A apresentação está marcada para 18h;

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