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Um extraordinário cantor Escrito em 14 de abril de 2008
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Que extraordinário cantor é o Marcos Sacramento! Na sexta passada, fui conferir seu show em dueto com o violonista Luiz Flávio Alcofra e saí da Sala Cecília Meirelles realmente impressionado. A experiência de vê-lo cantar ao vivo ressalta qualidades que nos discos não estão tão claras: seu belíssimo timbre, a força na interpretação (traço raro, hoje), a presença de palco (o cara parece ter óleo nas juntas), a perfeita afinação, as variações precisas nas inflexões vocais. Tudo isso a serviço do repertório de ótimo gosto: algumas das melhores valsas e serestas do nosso cancioneiro.

Destacaria, entre os melhores momentos do espetáculo, Horas iguais (José Maria de Abreu/Francisco Matoso), Por causa dessa cabocla (Ary Barroso), Número um (Benedito Lacerda/Mário Lago), Lábios que beijei (J.Cascata/Leonel Azevedo) - e, em meio a tantos pontos altos, um ponto altíssimo: Súplica.

Sacramento parecia sentir, no palco, a dor dos lancinantes versos de Cândido das Neves e Pixinguinha ("Aço frio de um punhal / foi seu adeus pra mim..."), num registro superior inclusive ao (também muito bom) de Maria Bethânia. Não sei se o show chegou a ser gravado. Se o foi, deve virar CD - e logo.

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