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A cor do nosso coração Escrito em 09 de abril de 2008
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Foi com sofrimento que assisti, no sábado, ao jogo que redundou na queda do querido América para a Segunda Divisão do futebol do Rio. A queda teve requinte de crueldade: faltando dois minutos para acabar a partida, foi anunciado um gol do Duque de Caxias contra Mesquita, o que garantiria a manutenção do alvirrubro na Primeirona. A vibração da torcida americana – e minha - durou pouquíssimo tempo. Logo se soube que o tento fora, sim, do Mesquita, e, ao invés de evitar, sacramentava o descenso.

Escrevi ‘futebol do Rio’ no parágrafo acima porque já não como se falar em ‘futebol carioca’, visto que os clubes pequenos e médios da capital vêm sofrendo um criminoso esvaziamento (assim como a cidade?). O rebaixamento do América deve-se, em parte*, a esse processo. Já estão na Segundona outras agremiações tradicionais como o Bangu, o Olaria, o São Cristóvão e o Campo Grande, que dispensavam um charme singular ao nosso campeonato e hoje parecem sem força (financeira, principalmente) para o ansiado retorno.

A ascensão, hoje, está infelizmente limitada ao interior do Estado. Vitaminadas pelos patrocínios das prefeituras, que vêem nas camisas um outdoor de grande visibilidade, as equipes dos municípios passaram a ter poder de fogo, ao menos se comparadas aos desamparados clubes da capital. A exceção é o Madureira, que conta com os recursos de alguns imóveis localizados no bairro. Exceção que, como reza o ditado, confirma a regra.

Não sei sinceramente o que precisa ser feito para mudar esse quadro. Mas tenho a certeza de que o América, a exemplo dos demais clubes já mencionados, vai fazer muita falta no ano que vem.

* Não há como deixar de mencionar algumas más-administrações, que dilapidaram o patrimônio do clube. Também – e sobretudo - a grande sacanagem que vitimou o América na época da fundação do Clube dos 13. Para quem não acompanha futebol: terceiro colocado no Campeonato Brasileiro do ano anterior (1986), o alvirubro foi obrigado a disputar o chamado Módulo Amarelo, que correspondia à Segunda Divisão. Por resistir à flagrante injustiça, pagou naquele ano e paga até hoje.

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