
Corria o ano de 2003, quando, num fim-de-semana, a Rosana Lobo me chamou para um aniversário no Plebeu. Além de tomar umas Bohemias geladas, ela queria me apresentar um amigo. “Ele é jornalista e adora literatura”, disse a Rô. “Acho que vocês vão se identificar”.
Foi assim que conheci o Flávio Izhaki – e o tempo mostrou que a Rô tinha razão. Desde então, nossa amizade só se intensificou. Não só pelo fato de tanto eu, quanto ele gostarmos de literatura (e logo descobriríamos outra paixão em comum: o futebol). Mas – e sobretudo – pela sinceridade e generosidade que o Flávio sempre revelou em cada um dos seus atos. Algo raro, muito raro, nesses tempos rasos.
Nesses cinco anos de convivência, eu e Flávio trabalhamos juntos, como jornalistas e como organizadores da antologia Prosas cariocas. Bebemos litros e litros de cerveja. Debatemos da escalação do Flamengo aos rumos do mercado editorial. Trocamos textos, impressões, alegrias e dores. E, pouco a pouco, aprendi a admirá-lo para muito além do escritor em gestação.
Por isso, quando ele me pediu que assinasse a orelha de seu romance de estréia, fui tomado por um misto de alegria e tensão. Alegria porque o Flávio poderia ter escolhido um escritor mais renomado, entre os tantos que conhece, mas preferiu se ater a quesitos outros. Alegria também pelo fato – e repeti isso aqui muitas vezes – de se tratar de um ótimo prosador, cujo talento se expressa no texto, não no comportamento.
Já a tensão se devia à responsabilidade em que me vi investido. Queria escrever algo à altura do livro e da amizade que eu e Flávio desenvolvemos desde aquele posaico dia em 2003. Após algumas semanas de nervoso e teclas 'delete', acho que consegui ao menos chegar perto do objetivo inicial (leia a íntegra no post abaixo).
Bom, tudo isso é um intróito convocatório para o evento de amanhã. A partir das 20h, o Flávio estará na Livraria Argumento, lançando o tão esperado De cabeça baixa. Espero encontrá-los por lá!
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