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Justiça Escrito em 14 de março de 2008
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(Matéria coordenada à de cima)

Filme anterior da diretora, já disponível em DVD, também retratava o Poder Judiciário

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Lançado nos cinemas em 2004 e já disponível em DVD, o trabalho anterior de Maria Augusta Ramos também retratava o Judiciário. A grafia do título do filme - com inusuais minúsculas - já indica que, mais do que um Poder do Estado, justiça tratou do conceito em sua acepção mais genérica. O documentário constata o abissal contraste entre dois extremos que idealmente deveriam estar atrelados - os ritos e a retórica dos agentes do Judiciário e o cotidiano da realidade com a qual lidam.

Antes de iniciar as filmagens, Maria Augusta passou dois meses entrevistando possíveis personagens e conhecendo o cotidiano do Fórum Central. Assim como em Juízo, não há entrevistas diretas, narração em off, trilha sonora ou qualquer elemento que possa interferir no que é mostrado. Isto embora a edição em vários momentos marque oposições, como acontece na seqüência que salta do plano das paredes marmorizadas do Palácio da Justiça para as celas superlotadas da Casa de Custódia da Polinter.

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Os contrastes estendem-se aos diálogos entre juízes e réus. O palavrório tecnicista da legislação, por vezes contornado pela paciência e o esmero de magistrados como Geraldo Prado, soa ininteligível para os acusados, cujas manifestações - titubeantes, hesitantes, descoordenadas - são o retrato bem delineado da falência de nosso sistema educacional. O filme alimenta-se também daquilo que se passa no interior da esfera protetora dos rituais e da linguagem: o microcosmo da sala de audiência, o encontro entre defensora e réu, o relato que só é pronunciado fora do espaço oficial e, sobretudo, a dura exposição de que todos aqueles expedientes teóricos capazes de suscitar estudos e debates, em geral revestidos de bons propósitos, parecem não ter a devida efetividade prática.

São pontas cuja distância o documentário expõe. De um lado, pequenezas, fraudes miúdas, cotidianas e tão nossas, como a desalentadora constatação de que Carlos Eduardo, jovem réu detido ao guiar um carro roubado, não pode comprovar que trabalha porque o patrão não assinou sua carteira. De outro, a letra (morta?) da lei levada a ferro e fogo, traduzida numa seqüência emblemática: o juiz interroga o acusado de roubo seguido de fuga, sem sequer notar que o rapaz é deficiente físico e não teria condições de pular um muro, como descrito nos autos.

justiça passeia também por questões como o falido sistema carcerário, a presença incômoda das facções criminosas, a corrupção policial e o papel algo oportunista dos setores evangélicos em busca de 'rebanho' nas prisões .

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