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A polêmica das células-tronco Escrito em 31 de março de 2008
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A edição de abril da Tribuna do Advogado circula com a entrevista que fiz com a advogada Heloísa Helena Barboza, uma das mais respeitadas especialistas em bioética e biodireito do país, sobre o polêmico julgamento do STF a respeito da pesquisa com células-tronco embrionárias. Como o assunto transcende o interesse meramente jurídico, reproduzo o texto a seguir.

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'O debate sobre células-tronco embrionárias não pode ficar limitado à visão religiosa'

Marcelo Moutinho

A radical mudança do olhar diante de questões como a reprodução assistida, a constituição da família e a disposição sobre o corpo vem impondo um imenso desafio aos tribunais. Exemplo disso foi o recente julgamento no qual o Supremo começou a apreciar a ação de inconstitucionalidade contra dispositivos da Lei no 11.105/05, que regula a pesquisa com células-tronco embrionárias. A matéria dividiu os ministros do STF e repercutiu fortemente na sociedade, ecoando uma discussão de fundo em torno da laicidade do Estado. Especialista em bioética e biodireito, Heloísa Helena Barboza entende que a controvérsia é natural, pois a retirada das células-tronco significa a morte na avaliação daqueles que julgam a vida iniciada já na forma embrionária. "O ponto é de profunda indagação ético-jurídica, mas certamente tem resposta, que precisa ser fundamentada em sólidos preceitos do bioética laica", defende ela. Professora da Uerj e autora de artigos sobre o tema, Heloísa ressalva que as opiniões religiosas devem ser ouvidas, "mas não podem ser as únicas a orientar o debate em uma sociedade pluralista como a nossa". Na entrevista que segue, ela comenta o assunto e analisa a relação do Direito com os avanços científicos.

A apreciação, pelo STF, da lei que autoriza pesquisas com células-tronco embrionárias causou polêmica, com divergências entre os próprios ministros. O que a senhora pensa sobre a questão?
Heloísa: Alguns pontos devem ser firmados sobre a lei. Não se trata de qualquer embrião, mas de embriões congelados. Dentre estes, há embriões inviáveis, ou seja, com alterações genéticas comprovadas e que tiveram seu desenvolvimento interrompido ou comprometido. Ninguém será obrigado a doar 'seus' embriões para pesquisa - a decisão é dos 'pais', que podem negar a indispensável autorização. Não está estabelecido legalmente no Brasil o destino desses embriões, que podem ser simplesmente descartados, ou seja, jogados fora (há apenas a regulamentação do Conselho Federal de Medicina, de efeito limitado). A questão envolve o direito à vida, mas também - e sobretudo - o princípio da dignidade humana, fundamento do Estado Democrático de Direito, além do direito fundamental à saúde. Delimitado o campo do debate, penso que a polêmica é natural, na medida em que a retirada da células-tronco do embrião provoca sua destruição (morte para os que entendem já iniciada a vida de uma pessoa). A questão é de profunda indagação ético-jurídica, mas certamente tem resposta, que deve ser fundamentada em sólidos preceitos da bioética laica. As opiniões religiosas, de todo respeitáveis e que devem ser ouvidas, não podem ser as únicas a orientar o debate em uma sociedade pluralista como a nossa.

O debate, então, envolve essencialmente a visão jurídica sobre o início da vida?
Heloísa: Não se trata de decidir quando a vida começa, mas de ponderar - no caso - os princípios constitucionais que estão em aparente colisão. A questão é complexa e conduz, necessariamente, a outras indagações. O descarte de embriões, ou mesmo a sua permanência indefinida em estado de congelamento, não fere, tanto ou mais que a pesquisa/terapia, a dignidade humana? O direito à vida das pessoas que podem se beneficiar da terapia/pesquisa não está sendo igualmente (ou mais) atingido? Não têm as pessoas doentes igualmente proteção constitucional da dignidade e do direito à vida? O embrião inviável também deve ser incluído no debate? A resposta a essas perguntas não pode ser preterida na ponderação dos direitos envolvidos.

A chegada de tal questão ao STF parece apenas confirmar uma tendência: a Justiça é cada vez mais convocada a decidir sobre temas que, embora já inseridos no pensamento do corpo social, ainda não foram contemplados na legislação. O Direito estará sempre em dívida com os avanços científicos? Como acompanhar essas mudanças de pensamento?
Heloísa: Deve ser promovido pelos órgãos competentes - e a OAB é um deles - o debate das questões em todos os níveis (acadêmico, profissional, judicial) para - só então - se legislar, quando necessário. Desse modo, será possível tentar acompanhar as 'mudanças de pensamento' decorrentes dos céleres avanços científicos. É indispensável, sobretudo, que haja informação, esclarecimento, sobre os fatos da ciência para o mundo jurídico. A saúde, como um todo, é pouco conhecida pelo Direito. O Direito não pode nem deve andar na mesma velocidade da ciência, pois não só temos que aguardar muitas vezes os reais resultados das pesquisas, como também é preciso amadurecer as soluções. Há uma 'dívida' atualmente, mas não podemos dizer que ela existirá 'sempre'.

Como a senhora avalia os posicionamentos da Justiça brasileira em torno dos novos paradigmas sociais a respeito de temas como a disposição sobre o corpo, a constituição da família e a fertilização? Há avanços ou não?
Heloísa: O posicionamento dos tribunais brasileiros nessas matérias me parece instável, ou seja, temos decisões avançadas, que atendem aos reclamos sociais atuais, e outras mais conservadoras, que mantêm entendimentos não mais justificados, muitas vezes por razões religiosas, o que parece natural, para o momento atual no Brasil. Acredito, porém, que os avanços serão cada vez maiores, visto que nossos tribunais sempre foram bastante sensíveis aos problemas sociais.

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O site do Molica Escrito em 31 de março de 2008
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O amigo Fernando Molica acaba de estrear sua página pessoal na internet. O espaço, produzido pelo Gabriel Lupi (o mesmo deste site), traz informações sobre os livros do escritor e jornalista, a reprodução de alguns de seus artigos e matérias, além de uma pequena biografia e do blog Pontos de partida, título que dialoga com o de seu novo trabalho na seara da ficção (O ponto de partida), com lançamento marcado para o dia 16 de abril.

No site, o internauta pode também conferir a bela capa do livro (reprodução acima), desenhada pela talentosa Mariana Newlands, e ler trechos do romance, norteado pelas canções de Nelson Cavaquinho. A história, aliás, é aberta por versos de dois sambas: Rugas (de Nelson e Guilherme de Brito) e Pra que pedir perdão? (Moacyr Luz e Aldir Blanc). Promissor, não?

Acesse a página aqui.

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Duas rápidas Escrito em 28 de março de 2008
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. O amigo Rodrigo Faour anuncia o curso que ministrará no Pólo de Pensamento Contemporâneo (POP), com base em seu livro História sexual da MPB. Serão quatro encontros de duas horas, versando respectivamente sobre A dor-de-cotovelo na MPB, A mulher na MPB, A sensualidade e o erotismo na MPB, e Os gays e as transgressões na MPB. As aulas acontecerão às quintas-feiras, das 19h30 às 21h30, e contarão com o apoio de gravações e vídeos. Mais informações no site do POP.

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. Outro amigo, o Tuninho Galante, agora mantém um blog, no qual trata sobretudo de música. Nos posts mais recentes, o parceiro do Marceu fala sobre Loureiro, "o mago dos estúdios", e o disco da Clarice Magalhães, que está para chegar no mercado. Além disso, comenta os bastidores de uma entrevista que ele fez com Monarco e Gisa Nogueira há 30 anos. O blog, que pode ser conferido aqui, entra hoje para a lista dos links indicados no Pentimento.

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Poema # 3 Escrito em 27 de março de 2008
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Avenida Almirante Gonçalves

Marcelo Moutinho

Eram dez e quinze
Fazia calor
Na Avenida Almirante Gonçalves

Na conta, um pão na chapa
Mais a média de café
E os fósforos
(“Pode ficar com o troco, seu Zé”)

Como uma lâmina gelada
O álcool escorreu:
Cabelos
Pescoço
Barriga
Pernas
Chão

Os pêlos
- soldados em fila -
Armaram-se no frescor do banho
As nervuras
- saudosas da placenta -
Dobraram-se ao afago do líquido viscoso
A camisa
- franzida e úmida –
Hesitava entre a transparência e o fulgor

Então o palito rangendo contra a lateral da caixa
Então o berro agudo da mulher ao longe
Então o corpo

Ardendo
Ardendo
Ardendo

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Fazendo gênero Escrito em 26 de março de 2008
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A Livraria Leonardo da Vinci promove hoje - dentro da série Encontros no subsolo, da qual sou curador - o debate Fazendo gênero no século XXI - Os novos papéis do homem e da mulher. A psicanalista e sexóloga Regina Navarro Lins e o antropólogo Rolf de Souza conversarão sobre o tema, com mediação da jornalista Daniela Name. O evento está marcado para 18h30 e tem entrada gratuita. A Da Vinci fica na Avenida Rio Branco, 185.


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Diálogo concreto Escrito em 26 de março de 2008
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Embalagem da Piraquê: destaque no trabalho de Lygia Pape

Sei que hoje é dia de abrir espaço para os amigos darem dicas por aqui, mas não resisto a indicar a exposição Diálogo concreto, em cartaz desde ontem na Caixa Cultural. Com curadoria da amiga Daniela Name, a mostra propõe um diálogo entre arte e design, apresentando trabalhos de artistas que se destacaram dentro do construtivismo brasileiro.

Estão lá, por exemplo, Willis de Castro, Lygia Clark, Aluísio Carvão e Waldemar Cordeiro. Suas obras são representadas em cartazes, prospectos, móveis, embalagens e capas de livros, que ilustram a tentativa de levar a arte visual para fora dos museus, integrando-a à indústria do consumo.

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Sardinhas Coqueiro: criação de Wollner

Alexandre Wollner aparece com a logomarca que desenhou, a partir de círculos seccionados, triângulos e losangos, para as sardinhas Coqueiro. As célebres embalagens criadas por Lygia Pape para a Piraquê são bem expostas num criativo suporte que ressalta seu caráter serial. Já Amílcar de Castro tem destacada a reforma gráfica que empreendeu no Jornal do Brasil em 1957, inovando ao utilizar imensos ‘brancos’ na diagramação.

A exposição, com entrada gratuita, fica em cartaz de terça a domingo, das 10h às 22h, até dia 27 de abril. O endereço da Caixa Cultural é Avenida Almirante Barroso, 25 – Centro.

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A dica de 'Hugo Sukman' Escrito em 26 de março de 2008
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"Minha dica é o CD da jovenzíssima cantora mineira Angela Evans, produção independente que conheci meses atrás por intermédio de meu amigo Luiz Carlos da Vila, e que agora, pelas graças do velho Hermínio, tem lançamento digamos comercial pela Biscoito Fino. De tantos 'discos de samba' lançados por cantoras no último ano e meio, este é o que tem maior frescor, é o mais moderno e, ao mesmo tempo, o que revela maior ligação com a cultura do samba. Começa pelo título: Um pouco de morro outro tanto cidade sim, não somente uma precisa definição de samba como verso de uma velha composição de Elton Medeiros, Eduardo Gudin e Roberto Riberti, Estrela (gravada nos tempos da 'milennia' por Vania Bastos), redescoberta por Angela.

O disco é muito simples, apenas os mais lindos sambas do mundo, mas há muito não vejo uma cantora escolher tão bem seu repertório. Ela revela músicas novíssimas como Samba de pedra, da cada vez mais frequente dupla Ruy Quaresma e Nei Lopes, este com uma letra mineral acachapante, meio à João Cabral: "Ferveu, feito lava de vulcão / Desceu, derreteu meu coração / Depois, deixou tudo calcinado / Um terreno esturricado/Onde nada brota mais". E Angela relembra às nossas sensibilidades esturricadas sambas recentes geniais que talvez não tivessemos dado a atenção merecida, como dois de Wilson das Neves: E o vento levou, parceria com Claudio Jorge gravada originalmente no inesgotável CD Coisa de chefe; e a obra-prima em parceria com Luiz Carlos da Vila Ao nosso amor maior. Lembram dessa última? Os versos do Da Vila são todos imagens poéticas sobre o amor. Sintam a barra, à guisa de exemplo: "Bomba que não explodiu / Moça que ouvindo um psiu / Num sorriso estancava". Ah, o Das Neves canta junto e - essa você, Marcelo, vai gostar - não é a única referência imperiana do CD: no belo projeto gráfico (de Marcelo Dante) há a bandeira verde-e-branca da coroa imperial, imagens de Silas, Dona Ivone, Roberto Ribeiro...

O timbre da moça é diferente, bonito e ela canta pacas também ao vivo, como vi ontem no Centro Cultural Carioca (onde ela canta com Herminio e Áurea Martins nos dias 2, 9 e 16 de abril). No repertório do disco só há coisas de malandros do tipo Wilson Moreira (com Nei Lopes), Sérgio Santos (com Paulinho Pinheiro), e sambas uns tantos do morro (como Favela, do Padeirinho) outros tantos da cidade (como um velho Ivan Lins, Não tem perdão). E os arranjos são de um Cristóvão Bastos empenhadíssimo, modernos como pede o projeto. Desculpa se me alonguei, mas o disco é daqueles e todo pessoal do samba que eu conheço não cansa de ouvi-lo. Coisa que, em se tratando de uma artista nova, não vejo acontecer faz tempo".

* Jornalista. Autor (com Aldir Blanc e Luiz Fernando Vianna) do livro 'Heranças do samba'

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O vidente míope Escrito em 25 de março de 2008
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Capa de J. Carlos para 'O Malho'

Hoje, além do romance de estréia do Flávio Izhaki, vai rolar o lançamento do livro O vidente míope, escrito a quatro mãos pelos amigos Cássio Loredano e Luiz Antônio Simas. O trabalho da dupla esmiuça as caricaturas que o grande J. Carlos desenhou para a revista O Malho entre 1922 e 1930. A edição é da brava Folha Seca.

O evento acontecerá no Paço Imperial, das 18h às 21h, e na ocasião serão lançados também o livro O desenhista invisível, de Julieta Sobral, e o portal Memória gráfica brasileira. O portal, organizado pelo Loredano e pela Julieta, reunirá o acervo comentado de boa parte dos impressos produzidos no Brasil desde o século XIX.

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J. Carlos, no traço de Alvarus

Como nos informa em primeira mão o Eduardo Goldenberg, o item inaugural desse acervo será o site J. Carlos em revista. A home-page trará "um colossal banco de dados", incluindo edições entre 1922 e 1930 das revistas O Malho e Para todos, que poderão ser lidas página a página. Trata-se, portanto, de um extraordinário de preservação, pois a maioria dessas publicações vinha sofrendo o efeito do tempo, que causa a inexorável deterioração do papel.

A pedida de hoje, então, é dupla: primeiro, o Paço Imperial; depois, a Argumento.

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De cabeça baixa Escrito em 24 de março de 2008
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Corria o ano de 2003, quando, num fim-de-semana, a Rosana Lobo me chamou para um aniversário no Plebeu. Além de tomar umas Bohemias geladas, ela queria me apresentar um amigo. “Ele é jornalista e adora literatura”, disse a Rô. “Acho que vocês vão se identificar”.

Foi assim que conheci o Flávio Izhaki – e o tempo mostrou que a Rô tinha razão. Desde então, nossa amizade só se intensificou. Não só pelo fato de tanto eu, quanto ele gostarmos de literatura (e logo descobriríamos outra paixão em comum: o futebol). Mas – e sobretudo – pela sinceridade e generosidade que o Flávio sempre revelou em cada um dos seus atos. Algo raro, muito raro, nesses tempos rasos.

Nesses cinco anos de convivência, eu e Flávio trabalhamos juntos, como jornalistas e como organizadores da antologia Prosas cariocas. Bebemos litros e litros de cerveja. Debatemos da escalação do Flamengo aos rumos do mercado editorial. Trocamos textos, impressões, alegrias e dores. E, pouco a pouco, aprendi a admirá-lo para muito além do escritor em gestação.

Por isso, quando ele me pediu que assinasse a orelha de seu romance de estréia, fui tomado por um misto de alegria e tensão. Alegria porque o Flávio poderia ter escolhido um escritor mais renomado, entre os tantos que conhece, mas preferiu se ater a quesitos outros. Alegria também pelo fato – e repeti isso aqui muitas vezes – de se tratar de um ótimo prosador, cujo talento se expressa no texto, não no comportamento.

Já a tensão se devia à responsabilidade em que me vi investido. Queria escrever algo à altura do livro e da amizade que eu e Flávio desenvolvemos desde aquele posaico dia em 2003. Após algumas semanas de nervoso e teclas 'delete', acho que consegui ao menos chegar perto do objetivo inicial (leia a íntegra no post abaixo).

Bom, tudo isso é um intróito convocatório para o evento de amanhã. A partir das 20h, o Flávio estará na Livraria Argumento, lançando o tão esperado De cabeça baixa. Espero encontrá-los por lá!

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A orelha do livro Escrito em 24 de março de 2008
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Albert Camus escreveu certa vez que os únicos paraísos são aqueles que perdemos. Referia-se à capacidade que a memória tem de reconstruir cenários, envernizando o passado com uma demão capaz de apagar suas naturais imperfeições. Pois a história de Felipe Laranjeiras, protagonista deste romance de estréia de Flávio Izhaki, acrescenta novos matizes à amargurada assertiva do autor francês.

No início da trama, Felipe encontra-se exilado em Curitiba após um duplo malogro: a péssima receptividade de seu livro pela crítica somara-se ao fim da relação com Luana. Decorridos cinco anos desde a partida do Rio de Janeiro, ele empurra os dias na capital paranaense regurgitando “um gosto azedo, uma bile amarelada”, até que, durante a visita a um sebo, depara-se com um exemplar do fracassado romance. As páginas do livro têm, em seu entorno, uma série de anotações e, na folha de abertura, uma dedicatória: “Para Ana Maria”.

É a realidade que berra, “palpável, gelada”, como “uma corrente de ar frio vinda da rua”, e o expulsa do exílio voluntário. Felipe decide então encontrar a tal mulher e, em sua busca, encena a dolorosa tentativa de religar todas as pontas soltas. Expiando o hiato entre o artista promissor e o homem precocemente amargurado, ele procura também esquadrinhar os motivos do esfacelamento de seu caso com Luana.

Essa viagem – paralelamente literal e introspectiva - é conduzida com mão firme por Flávio Izhaki. Sem hesitações de estreante, açodamento ou barulhentas estripulias formais, o autor põe sua narrativa elegante e serena a serviço do enredo. Ao desconstruir o idílio, Flávio acaba por nos lembrar que, na literatura assim como na vida, todos os paraísos são mesmo artificiais.

Marcelo Moutinho

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Boicote Escrito em 24 de março de 2008
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A covarde agressão das forças policiais chinesas aos monges que protestavam democraticamente foi, para mim, a gota d' água. Não parece haver outra saída se não o completo boicote às Olimpíadas de Pequim. Se as mais poderosas nações não o fizerem (e decerto não o farão por conta da grana, já que, quando se trata de dinheiro, aceita-se até o totalitarismo), façamos nós, ignorando estoicamente a disputa.

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A dica de 'Camila Perlingeiro' Escrito em 19 de março de 2008
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"Li recentemente Nova York delirante, de Rem Koolhaas, que faz parte da coleção Face Norte(Cosac Naify). Publicado originalmente em 1978, esta é a primeira tradução do livro para o português. O autor, um dos mais importantes arquitetos do mundo contemporâneo, relata episódios marcantes da formação de uma das cidades mais instigantes do mundo: os planos que definiram o traçado da cidade, a construção de Coney Island, Central Park e todos os arranha-céus. Com um ponto de vista um tanto crítico com a arquitetura feita por outros, Koolhaas é mordaz com quase todos os ícones nova-iorquinos e se revela ainda mais pessimista com o futuro da cidade. Recomendo pra todos que adoram arquitetura e urbanismo com uma grande dose de veneno".

* Editora das Edições Pinakotheke e da Memória Visual

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Mostra no CCBB Escrito em 18 de março de 2008
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O filme de Stephen Frears passará hoje

Só para lembrar: a mostra Os melhores filmes do ano - 2007, promovida pela Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro, continua hoje, com a exibição de Maria Antonieta (15h30) e A rainha (17h30), seguida de debate com a historiadora Mary Del Priore e os críticos João Marcello F. Mattos, Marcelo Janot e Ricardo Cota.

Amanhã, será a vez de Ratatouille (15h30) e Medos privados em lugares públicos (17h30), e caberá ao chef Roland Villard e aos críticos Daniel Schenker Wajnberg, Pedro Butcher e Rodrigo Fonseca conversar sobre os filmes.

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Coutinho debaterá seu 'Jogo de cena'

Na quinta, cerejíssima no bolo da programação, a sessão dupla inclui Santiago (15h30) e Jogo de cena (17h30) e se segue a bate-papo com os diretores João Moreira Salles e Eduardo Coutinho, o montador Eduardo Escorel e os críticos Carlos Alberto Mattos e Maria Sílvia Camargo.

Os ingressos custam R$ 6, com meia-entrada para estudantes.

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Michel Laub Escrito em 18 de março de 2008
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O Michel Laub - que, além de ótimo jornalista de cultura, é um dos mais interessantes escritores brasileiros contemporâneos - acaba de colocar no ar o seu blog. Lá, ele fala sobre música, cinema e, claro, literatura, com a prosa elegante que a gente conhece desde seus tempos na Bravo! Nos primeiros posts, Machado de Assis, Guimarães Rosa, Franz Kafka e James Joyce dividem espaço com Sean Penn, Benicio Del Toro, Eduardo Bueno e o Radiohead.

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Jota Efegê Escrito em 17 de março de 2008
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O Prosa & Verso (O Globo) de sábado passado publicou minha resenha sobre quatro livros do Jota Efegê que a Funarte relança na esteira das comemorações dos 30 anos do projeto Pixinguinha. Faço, aqui, um agradecimento público ao amigo Luiz Antônio Simas, que me ajudou com a checagem histórica da pesquisa. Segue a íntegra do texto.

O Rio vivido e escrito com amor por Jota Efegê

Quatro volumes recuperam a obra do cronista que resgatou, de forma afetuosa, histórias e personagens da cidade

Marcelo Moutinho*

Mulato, carioca e torcedor do Madureira - “talvez o único”, provocava o amigo Drummond -, João Ferreira Gomes cumpriu durante quase seis décadas um ritual rígido. Toda manhã saía de casa rumo à Biblioteca Nacional, onde, debruçado sobre antigos periódicos, buscava notícias que fizessem por merecer uma segunda chance em suas crônicas. A Jota Efegê interessavam as informações de canto de página, não as manchetes. E foi com esse lastro aparentemente ordinário que ele resenhou os modos e costumes da cidade onde viveu e que amou de forma intensa: o Rio de Janeiro. Ou, em sua carinhosa alcunha, a “Sebastianópolis”.

Embora pesquisador rigoroso, Efegê nunca se limitou ao papel acomodado do memorialista de gabinete. Pelo contrário: aprazia-lhe a alma encantadora das ruas, que começou a conhecer ainda pequeno por influência da avó, responsável por sua criação. Tia Leandra levou-o aos candomblés da Saúde e da Gamboa, à festa da Penha, aos pequenos ranchos do subúrbio. Quando se tornou jornalista, as andanças pelo centro, por morros, terreiros, bordéis, gafieiras, teatros e botecos já haviam sido irremediavelmente inscritas no rol de seus afetos mais particulares.

A força dos textos de Efegê parece nascer justamente dessa articulação entre a investigação teórica e a experiência prática, como o leitor poderá notar nos livros que a Funarte reedita em celebração aos 30 anos do projeto Pixinguinha. “Meninos, eu vi”, “Figuras e coisas do carnaval” e os dois volumes de “Figuras e coisas da música popular brasileira” reúnem 525 crônicas veiculadas entre 1920 e 1980 em órgãos como O Globo, O Jornal, Correio da Manhã e Revista da Música Popular. O material foi preservado graças ao trabalho de sua viúva, Felisberta Pinto Correia, que fez a catalogação de tudo o que o autor publicou na imprensa ao longo de seus 85 anos.

“Meninos, eu vi” é uma compilação de pequenas (e deliciosas) histórias de um Rio que começava a ficar para trás. Uma das crônicas registra, por exemplo, o conflito ocorrido em 1907 entre duas bandas de música na “cidadezinha pacata” de Cabo Frio. Com os ânimos exaltados na disputa pela primazia local, os componentes da Sociedade Musical Lira Luso-Brasileira e da Euterpe Cabo-Friense partiram para a briga. “O instrumental serviu como armas de ataque e defesa”, observa Efegê no texto publicado quase 65 anos após a confusão.

O autor vale-se dessas prosaicas descobertas, garimpadas em velhos jornais, para radiografar as transformações sofridas pela cidade. Em crônica de 1973, veiculada neste mesmo O Globo, ele nos apresenta o harpista Paschoal, que se exibia na Leiteria Palmira. Fica claro, porém, que, mais do que desvelar o inusitado feito de o músico ter ministrado aulas de harpa à Princesa Isabel, Efegê quer comentar é o desaparecimento das “leiterias clássicas” e, por conseqüência, da “serenidade que reinava em seu ambiente, sem falatório atordoante, sem risadas estridentes”.

Nessas micro-abordagens à margem da grande História, o cronista nos traz personagens singularíssimos. Gente como Altamira Machado, jogador do Bonsucesso e do Botafogo, que mesmo num meio machista como o futebol era conhecido por um nome feminino: ‘Dona Júlia’. Ou Carlos Charlot, o vigarista que ganhou dinheiro passando-se por Carlitos nos teatros do Centro.

Essas figuras despontam ao lado de Careca, o folião que, abandonado pela mulher, purgou a mágoa fundando um bloco chamado “Foi ela que me deixou”, e Canarinho, primeiro repórter esportivo a efetivamente se aproximar do campo onde a bola corre. “Vendo de perto o que acontecia, ele veiculava pelo microfone, rápida e exatamente, a notícia: ‘Não, Ary. Não houve nada! O goleiro está fazendo cinema. Não houve contusão”, descreve Efegê. Ary, no caso, era o Barroso, que tinha duplo ofício: compositor e narrador.

Os livros revelam fatos curiosos. Descobrimos que Chico Anísio, na flor de seus 14 anos e muito antes da fama, foi notícia de jornal graças à conquista de um torneio de futebol de botão. Ou que, em 1937, o já célebre Cartola venceu um concurso entre sambistas. “Passada a euforia, ainda com o ruído dos aplausos nos ouvidos, ele se dirigiu à agência de penhores da Caixa Econômica, na Praça da Bandeira, e botou a bonita medalha no ‘prego’”, relata Efegê. Essa fina ironia insinua-se nas entrelinhas de boa parte dos textos, ainda que o tom geral seja de sobriedade, sem grandes vôos estilísticos.

No inventário do cronista, o olhar sobre a cidade privilegia duas de suas marcas: o samba e o carnaval. Os três livros dedicados à folia e à música brasileira figuram como referência obrigatória para estudiosos que se debruçaram sobre o assunto, Sérgio Cabral e Nei Lopes entre eles. Embora posterior a nomes como Luís Nunes da Silva (Enfiado) e Francisco Guimarães (Vagalume), Efegê fez parte do grupo de cronistas carnavalescos que praticamente inaugurou o gênero, servindo de ponte entre a sociedade letrada e os protagonistas dos festejos populares no processo de sedimentação do carnaval como símbolo de nossa nacionalidade.

Nas obras, ele relembra episódios emblemáticos, como o surgimento do tradicional Cordão da Bola Preta (1918) e a ação do Clube dos Tenentes do Diabo num evento posteriormente questionado por historiadores: em 1864, a entidade teria abdicado de desfilar e canalizado a verba dos carros alegóricos à compra de cartas de alforria de escravos negros. O autor conta também a origem do Rei Momo e sua ‘importação’ pelo carnaval do Rio, quando, por iniciativa do jornal A Noite, o personagem passou de boneco de papelão a “carne, gordura e alguns ossos”. Primeiro a encarnar o nobre balofo, o cronista de turfe Moraes Cardoso saiu pelas ruas com uma roupa emprestada pela produção da ópera O Rigoleto, em cartaz no Theatro Municipal naquele 1933.

As crônicas de Efegê deixam patente sua decepção com os rumos do carnaval. Ao tratar da chegada do confete “como o chique da festa” carioca, ele lamenta que 70 anos depois “os arremessos que antes se faziam fartos” sejam parcos e caiam sobre os alvejados “como chuvinha miúda”. Com relação às escolas de samba, a crítica é ainda mais dura. Algumas das ponderações parecem ter sido escritas hoje. “Buscando cenógrafos eruditos, coreógrafos cultos, músicos e executantes que lêem nas cinco linhas de pauta, [as agremiações] truncam a essência folclórica própria e tornam-se esplendorosos ‘shows’ bem dirigidos”, observa o cronista. O texto é de 1964.

Essa defesa da ‘pureza’ e da fidelidade do samba às suas origens ecoa nos ataques à “jazzficação” da música brasileira e na saudação, em contraponto, àqueles que definia como “sambistas na exatidão do termo”, casos de Donga e Pixinguinha. A saudade de Efegê evocava um Rio fiel à tradição das pastorinhas e das canções de Natal, que não queria tudo “em linha reta, rápida e decisiva, apontando do presente para o futuro”. Uma cidade que hoje, embora ainda mais desfigurada, continua a servir de inspiração para os cronistas, como se alimentasse perenemente uma certeza: apesar das flechas em seu peito, algo da “Sebastianópolis” de Efegê resiste.

* Escritor e jornalista. Autor de “Somos todos iguais nesta noite” (Rocco)

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II Copa de Literatura Brasileira Escrito em 17 de março de 2008
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Os romances de Tezza, Carrero e Adriana estão entre os indicados

Saiu a relação dos livros indicados às oitavas-de-final da II Copa de Literatura Brasileira, projeto (criativo e muito divertido) idealizado pelo Lucas Murtinho. A lista me parece bem significativa com relação aos lançamentos de 2007. Estão lá, por exemplo, O filho eterno, do Cristóvão Tezza; e O amor não tem bons sentimentos, do Raimundo Carrero.

Os 'novos' também marcam presença, com a querida Adriana Lisboa (Rakushisha), além de Carola Saavedra (Toda terça), João Paulo Cuenca (O dia Mastroianni), Cecilia Giannetti (Lugares que não conheço, pessoas que nunca vi) e Ana Paula Maia (A guerra dos bastardos). A Copa se baseia em 'jogos' eliminatórios, nos quais um mesmo resenhista contrapõe dois livros e indica um vencedor. As 'partidas' poderão ser acompanhadas no site do torneio.

A lamentar, mais uma vez, apenas a exclusividade do gênero romance. Ao excluir as seletas de contos, a Copa reitera, ainda que não intencionalmente, uma desqualificação muito comum, que se baseia na criação de estamentos qualitativos entre os gêneros literários. Em suma: seria mais justo lançar competições paralelas - uma contemplando os romances, outra voltada às narrtivas curtas. Ou então chamar a disputa de Copa do Romance Brasileiro.

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Juízo Escrito em 14 de março de 2008
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Entra em cartaz hoje nos cinemas cariocas o documentário Juízo, da Maria Augusta Ramos. O filme é uma nova investida da diretora - responsável também pelo ótimo Justiça - sobre o funcionamento do Poder Judiciário no Brasil e foi objeto de matéria nas páginas centrais da edição de março da Tribuna do Advogado, jornal que edito. Segue a íntegra do texto.

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Infâncias perdidas

A partir de audiências envolvendo menores infratores, o filme Juízo documenta a desilusão e a falta de perspectivas dos jovens carentes no Brasil

Marcelo Moutinho

Quando decidiu abordar, em seu novo documentário, o cotidiano do Juizado da Infância e Juventude, Maria Augusta Ramos deparou-se com um elemento complicador, que poderia até mesmo inviabilizar o filme: a proibição, pela lei , de se exibirem rostos de menores de idade. A diretora então resolveu manter, na edição, apenas as imagens que flagravam o trabalho de magistrados, promotores e defensores públicos. Os infratores, por sua vez, foram interpretados por jovens recrutados em comunidades de Bangu e da Cidade de Deus. A solução acabou por ganhar valor simbólico. Afinal, o filme deixa patente que, mais do que indivíduos, os réus são membros de um grupo com cor e classe social bem definidos. Em suma: os 'atores' representaram meninos muito parecidos com eles.

Juízo, que estréia nos cinemas em 14 de março, baseia-se no registro de uma série de audiências no Juizado, entremeadas por cenas do Instituto Padre Severino. Fiel ao estilo minimalista, a diretora abdica de interferir no que é documentado, deixando as imagens falarem por si. "Foi tudo filmado na mesma sala de audiências. Mesmo o texto dos réus é exatamente aquele dito no julgamento, com alterações mínimas", explica ela, que optou por não utilizar atores profissionais nos papéis das crianças e dos adolescentes: "A idéia era que eles 'fossem' eles mesmos, em vez de atuarem. Procuramos garotos de comunidades que tivessem algum conhecimento do que significa passar pelo Juizado ou pelo Padre Severino, além de conhecimento da presença do tráfico".

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O documentário evidencia a dificuldade de diálogo entre o Judiciário e esses meninos, que, sem formação educacional, vêem-se às voltas com o linguajar e os trâmites de um Poder que em sua maioria desconhecem. Esse estranhamento, por vezes, chega ao paroxismo. É o caso, por exemplo, do jovem que fugiu do Padre Severino um dia antes da data em que ganharia liberdade assistida (tratada por magistrados e promotores pelas iniciais: 'L.A.'). O garoto simplesmente ignorava o fato, para espanto da própria juíza que o interroga, Luciana Fiala.

A magistrada, aliás, é um dos destaques do filme. Nas audiências, ela transita entre a severidade, a ironia e proteção. Em certos momentos, chega a fazer recomendações a réus. "Não quero te ver em baile funk, hein", diz a um deles, antes de conceder a liberdade assistida.

Com base nas lições tiradas durante a produção do filme, Maria Augusta reconhece que a situação dos juízes dentro do cenário retratado também é complexa. "A lei é fixa. O magistrado mandará os meninos para uma instituição onde eles não serão socializados porque os recursos são precários, ínfimos. Se mandar de volta para a comunidade, eles podem morrer. Não queria estar nessa posição". Tal constatação se reforça em uma das seqüências do documentário. As palavras são de Luciana Fiala. Indagada sobre a falta de estrutura adequada por parte das instituições que recebem os menores condenados, ela responde: "Quem tem que tratar disso é o Executivo, não o Judiciário. Não posso é parar de agir".

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No olhar sóbrio sobre as audiências, Juízo desvenda as bem-delineadas funções exercidas por cada agente do que a diretora chama de "teatro da Justiça". "A juíza não atua para a câmera, mas faz um teatro durante os julgamentos. O acusado também. Ele quer sensibilizar a juíza, que representa a lei, a pátria, a mãe... Todos desempenham papéis, inclusive o defensor e o promotor", afirma.

O documentário foi montado com base no sistema de campo/contra-campo. Às tomadas que focam os representantes do Judiciário, seguem-se imagens dos menores, numa dialética entre o real e o ficcional que espelha a separação entre o sofisticado arcabouço judiciário e o prosaico dia-a-dia dos réus. "Mais do que simplesmente um filme sobre o Judiciário, Juízo trata das relações sociais que perduram no Brasil e são sintetizadas no microcosmo da Justiça", pondera Maria Augusta.

Uma das intenções do filme, revela ela, foi justamente humanizar a figura do menor infrator: "Queria olhar esses jovens de frente, captar a carência, a falta de perspectiva pregada no rosto, a desilusão com as instituições, com o país e, ao mesmo tempo, a imensa energia que eles têm". Uma noção sombria sobre o futuro que convive com a consciência da própria miséria, mas também com o fascínio diante da sociedade de consumo. Maria Augusta conta que, durante a produção, um menino lhe pediu R$ 50 para comprar um "chinelo de marca". "Perguntei por que queria tanto aquele, e ele retrucou: 'A gente não tem nada, vive numa favela, nem isso pode ter?'. Há, portanto, a percepção da injustiça social. Só que ao mesmo tempo eles compram a imagem do outro, o sonho que jamais poderão realizar", salienta.

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Justiça Escrito em 14 de março de 2008
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(Matéria coordenada à de cima)

Filme anterior da diretora, já disponível em DVD, também retratava o Poder Judiciário

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Lançado nos cinemas em 2004 e já disponível em DVD, o trabalho anterior de Maria Augusta Ramos também retratava o Judiciário. A grafia do título do filme - com inusuais minúsculas - já indica que, mais do que um Poder do Estado, justiça tratou do conceito em sua acepção mais genérica. O documentário constata o abissal contraste entre dois extremos que idealmente deveriam estar atrelados - os ritos e a retórica dos agentes do Judiciário e o cotidiano da realidade com a qual lidam.

Antes de iniciar as filmagens, Maria Augusta passou dois meses entrevistando possíveis personagens e conhecendo o cotidiano do Fórum Central. Assim como em Juízo, não há entrevistas diretas, narração em off, trilha sonora ou qualquer elemento que possa interferir no que é mostrado. Isto embora a edição em vários momentos marque oposições, como acontece na seqüência que salta do plano das paredes marmorizadas do Palácio da Justiça para as celas superlotadas da Casa de Custódia da Polinter.

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Os contrastes estendem-se aos diálogos entre juízes e réus. O palavrório tecnicista da legislação, por vezes contornado pela paciência e o esmero de magistrados como Geraldo Prado, soa ininteligível para os acusados, cujas manifestações - titubeantes, hesitantes, descoordenadas - são o retrato bem delineado da falência de nosso sistema educacional. O filme alimenta-se também daquilo que se passa no interior da esfera protetora dos rituais e da linguagem: o microcosmo da sala de audiência, o encontro entre defensora e réu, o relato que só é pronunciado fora do espaço oficial e, sobretudo, a dura exposição de que todos aqueles expedientes teóricos capazes de suscitar estudos e debates, em geral revestidos de bons propósitos, parecem não ter a devida efetividade prática.

São pontas cuja distância o documentário expõe. De um lado, pequenezas, fraudes miúdas, cotidianas e tão nossas, como a desalentadora constatação de que Carlos Eduardo, jovem réu detido ao guiar um carro roubado, não pode comprovar que trabalha porque o patrão não assinou sua carteira. De outro, a letra (morta?) da lei levada a ferro e fogo, traduzida numa seqüência emblemática: o juiz interroga o acusado de roubo seguido de fuga, sem sequer notar que o rapaz é deficiente físico e não teria condições de pular um muro, como descrito nos autos.

justiça passeia também por questões como o falido sistema carcerário, a presença incômoda das facções criminosas, a corrupção policial e o papel algo oportunista dos setores evangélicos em busca de 'rebanho' nas prisões .

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A dica de 'Marcelino Freire' Escrito em 12 de março de 2008
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"Moutinho, caramigo, serve uma dica coletiva? Vários livros de um mesmo escritor? Pois estou nessa - envolvido em vários parágrafos de um único autor. Puta que pariu! Explico: faz tempo persigo os livros do escritor português Vergílio Ferreira, nascido em 1916 e morto em 1996. É dele o romance Alegria breve - um das mais belas aventuras de linguagem de que tenho notícia. História sonora em que meu olho bateu, um dia, e o meu coração também. Saravá, amém! Olha só: quando quero ganhar fôlego lusitano, melancólico e filosófico, leio e releio Vergílio. E eis que, no feriadão do último carnaval, encontrei vários títulos originais dele em um sebo paulistano: Nítido nulo, Rápida, a sombra, Onde tudo foi morrendo. Estou, no momento, repito: pulando de um para outro parágrafo. Hipnotizado. Vergílio me deixa assim, doente de mim e ave! Perdão. Para não ficar longa ou chata esta minha dica-indicação, fiquemos, então, no livro Alegria breve, do qual postulei acima. Procurem, caros leitores do Moutinho, aí pelo Rio e pelo Brasil, esta obra-prima. Romance que começa assim e mais não digo: "Enterrei hoje minha mulher - por que lhe chamo minha mulher? Enterrei-a eu próprio no fundo do quintal, debaixo da velha figueira. Levá-la para o cemitério, e como? Fica longe". É isso. Espero que tenha servido. Valeu, não valeu? Pode postar, Moutinho, do jeito que aqui vai e aqui está. Acompanhado de meu abraço grato e saravá, o amigo MARCELINO"

* Escritor. Autor, entre outros, dos livros 'Balé ralé', 'Angu de sangue' e Contos negreiros'

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O trailer do livro Escrito em 11 de março de 2008
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Para incrementar a divulgação, o Flávio Izhaki produziu um caprichado trailer sobre seu romance de estréia, que tem lançamento marcado para o próximo dia 25. A idéia é que o trailer (confira abaixo) desperte o interesse do leitor sobre o livro. O filminho ficou bem bacana, e estou convencido de que esse formato pode ajudar muito os novos autores a cavar seu espaço no mercado editorial.

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Os melhores de 2007 Escrito em 10 de março de 2008
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De amanhã até dia 27, acontecerá no CCBB mais uma edição da mostra Os melhores do ano, que há três anos produzo com o amigo Marcelo Janot. Serão exibidos, no evento, os dez filmes apontados pela Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro como os mais relevantes entre os que passaram pelos cinemas cariocas ao longo de 2007.

A entrada custa R$ 6 (meia-entrada a R$ 3) e, em cinco das sessões, haverá debate após a projeção, sempre com a participação de dois críticos e um convidado especial. No dia 20, quando a programação nos reserva Santiago e Jogo de cena, serão extraordinariamente três convidados: os diretores Eduardo Coutinho e João Moreira Salles e o montador Eduardo Escorel. Em suma: uma conversa imperdível para quem gosta do gênero documentário.

Além disso, a Mostra fará uma homenagem a Ingmar Bergman e Michelangelo Antonioni, cineastas que morreram no ano passado, com a exibição de Morangos silvestres e O passageiro - Profissão repórter. Neste dia (26), a Associação prestará tributo também ao grande Ely Azeredo, decano da crítica cinematográfica no Brasil, a quem caberá analisar os dois filmes. Segue a íntegra da programação:

Terça, 11
17h30 – A VIDA DOS OUTROS (137 min.)
Após a sessão, debate com o escritor Jorge Mautner e os críticos Luiz Fernando Gallego, Marcelo Moutinho (mediador) e Mario Abbade

Quarta, 12
15h30 – JOGO DE CENA (103 min)
17h30 – SANTIAGO (80 min)

Quinta, 13
15h – A CONQUISTA DA HONRA (132 min)
17h30 – CARTAS DE IWO JIMA (141 min)
Após a última sessão, debate com o músico João Barone, especialista
em Segunda Guerra Mundial, e os críticos Leonardo Luiz Ferreira, Marcelo Janot (mediador) e Ricardo Largman.

Sexta, 14
15h30 – A RAINHA (103 min)
17h30 – MARIA ANTONIETA (123 min)

Sábado, 15
19h – A VIDA DOS OUTROS (137 min)

Domingo, 16
16h30 – RATATOUILLE (111 min)
18h30 – MEDOS PRIVADOS EM LUGARES PÚBLICOS (120 min)

Terça, 18
15h30 – MARIA ANTONIETA (123 min)
17h40 – A RAINHA (103 min)
Após a última sessão, debate com a historiadora Mary Del Priore e os críticos João Marcello F. Mattos, Marcelo Janot (mediador) e Ricardo Cota.

Quarta, 19
15h30 – RATATOUILLE (111 min)
17h30 – MEDOS PRIVADOS EM LUGARES PÚBLICOS (120 min)
Após a última sessão, debate com o chef Roland Villard e os críticos Daniel Schenker Wajnberg (mediador), Pedro Butcher e Rodrigo Fonseca.

Quinta, 20
15h30 – SANTIAGO (80 min)
17h30 – JOGO DE CENA (103 min)
Após a última sessão, debate com os diretores Eduardo Coutinho e João Moreira Salles, o montador Eduardo Escorel e os críticos Carlos Alberto Mattos (mediador) e Maria Sílvia Camargo.

Sexta, 21
CCBB NÃO FUNCIONARÁ

Sábado, 22
19h – TROPA DE ELITE (118 min.)

Domingo, 23
16h30 – CARTAS DE IWO JIMA (141 min)
19h – A CONQUISTA DA HONRA (132 min)

Terça, 25
17h30 – TROPA DE ELITE (118 min)
Após a sessão, debate com o diretor José Padilha e os críticos Gilberto Silva Jr., Ivana Bentes e Susana Schild (mediadora).

Quarta, 26
HOMENAGEM A BERGMAN E ANTONIONI
15h30 – MORANGOS SILVESTRES (91 min)
17h30 – O PASSAGEIRO – PROFISSÃO REPÓRTER (121 min)
Após a última sessão, o crítico Ely Azeredo recebe homenagem por seus 50 anos de crítica de cinema e conversa com o público, ao lado de integrantes da ACCRJ.

Quinta, 27
15h30 – O PASSAGEIRO – PROFISSÃO REPÓRTER (121 min)
17h30 – MORANGOS SILVESTRES (91 min)

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Noção do ridículo Escrito em 07 de março de 2008
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"Chique mesmo é o dono do Citroën C3 LAH 6316. Ontem, perto de 18h30, ele seguia por São Conrado em direção à Barra - jamais por acaso - com um adesivo de apoio a... Hillary Clinton. Totalmente superdelegado".

* Do site do Ancelmo Góis

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Brasil-Espanha Escrito em 07 de março de 2008
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Tem gente que se espanta, tem gente que acha graça, quando falo que nunca fui aos Estados Unidos porque me recuso a me submeter à humilhação imposta aos turistas brasileiros pelo consulado norte-americano. Pouco me importa o que se pense: em hipótese alguma, vou entrar naquela fila absurda para ser interrogado por agentes arrogantes que acreditam estar fazendo um favor ao me deixar entrar em seu país. Isso embora respeite quem o faça, já a questão é mesmo pessoal.

Trato do assunto depois de ler as recentes notícias sobre o tratamento dispensado aos brasileiros nos aeroportos espanhóis. A pronta ação do Itamaraty é elogiável, mas fiquei chocado com as declarações de Gelson Fonseca, cônsul-geral do Brasil em Madri, em O Globo de hoje. Numa postura subserviente, ele tenta defender a equivocada atitude do governo da Espanha e revela que já checou as condições da sala onde os "retidos" são colocados. Gelson admite a falta de condições do espaço - deficiência que, diga-se, nunca fez nada para tentar melhorar.

A pergunta que fica é: o que esse senhor faz em Madrid, com o sustento do nosso dinheiro?

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Da série 'Jornalismo bizarro' Escrito em 06 de março de 2008
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Obsessiva pelas estatísticas - na crença besta de são o parâmetro básico da neutralidade -, a Folha de S. Paulo às vezes perde a noção do ridículo. Ontem, a Ilustrada publicou matéria de alto de página intitulada "Chance de ouvir Blowin' in the windé de 85,7%". A reportagem chegou a esse percentual após analisar os repertórios de Bob Dylan em seus últimos shows. A curiosa premissa era, portanto, que as possibilidades de Dylan cantar a música na apresentação em São Paulo obedeceriam a tal índice.

Em tempo: ele não cantou.

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Da série 'Acredite se quiser' Escrito em 06 de março de 2008
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"Léo Lima dá conselhos ao são-paulino Adriano"

(Título de matéria publicada esta semana no Estadão e na Folha de S. Paulo)

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Na TV Comunitária Escrito em 06 de março de 2008
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Hoje, às 21h, o programa Debate Brasil (TV Comunitária - Canal 6 da Net) exibirá a entrevista que a Suzana Vargas fez comigo. Conversamos sobre literatura. No domingo, haverá reprise, no mesmo horário.

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Recital no Maracanã Escrito em 06 de março de 2008
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O pó-de-arroz, marca da tradição tricolor, voltou ao Maracanã

Não sei se o time chegará às finais da Libertadores, nem mesmo se conseguirá passar à segunda fase, mas a noite de ontem, no Maracanã, decerto ficará na lembrança de cada tricolor que, como eu, lá esteve. Em 18 anos de freqüentador do ex-Maior do Mundo, sinceramente nunca havia assistido a uma exibição de tal nível: além de dominar amplamente a partida, o Fluminense jogou um futebol de sonho, com invertidas, passes rápidos, lançamentos precisos, habilidade e, principalmente, golaços.

Digo isso levando em conta também o nível do adversário. Não se tratava de um Resende, de um Cardoso Moreira, de um Macaé (com todo respeito que esses clubes merecem), nem mesmo de um Coronel Bolognesi. Era, sim, o Arsenal, atual campeão da Copa Sul-Americana e considerado pela imprensa esportiva uma das grandes pedreiras da fase inicial do torneio.

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Dodô: jogador extraclasse teve uma atuação de gala ontem

A cereja no bolo foi a atuação - primorosa - de Dodô, um jogador de altíssimo nível, que sempre defendi como titular, mesmo sob a crítica de meus confrades. O segundo gol - uma emendada de primeira, arrematando o lançamento do Tiago Neves - entra desde já para a lista dos mais belos do Maracanã. Um gol de quem conhece.

Da mesma forma, foi também ver o pó-de-arroz (na verdade, o talco), símbolo da torcida, de volta aos estádios. A absurda proibição era um atentado contra a tradição tricolor. Mais do que isso: um golpe contra a tradição do próprio futebol, que se alimenta desses símbolos historicamente constituídos, como o urubu do Flamengo, o diabo do América (que também tentaram destruir)... Que o retorno seja definitivo.

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A dica de 'Toni Platão' Escrito em 05 de março de 2008
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"Já que nunca fui um ser auto-promocional, posso dar essa dica sem querer estar vendendo meu peixe. Por mais que meu peixe tenha relação com a dica. Minha dica é conferir o mais simpático lugar de shows intimistas, ou em momentos intimistas, visto que Dado Villa-lobos, um ser elétrico, andou por lá também: é a Letras & Expressões de Ipanema. A casa é toda ótima, mas estou falando da casa de shows no terceiro andar. O Bar do Zira, homenagem ao Ziraldo. O som é mais que honesto, o ambiente é aconchegantemente e simpático, e os preços permitem que se retorne, se é que vocês me entendem. A programação é muito bem cuidada e a casa, principalmente para o povo da Zona Sul, super acessível. Vale a pena dar uma conferida."

* Cantor, compositor e tricolor, não necessariamente nesta ordem.

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O blog do livro Escrito em 04 de março de 2008
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O lançamento do livro está marcado para dia 25 de março - anotem na agenda -, mas o Flávio Izhaki já colocou no ar o blog de seu romance de estréia (De cabeça baixa). O blog traz a sinopse da história, o texto da orelha (que, orgulhosamente, assino), informações sobre o trailer promocional, além de informações gerais sobre o livro, que ganhou uma lindíssima capa da Mariana Newlands. Confiram aqui.

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Gabeira Escrito em 04 de março de 2008
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Bom saber que este ano poderei novamente ter orgulho de votar para prefeito do Rio.

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Etc. Escrito em 03 de março de 2008
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. Hoje, no Teatro Rival, as amigas Nilze Carvalho e Luiza Dionísio farão show em tributo à Dona Ivone Lara, com a participação da homenageada. O espetáculo está marcado para 19h30, e os ingressos custam R$ 30 (os 150 primeiros pagam R$ 20);

. Quem acaba de estrear um blog é o amigo Braulio Neto. No Palato e palavra, ele trata de música, gastronomia, futebol e política, entre outros assuntos, com a verve e a paixão que o caracterizam;

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. É possível que muito em breve esteja fora de circuito, então dou um conselho: não percam o esplêndido Desejo e reparação, transposição para as telas do romance de Ian McEwan. A adaptação feita pelo diretor Joe Wright é de altíssimo nível, mantendo a essência da história narrada no livro e explorando com competência a spossibilidades dos recursos cinematográficos. A fotografia, centrada em planos expressivos e pouco óbvios, e a trilha sonora, pontuada pelas teclas de uma máquina de escrever, são alguns dos destaques da produção - que reencena, sob a forma de imagem, o notável 'ensaio' de McEwan sobre a arte do ficcionista.

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Histórias possíveis Escrito em 03 de março de 2008
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A revista virtual Histórias possíveis, editada pelo André de Leones, acaba de chegar à 12ª edição e eu finalmente fiz minha estréia lá, com um poeminha (confira aqui). A idéia do site é publicar textos ficcionais baseados em fatos reais. Os amigos Henrique Rodrigues, Lucia Bettencourt e Ronize Aline são alguns dos autores que integram o escrete da revista.

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