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Gota d'água Escrito em 25 de fevereiro de 2008
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Na sexta, a convite da gentil Kelzy Ecard, fui conferir a montagem de Gota d'água que está em cartaz no Teatro Glória. E lhes digo: que montagem! Nas pouco mais de duas horas e meia, o afiadíssimo elenco consegue explorar toda a contundência crítica do texto de Paulo Pontes e Chico Buarque - uma adaptação, para a modernidade, da Medéia (de Eurípedes). Num cenário simples mas funcional, a direção de João Fonseca também é precisa: mesmo nas cenas com marcação mais evidente, a naturalidade é preservada.

Além disso, as (lindas) canções do Chico ganham interpretações convincentes. Fiquei impressionado sobretudo com o desempenho da atriz Izabella Bicalho, que faz o papel da abandonada Joana. Izabella realiza um trabalho absolutamente visceral, que cresce ainda mais nos momentos em que ela canta músicas como Basta um dia, Bem querer e À flor da idade. No sexta, a atriz foi diversas vezes aplaudida em cena aberta. Com todos os méritos.

A qualidade do espetáculo é tamanha que mesmo as passagens mais datadas do texto acabam soando irrelevantes no cômputo geral. Deixo, aqui, meus parabéns públicos a todo o grupo, especialmente à Kelzy, que já havia participado, em 2007, de outra montagem de primeiro nível no mesmo Glória: Rasga coração, de Vianinha. Esse trabalho de resgate da dramaturgia dos anos 1970 me parece fundamental, já que possibilita o acesso a peças que muita gente da minha geração - e das posteriores - só conhece a partir da leitura.

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