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Despedidas Escrito em 13 de fevereiro de 2008
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Romario.jpg Guga.jpg

É patética, e por isso mesmo triste, a cena final de Romário como jogador (e, vá lá, técnico). A abrupta saída do Vasco, inflada de motivos mas também de sentimentos contraditórios com relação ao 'pai' Eurico Miranda, o flerte com o Flamengo em mais uma jogada marqueteira de Kléber Leite, a discussão sobre a retirada ou não de sua estátua de São Januário, tudo isso ameaça empanar uma carreira brilhante e vitoriosa dentro das quatro linhas.

Quem costuma ler o Pentimento, sabe que sou fã do Baixinho. Nas duas oportunidades em que atuou no meu time - o Fluminense -, defendi ardorosamente sua contratação. Sempre admirei também o fato de não se dobrar ao discurso 'politicamente correto' adotado pela absoluta maioria dos nossos jogadores, que abdicaram da personalidade e transformaram-se em bonecos repetidores de frases-feitas. Romário decerto merecia um último movimento mais digno do que esse teatro de segunda categoria ao qual assistimos.

O Baixinho perdeu para um adversário implacável - o tempo. No caso do tenista Gustavo Kuerten, que também começa a se despedir, a derrota foi para a própria condição física. Vencedor sob qualquer aspecto que se possa avaliar, Guga fez o que podia, e no entanto não conseguiu driblar o crônico problema no quadril. Por isso as lágrimas que rolaram de seu rosto ontem, ao ser eliminado de um torneio na Bahia e reconhecer que enfim sucumbiu, foram tão comoventes.

Guga chorou sua decepção com a curta carreira. Chorou o corte nas expectativas que ele mesmo – e seus fãs – alimentaram de uma sempre prometida e adiada ‘volta por cima’. Chorou sobretudo a impotência diante da dor, personificada no pedido de desculpas - desnecessário, mas digno toda vida – que sublinhou a sinceridade crua de um craque cheio de talento e - coisa rara - sem afetação.

O cronista Paulo Mendes Campos escreveu certa vez que o crepúsculo encena a hora descompassada do ocaso, "quando não é ainda, mas é quase". É diante desse lento anoitecer que, cada qual a seu modo, Romário e Guga sorvem em angústia o calor íntimo das derradeiras luzes do dia.

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