
Recomendo a leitura de dois textos assinados pelo Eduardo Carvalho e que tratam (ainda) do histórico desfile do Império Serrano. Seguem trechos de ambos, que podem ser lidos na íntegra aqui e aqui.
"Rapaz, quando encontrei o meu (o nosso) querido amigo Júnior de Oliveira na Marquês de Sapucaí, mais precisamente na concentração da Presidente Vargas, ali pelas quatro da madrugada de domingo, um bom presságio me veio, de imediato. "Bem que o Império podia arrebentar", pensei, ao vê-lo, imperiano nato, de fato e de direito. Nos abraçamos, o neto do velho Silas fez no celular a foto que ilustra essas palavras, conversamos um pouco, e segui pra ver o Império Serrano passar.Ver, não, testemunhar. Passar, não, sambar, flutuar. O que fez aquela gente da Serrinha, de Madureira e adjacências, debaixo daquela água intensa, incrível, foi de arrepiar até poste. (...) Esse prólogo todo é pra dizer que - mil perdões, Beija-Flor - o carnaval 2008 é todinho do Império Serrano. É integralmente da Serrinha e de Madureira, a grande capital do subúrbio. É daquele canto inacreditável que envolveu a Sapucaí encharcada, já quase na manhã de domingo. É da garra, da emoção em estado bruto, de um carnaval que ainda vale a pena, apesar das Escolas de Samba S.A. (...)"
"A Marquês de Sapucaí já viveu noites muito melhores do que essas do carnaval 2008, o mais insosso dos últimos dez ou doze anos. Vocês querem logo saber o que se salvou - e nos salvou - nesse desfile de mesmices e rara emoção? Pois eu digo: O Império Serrano. O que aconteceu já quase na manhã de domingo, no apagar das luzes do Acesso, foi de uma magia difícil de explicar. Debaixo de uma água daquelas, o Império, eterno "Menino de 47", entrou na avenida com uma força que só vendo, cantou de um jeito que nem ouvindo a gente acreditava, dançou para os deuses do carnaval e do samba como fazia antigamente. Com um carnaval pobre, pegando emprestadas ferragens dali, vidraçaria de lá, mão-de-obra de acolá - e por aí afora -, a escola juntou os cacos e fez um desfile histórico. Teve muita gente chorando, eu vi, banhado que estava na cabeceira da pista. (...)"
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