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Confiança que se renova Escrito em 28 de janeiro de 2008
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Zezé Motta canta a liberdade, tema caríssimo ao Império

Até a Zezé Motta apareceu por lá - e cantou Senhora Liberdade, devidamente acompanhada no samba no pé por Quitéria Chagas. Zezé, Délcio Carvalho (que desfilou alguns de seus sucessos, como Acreditar, Sonho meu, Vendaval da vida), Luiza Dionísio (inspiradíssima e claramente emocionada por apresentar-se pela primeira vez no local), Conceição de Almeida e Andréia Caffé (atrações da feijoada imperial), além da Velha Guarda e do Jongo da Serrinha, foram algumas das estrelas luminosas que passaram por Madureira no sábado passado. Uso o termo ‘algumas’ porque a estrela maior, naquela noite, foi o estado de espírito que grassou na quadra, completamente tomada por imperianos que mostravam, nas camisas, seu desmedido amor pela escola.

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Délcio Carvalho: imperiano de fé fez desfilar os seus sucessos

(Um parêntese: li hoje, no blog Roda de samba, o Frederico Soares asseverar, referindo-se à Mangueira, que “em nenhuma outra agremiação se encontra tanta paixão, tanto fervor por um pavilhão”. Certamente, ele não estava em Madureira no sábado. Certamente, não tem acompanhado as seguidas lições de devoção que os imperianos vêm dando com relação à sua escola. Sim, porque paixão se mostra também – e sobretudo – quando a luta é para se reerguer, o que por muito pouco não precisou ser feito pela própria verde-rosa já alguns anos. Paixões, mais do que isso, não podem ser medidas ou comparadas, nem sob o viés de vitória ou derrota, nem sob a perspectiva de maioria ou minoria. São paixões – e quem as devota merece respeito).

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A vice-presidente Raquel Valença e o nosso grupo, no palco

No momento em que fomos chamados ao palco – nós, do grupo que se reuniu há pouco mais de um mês para ajudar o Império por pura paixão -, a sensação era de que efetivamente conseguimos fazer algo. A festa lotada (coisa bonita ouvir um diretor de harmonia falar que a noite lembrou antigos ensaios, ao juntar sambas-de-enredo e sambas de terreiro), o Teatro Rival com gente voltando da porta, o sucesso das camisas (todas as 1200 vendidas), a reviravolta no ânimo geral, tudo isso a gente viu acontecer paulatinamente – e, sem falsa modéstia, deu uma pequena parcela para que acontecesse. Foram horas roubadas do trabalho, do lazer, do sono... Mas nada teria ocorrido se não estivéssemos lidando com um gigante como o Império Serrano.

(Outro parêntese: às vezes, o próprio Império parece se esquecer de si e aceitar o lugar subalterno que a ‘era das superescolas S.A.’ covardemente lhe legou. Como bem disse o Carlos Alberto Machado durante a festa, chega desse papo de ‘escola coitadinha’. Somos o Império Serrano, dono de nove títulos, de uma tradição singular, de sambas memoráveis, e não queremos pena, mas respeito - inclusive de jornalistas e jurados).

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Danielle Nascimento e Charles, na entrega da bandeira de 2008

Pudemos presenciar - bem de perto, abraçados uns aos outros e ao pessoal da Comissão de Carnaval e dos Imperionautas (sempre fiéis e presentes) - a entrega do estandarte oficial de 2008, devidamente benzido na Igreja de São Jorge, à porta-bandeira Danielle Nascimento. A quadra inteira aplaudia e cantava o novo samba, com a animação que sobrou em 2006 e faltou em 2007. Encenava-se, ali, a supremacia da grandeza sobre o que é comezinho. Renovava-se, ali, a confiança de que, no ano que vem, estaremos de volta ao nosso lugar, de modo que o Grupo Especial poderá novamente ser considerado um Grupo realmente Especial.

(Último parêntese: vocês não têm idéia do que significou, para mim, subir naquele palco).

P.S. Confira as fotos da I Noite do Imperiano de Fé, feitas pela F., aqui

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