
O Segundo Caderno (O Globo) de ontem trouxe, em sua capa, ótima matéria assinada pela dupla Miguel Conde e André Miranda. A reportagem aponta que apenas um livro de autor nacional (Elite da tropa, de Rodrigo Pimentel, André Batista e Luiz Eduardo Soares) entrou na lista dos dez títulos mais vendidos na área da ficção adulta em 2007 e investiga as razões desse aparente desprestígio da literatura brasileira (ao menos em termos de leitor).
Trata-se de um debate revelante (e urgente). Já levantei essa questão aqui algumas vezes e concordo com a professora Beatriz Resende, entrevistada na matéria, quando ela afirma que um dos principais motivos é o baixo (eu diria ridículo) investimento das editoras nos títulos de escritores brazucas, sobretudo se comparados às vultosas somas investidas no marketing de livros comprados nas feiras internacionais. A briga é desigual, covarde mesmo.
O amigo Fernando Molica, também jornalista e escritor, costuma acrescentar uma segunda causa. Para ele, depois de passada a ressaca pós-ditadura e o desencanto os rumos do governo Lula, há uma completa desilusão dos brasileiros com o país. Somo a essa impressão nosso deslumbramento 'primeiro-mundista', que valoriza qualquer coisa que tenha o verniz de 'importado' ou chegue subscrito pelas revistas estrangeiras.
No fundo, acredito que o retrato exposto na reportagem de O Globo certamente é uma soma de vários desses fatores. Mas não posso aceitar como natural ver um grande e consagrado autor como Sérgio Sant'anna festejar a venda de 5 mil exemplares num país de quase 200 milhões.
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