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Cadê os nacionais? Escrito em 31 de janeiro de 2008
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O Segundo Caderno (O Globo) de ontem trouxe, em sua capa, ótima matéria assinada pela dupla Miguel Conde e André Miranda. A reportagem aponta que apenas um livro de autor nacional (Elite da tropa, de Rodrigo Pimentel, André Batista e Luiz Eduardo Soares) entrou na lista dos dez títulos mais vendidos na área da ficção adulta em 2007 e investiga as razões desse aparente desprestígio da literatura brasileira (ao menos em termos de leitor).

Trata-se de um debate revelante (e urgente). Já levantei essa questão aqui algumas vezes e concordo com a professora Beatriz Resende, entrevistada na matéria, quando ela afirma que um dos principais motivos é o baixo (eu diria ridículo) investimento das editoras nos títulos de escritores brazucas, sobretudo se comparados às vultosas somas investidas no marketing de livros comprados nas feiras internacionais. A briga é desigual, covarde mesmo.

O amigo Fernando Molica, também jornalista e escritor, costuma acrescentar uma segunda causa. Para ele, depois de passada a ressaca pós-ditadura e o desencanto os rumos do governo Lula, há uma completa desilusão dos brasileiros com o país. Somo a essa impressão nosso deslumbramento 'primeiro-mundista', que valoriza qualquer coisa que tenha o verniz de 'importado' ou chegue subscrito pelas revistas estrangeiras.

No fundo, acredito que o retrato exposto na reportagem de O Globo certamente é uma soma de vários desses fatores. Mas não posso aceitar como natural ver um grande e consagrado autor como Sérgio Sant'anna festejar a venda de 5 mil exemplares num país de quase 200 milhões.

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A dica de 'João Carlos Rodrigues' Escrito em 30 de janeiro de 2008
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"Minha dica é o livro A utopia brasileira e os movimentos negros, do baiano Antonio Risério (Editora 34). Com linguajar sem estribeiras, mas embasado em ampla pesquisa e bibliografia, Risério apresenta, analisa e disseca a influência negra na cultura brasileira, incluindo áreas pouco estudadas, como o futebol. Esse livro já é candidato a mais importante lançamento político do ano, pela coragem de expor o confronto entre o sincretismo brasileiro (de fundo católico e espírita) e o multiculturalismo americano (de origem puritana e protestante), que alguns tentam importar para cá sem adaptações, com cotas raciais (e não sociais) e estatutos onde a raça é definida por lei (como no III Reich) e não pela aparência. Risério chama o multiculturalismo (desenvolvimento separado sem mistura) de "apartheid da esquerda" (eu já acho que é de direita, apoiado por "certa" esquerda oportunista). Lembra também que os Estados Unidos são o único país do mundo onde o filho de branco e negra, ou vice versa, é considerado negro, e não mestiço (vide Obama Barak). Não é conveniente importar esses conceitos fajutos para a geléia geral brasileira. O autor é muito polêmico e é bom que assim seja, pois o Brasil anda muito borocoxô e sem debate esclarecido sobre o tema. Para quem anda sem tempo, recomendo especialmente os capítulos 1 e 8. E destaco uma verdade hilariante no segundo parágrafo da página 310. Mais não digo. Leiam o livro".

* Jornalista e escritor. Autor, entre outros livros, de 'O negro brasileiro e o cinema', 'João do Rio/Catálogo bibliográfico/1899-1921' e 'João do Rio: uma biografia'.

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Palavra do Ruy Escrito em 30 de janeiro de 2008
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(...) O Império Serrano, que retomou seu enredo campeão de 1972 sobre Carmen Miranda - sobre quem também escrevi um livro - para, neste sábado, tentar voltar ao lugar que lhe compete, o Grupo Especial. (...)

Trecho da coluna de hoje do Ruy Castro, na Folha de S. Paulo, com grifo meu.

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As antenas da cidade Escrito em 29 de janeiro de 2008
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Nesta semana atropelada pelo fechamento do jornal e a finalização de uma resenha já atrasada, deixo com vocês o belo textos publicado pelo Contardo Calligaris em sua coluna na Ilustrada (Folha de S. Paulo). O artigo tem como gancho o filme O signo da cidade, ainda a estrear, mas já capaz de provocar (ao menos em mim) muitas expectativas.

Porém, mais do que comentar o filme, o que Calligari faz em sua coluna é uma leitura sensível da matéria que pulsa sob as antenas (só para usar uma imagem que me é cara, ao ponto de tê-la colocado na capa de meu mais recente livro): as vidas, pequeninas, dos habitantes da cidade, que podem ser "cruéis e solitárias", mas também plenas de beleza. Segue o texto, na íntegra:

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"O signo da cidade"

Contardo Calligaris

"Numa noite da semana passada, estive na festa de aniversário de um amigo que mora ao norte da avenida Paulista. Eu moro não muito longe dele, mas ao sul da Paulista. A paisagem urbana visível pelas janelas de nossos apartamentos é, portanto, diferente -salvo pela silhueta dos prédios mais altos e pelas antenas da Paulista, que ambos avistamos, embora de lados opostos. Naquela noite, aliás, a nova antena digital da Globo brilhava esverdeada.

Gosto das antenas da Paulista. Sua luz, que todos podemos enxergar contra o céu escuro, funciona um pouco, para mim (sobretudo num fim de festa, quando é hora de a gente se separar), como o sinal de que, por mais que estejamos "perdidos na noite suja", a cidade não é apenas uma expressão geográfica. As antenas da Paulista, em suma, não são nenhum Cristo Redentor, mas são alguma coisa: um símbolo incerto, mas por isso mesmo talvez mais adequado à realidade urbana.

Justamente, há uma antena da Paulista no filme que estréia amanhã, "O Signo da Cidade", de Carlos Alberto Riccelli, com roteiro de Bruna Lombardi e do próprio Riccelli. É, por assim dizer, uma antena que fala e também escuta: no filme, Teca (Bruna Lombardi) é a astróloga de um programa de rádio. Noite adentro, ela recebe as chamadas dos que não agüentam mais a dureza da vida, seu próprio silêncio e a surdez dos outros. E Teca responde como pode,
com ou sem a ajuda dos astros.

O roteiro, então, é plural, composto de uma variedade de histórias (como alguns dos meus filmes preferidos, "Magnólia" ou "Crash - No Limite"), mas, graças à figura central de Teca, as diferentes histórias tocam, por assim dizer, uma música só -o filme é uma pequena sinfonia da cidade.

Certo, as vidas que se cruzam podem ser cruéis e solitárias. Há a moça deitada no sangue de um aborto que ela produziu à força, num hotel miserável. Há o moço que se perde pelas ruas porque sua mãe se suicidou. Há o agente de viagem picareta, o assaltante-segurança, o pai de Teca que está morrendo no hospital, o travesti que esbarra na violência da noite, uma sem-teto que dá à luz num estacionamento e por aí vai.

Essa turma de vira-latas somos nós: paradoxalmente próximos e separados, cruzando a cada dia com centenas de destinos sobre os quais, claro, não queremos saber nada -nem o óbvio, ou seja, que eles nunca nos são completamente estrangeiros.

Na aldeia, passando pela fazendola do vizinho, posso me preocupar com ele: não vi sua luz acesa ontem, será que ele está bem? Mas, para conseguir atravessar o viaduto do Chá, preciso esquecer a humanidade que compartilho com os outros, preciso que a vida deles não me interesse, preciso fechar um pouco os ouvidos e os olhos. É a regra da vida urbana. Por isso, os filmes urbanos plurais, em geral, são amargos.

Esse não é o caso do filme de Riccelli. Talvez seja por seu jeito tocante de filmar a cidade, que, embora familiar e reconhecível, torna-se "encantada" e, embora brutal, torna-se estranhamente amável. Ou talvez seja pela qualidade do próprio roteiro ou pela bonita atuação de Bruna Lombardi (e de todos os atores, de fato). De qualquer forma, o fato é que "O Signo da Cidade" consegue um pequeno milagre: é um filme sobre a selvageria da convivência urbana, mas terno e comovedor.

Assisti ao filme pela primeira vez na Mostra de Cinema de São Paulo e voltei a pé do shopping Frei Caneca até os Jardins, feliz, por uma vez, de estar sem carro. Olhava para os paulistanos que eu cruzava como numa brincadeira que fazia quando criança: caminhava pelas ruas no fim do dia, olhava para as janelas, sonhava e tentava me identificar com as vidas que ali aconteciam, tão próximas da minha e tão diferentes dela.

Entro em férias e volto a escrever depois do Carnaval, em 14 de fevereiro. Graças ao "Signo da Cidade", saio de São Paulo com nostalgia.

Por coincidência, o filme estréia em 25 de janeiro. É o aniversário da cidade. A produção anunciou que, por isso mesmo, amanhã, dia 25 de janeiro, o ingresso custará só R$ 1. Não perca: não posso imaginar melhor maneira de celebrar o aniversário de São Paulo.

Eu sei, em geral, tendemos a pensar que não há nada para festejar. Pois bem, o filme nos ajuda a acreditar que talvez não seja bem assim, que talvez ainda seja possível apostar na convivência de tantos humanos nestes poucos quilômetros quadrados".

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Confiança que se renova Escrito em 28 de janeiro de 2008
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Zezé Motta canta a liberdade, tema caríssimo ao Império

Até a Zezé Motta apareceu por lá - e cantou Senhora Liberdade, devidamente acompanhada no samba no pé por Quitéria Chagas. Zezé, Délcio Carvalho (que desfilou alguns de seus sucessos, como Acreditar, Sonho meu, Vendaval da vida), Luiza Dionísio (inspiradíssima e claramente emocionada por apresentar-se pela primeira vez no local), Conceição de Almeida e Andréia Caffé (atrações da feijoada imperial), além da Velha Guarda e do Jongo da Serrinha, foram algumas das estrelas luminosas que passaram por Madureira no sábado passado. Uso o termo ‘algumas’ porque a estrela maior, naquela noite, foi o estado de espírito que grassou na quadra, completamente tomada por imperianos que mostravam, nas camisas, seu desmedido amor pela escola.

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Délcio Carvalho: imperiano de fé fez desfilar os seus sucessos

(Um parêntese: li hoje, no blog Roda de samba, o Frederico Soares asseverar, referindo-se à Mangueira, que “em nenhuma outra agremiação se encontra tanta paixão, tanto fervor por um pavilhão”. Certamente, ele não estava em Madureira no sábado. Certamente, não tem acompanhado as seguidas lições de devoção que os imperianos vêm dando com relação à sua escola. Sim, porque paixão se mostra também – e sobretudo – quando a luta é para se reerguer, o que por muito pouco não precisou ser feito pela própria verde-rosa já alguns anos. Paixões, mais do que isso, não podem ser medidas ou comparadas, nem sob o viés de vitória ou derrota, nem sob a perspectiva de maioria ou minoria. São paixões – e quem as devota merece respeito).

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A vice-presidente Raquel Valença e o nosso grupo, no palco

No momento em que fomos chamados ao palco – nós, do grupo que se reuniu há pouco mais de um mês para ajudar o Império por pura paixão -, a sensação era de que efetivamente conseguimos fazer algo. A festa lotada (coisa bonita ouvir um diretor de harmonia falar que a noite lembrou antigos ensaios, ao juntar sambas-de-enredo e sambas de terreiro), o Teatro Rival com gente voltando da porta, o sucesso das camisas (todas as 1200 vendidas), a reviravolta no ânimo geral, tudo isso a gente viu acontecer paulatinamente – e, sem falsa modéstia, deu uma pequena parcela para que acontecesse. Foram horas roubadas do trabalho, do lazer, do sono... Mas nada teria ocorrido se não estivéssemos lidando com um gigante como o Império Serrano.

(Outro parêntese: às vezes, o próprio Império parece se esquecer de si e aceitar o lugar subalterno que a ‘era das superescolas S.A.’ covardemente lhe legou. Como bem disse o Carlos Alberto Machado durante a festa, chega desse papo de ‘escola coitadinha’. Somos o Império Serrano, dono de nove títulos, de uma tradição singular, de sambas memoráveis, e não queremos pena, mas respeito - inclusive de jornalistas e jurados).

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Danielle Nascimento e Charles, na entrega da bandeira de 2008

Pudemos presenciar - bem de perto, abraçados uns aos outros e ao pessoal da Comissão de Carnaval e dos Imperionautas (sempre fiéis e presentes) - a entrega do estandarte oficial de 2008, devidamente benzido na Igreja de São Jorge, à porta-bandeira Danielle Nascimento. A quadra inteira aplaudia e cantava o novo samba, com a animação que sobrou em 2006 e faltou em 2007. Encenava-se, ali, a supremacia da grandeza sobre o que é comezinho. Renovava-se, ali, a confiança de que, no ano que vem, estaremos de volta ao nosso lugar, de modo que o Grupo Especial poderá novamente ser considerado um Grupo realmente Especial.

(Último parêntese: vocês não têm idéia do que significou, para mim, subir naquele palco).

P.S. Confira as fotos da I Noite do Imperiano de Fé, feitas pela F., aqui

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I Noite do Imperiano de Fé Escrito em 25 de janeiro de 2008
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Amanhã, a partir das 21h, o Império Serrano promoverá em sua quadra a I Noite do Imperiano de Fé. Idéia do fiel imperiano Carlos Alberto Machado, encampada por nós do grupo que se mobilizou para ajudar a escola, a festa será um grande encontro de confraternização entre aqueles que amam a verde-e-branco de Madureira, além de funcionar como um 'grito de guerra' (pleno de paz) para o desfile de semana que vem.

Délcio Carvalho, grande parceiro de Dona Ivone Lara; Luiza Dionísio, destaque entre as novas cantoras da Lapa; além das ‘pratas-da-casa’ Andréia Caffé e Conceição de Almeida, serão algumas das atrações da noite, que contará ainda com apresentações de Jorginho do Império, do pessoal do jongo, das Meninas da Serrinha e da Velha Guarda Show.

A bateria nota 10 de Mestre Átila, considerada a melhor do carnaval carioca, a rainha Quitéria Chagas, o puxador oficial, Gonzaguinha, e o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Charles e Danielle, também estarão na quadra. O convite para a festa, que acompanha uma camisa ilustrada com a bandeira da escola e a frase Sou imperiano de fé, custa apenas R$ 15 e já está sendo comercializado na boutique da escola. Haverá venda no dia.

Estarei lá e conto com vocês para essa grande noite.

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Meme Escrito em 25 de janeiro de 2008
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Recebi este meme da Adriana Lisboa. Passo a bola para Flavio Izhaki, Flavia Rocha, Fernando Molica, Rosana Caiado e Paulo Thiago de Mello.

Minhas respostas:

1. O que você estava fazendo em 1978 (há 30 anos)?
Assistindo a Vila Sésamo, lendo gibi e brincando no parquinho do Tem Tudo.

2. E em 1983, há 25?
Jogando pelada e botão, pescando siri com puçá na praia da Barra, ouvindo os discos do Caetano Velloso e lendo gibi.

3. O que você estava fazendo em 1988?
Jogando pelada e botão, lendo todos os jornais e devorando livros sobre a história do Brasil pós-1964.

4. E em 1993?
Colando grau na faculdade, fazendo política cheio de fé no PT, lendo jornais e livros de ficção, indo a barzinhos com música ao vivo (credo!).

5. O que estava fazendo há 10 anos?
Trabalhando, lendo, preparando-me para morar sozinho, tentando ver todos os filmes do Wim Wenders, do Truffaut e do Woody Allen, e começando a virar um chato.

6. E há cinco?
Deixando de ser um chato, fazendo novos (e definitivos) amigos, freqüentando o Bip Bip como se fosse minha segunda casa e, como sempre, lendo lendo lendo. Definitivamente, não é uma vida de grandes aventuras.

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Ruy em dose dupla Escrito em 24 de janeiro de 2008
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Daqui a pouquinho, mais exatamente às 18h30, vai rolar o lançamento do livro Era no tempo do rei, de Ruy Castro. O evento acontecerá na Rua do Mercado, em frente à Bolsa do Rio. O picaresco romance promove o encontro de D Pedro I com o protagonista de um dos clássicos da literatura nacional, o Leonardo, de Memórias de um sargento de milícias, escrito por Manuel Antônio de Almeida. O pano de fundo é o Rio de 1810.

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As atividades em torno do Ruy - que esteve conosco na lotadíssima Feijoada do Império no sábado passado (fotos) - prosseguem na semana que vem: na quinta, dia 31, ele será homenageado pela Banda da Rua do Mercado, que promete iniciar seu desfile às 19h. A Banda comemora, em 2008, 10 anos de existência.

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Conversa com o Fiúza Escrito em 24 de janeiro de 2008
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Um bom programa para o sábado à tarde é o evento Livros na mesa, que terá como convidado meu confrade tricolor Guilerme Fiúza. Autor de Meu nome não é Johnny, Fiúza vai falar sobre a produção do livro e a bem-sucedida transposição para as telas. A conversa está marcada para 15h e acontecerá na Casa de Rui Barbosa (Rua São Clemente, 134 - Botafogo), com entrada gratuita.

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Feio ou bonito Escrito em 23 de janeiro de 2008
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Nesta semana, a amiga Adriana Lisboa publicou um interessantíssimo artigo em seu blog. No texto, ela abraça o consenso em torno da idéia de que “ser um bom escritor e escrever bonito”, mas atenta para o contraponto: para ser bom escritor, seria preciso escrever feio? Segue o trecho inicial da análise. Leia a íntegra aqui.

“Existe um consenso diante da questão de que ser um bom escritor e escrever bonito são duas coisas completamente diferentes. Venho a esse assunto porque recentemente li em mais de um lugar novas considerações sobre o tema, reforçando essa opinião. Que também é a minha. Mas, dando mais tratos à bola, notei que quase ninguém fala sobre o outro lado da mesma moeda: ser bom escritor e escrever “feio” guardam a mesma distância semântica, os mesmos anos-luz existentes entre o par lá do início do texto.

Pode ser que num momento de intensa decepção com a humanidade e com o curso das coisas, em que é quase inevitável essa ridícula sensação de impotência, só sobrem palavras de guerra. Porém, é preciso lembrar que isso não equivale, necessariamente, a qualidade, num texto literário. (...)”

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A dica de 'Carlos Andreazza' Escrito em 23 de janeiro de 2008
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"Em momesca busca pela previsibilidade em verde-e-branco, sugiro a quadra do glorioso Império Serrano, em Madureira, a mais humana que há – lá onde, sob as bênçãos de São Jorge, os cariocas, imperianos ou não [mas sabedores todos de que, sem um Império forte, o carnaval será sempre um pouco menos carnaval], encontrar-se-ão neste sábado próximo, dia 26, por ocasião da 1a Noite do Imperiano de Fé, festa de nos lembrar que o carnaval [aquele vivido no chão, íntimo, em que se brinca] ainda é possível e, assim, reunir forças para o nosso redentor desfile do dia 2. Eu acredito".

* Jornalista e escritor. Co-autor do livro 'Contra a juventude - As melhores crônicas tribuneiras'

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Da fidelidade Escrito em 23 de janeiro de 2008
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Vejo hoje, na coluna Gente boa (O Globo), que o senhor Arlindo Cruz foi uma das atrações da festa realizada pela Mangueira no Canecão para arrecadar fundos. De fato, uma ajuda necessária à escola que, além da subvenção da Liesa (mais de R$ 2 milhões), contou com a graninha estatal e com o patrocínio da Prefeitura da Recife (R$ 3 milhões) ao vender seu enredo.

O senhor Arlindo Cruz não esteve no show promovido pelo Império Serrano, "sua escola", no Teatro Rival. O Império luta para sair do Grupo de Acesso - onde foi parar, diga-se, embalado por um samba do mesmo senhor Arlindo). Deve estar nadando em dinheiro.

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Da imbecilidade Escrito em 22 de janeiro de 2008
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Publicado no blog do amigo Marceu Vieira:

"Quatro marmanjos se apropriaram da bandeira do Imprensa Que Eu Gamo, o bloco dos coleguinhas do Rio, enquanto a porta-bandeira estava no banheiro, no desfile de sábado, em Laranjeiras. Os quatro foram vistos logo depois num Kadett (o pessoal do bloco tem a placa) no Elevado São Sebastião, ao lado do Sambódromo, com a bandeira para fora do carro. A brincadeira é boba. A bandeira guarda uma história de 13 anos. A turma apela pela devolução".

Brincadeira boba é pouco, Marceu...

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Um dia cheio Escrito em 22 de janeiro de 2008
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O dia está repleto de eventos bacanas. Cada um deles decerto mereceria um post, mas, para facilitar, resolvi agrupá-los nos itens que se seguem:

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. Hoje, a partir das 18h, vai rolar o lançamento do número 6 da revista literária Grumo, editada pela amiga Paloma Vidal. A festa acontecerá no Espaço Rio Carioca (Rua das Laranjeiras, 307 - anexo das Casas Casadas) e incluirá lições práticas de tango para quem quiser se aventurar da tradicional dança portenha. A Grumo, vale lembrar, é uma publicação conjunta de escritores brasileiros e argentinos;

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Simas e Mussa: uma aula sobre os sambas-de-enredo

. Também hoje, por volta de 19h, os amigos Alberto Mussa e Luiz Antônio Simas farão um promissor espetáculo na Livraria Al Farabi: estudiosos do tema, os dois prometem contar a história do samba-enredo a partir de 48 grandes hinos de nossas escolas, contextualizando o que é cantado. Está prometida a participação especial do poeta Carlito Azevedo, que, como eu soube há alguns dias, é grande conhecedor dos sambas da União da Ilha;

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. Um pouco ainda mais tarde, o querido Moacyr Luz e o pessoal do Samba do Trabalhador farão show no Canecão. A idéia é tentar reviver, na casa de shows de Botafogo, o clima de furdunço que caracteriza o evento normalmente realizado às segundas-feiras no Clube Renascença. O espetáculo está marcado para 21h30.

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Na Rua do Ouvidor Escrito em 21 de janeiro de 2008
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"Caros companheiros, acabo de chegar em casa feliz da vida. 10 anos de livraria Folha Seca, num dia de São Sebastião que parecia mais de São Pedro. Todos torcendo para que a chuva não caísse, mas no final das contas ela foi muito bem vinda, já que uniu o povo de uma forma emocionante. Quando a roda cantou Império Serrano foi um êxtase total, até os músicos ficaram surpresos com a vibração da massa que populava a rua do Ouvidor (...)".

Não fui eu que escrevi o texto acima. Foi o Felipinho, do Bohemia e nostalgia. Que nem é imperiano, mas testemunhou o espetacular momento vivido por tantos de nós no dia de ontem. A empolgação fez com que rapidamente fossem vendidas 23 camisas da festa que acontecerá no próximo sábado na quadra (na foto abaixo, estamos eu, Cesar Tartaglia e o Carlinhos, o gentilíssimo dono do 'Antigamente'. Carlinhos é um amigo português que só nasceu em Lisboa porque "deram um tiro na cegonha", como ele mesmo costuma dizer).

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Glória Bomfim Escrito em 21 de janeiro de 2008
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Quem recomenda é a Monica Ramalho, que entende do riscado: amanhã, às 20h, vai rolar no Trapiche Gamboa o show de lançamento do disco Santo e orixá, de Glória Bomfim. O CD da cantora baiana traz 14 faixas, todas elas compostas pelo grande Paulo César Pinheiro. Inéditas, as canções transitam pelo universo dos rituais e da simbologia do candomblé. Muitas, inclusive, têm a forma de cantigas de santo. Promissor, não?

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'Depois dos temporais' Escrito em 18 de janeiro de 2008
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Ivan Lins / Vitor Martins

"Sempre viveram no mesmo barco
Foram farinha do mesmo saco
Da mesma marinha, da mesma rainha
Sob a mesma bandeira
Tremulando no mastro
E assim foram seguindo os astros
Cortaram as amarras e os nós
Deixando pra trás o porto e o cais
Berrando até perder a voz
Em busca do imenso,
Do silêncio mais intenso
Que está depois dos temporais

E assim foram sempre em frente
Fazendo amor pelos sete mares
Inchando a água de alga e peixe
Seguindo os ventos
As marés e as correntes
O caminho dos golfinhos
A trilha das baleias
E não havia arrecifes
Nem bancos de areia
Nem temores, nem mais dores
Não havia cansaço
Só havia, só havia azul e espaço"

P.S. Fiz a foto acima ao cair da tarde de terça passada, na saída do trabalho, esquina das avenidas Marechal Câmara e Beira Mar...

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Sambísticas Escrito em 18 de janeiro de 2008
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. Três novos blogs entram hoje para a lista de links indicados do Pentimento. No Blog do Cláudio Jorge, o cantor e compositor botafoguense escreve sobre samba, mas também sobre bohemia e cultura. O Palmeira do Mangue é mantido por ninguém menos do que Aldir Blanc. Com sua pena afiadíssima, Aldir comenta o futebol, a política e a canção brasileira. Já no Samba, boemia e vagabundos, mantido por Eduardo Carvalho e pelo amigo Gabriel Cavalcante, o destaque é mesmo o samba. Todos os três espaços valem a visita.

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. Amanhã rolará mais uma edição de Feijoada do Império Serrano. Quem vai prestigiar o evento é o escritor Ruy Castro, autor da recém-lançada biografia de Carmen Miranda. A Pequena Notável, vale lembrar, é o enredo da escola da Serrinha para este ano. Além disso, haverá uma homenagam da Serrinha à Velha Guarda da Mangueira e a apresentação oficial da nova porta-bandeira, Danielle Nascimento (filha da grande Vilma da Portela). Ingressos a R$ 5. A feijoada custa R$ 10, com direito a uma capirinha.

. As fotos que a F. fez do show no Teatro Rival já estão no ar. Confira aqui.

. Recomendo a leitura do artigo Carnaval privatizado e reservado, escrito pela vereadora Tereza Bherger e publicado na seção Opinião (página 7 da edição de hoje de O Globo). Confira aqui.

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. O melhor programa para o próximo domingo é, sem dúvida, a comemoração dos 10 anos da Folha Seca, livraria mui querida por todos os que gostam de literatura, de samba, de futebol e do Rio de Janeiro. A data será festejada com uma roda de samba comandada pelos amigos Tiago Prata e Gabriel Cavalcante em plena Rua do Ouvidor. Os trabalhos começam às 14h, e os restaurantes do entorno estarão abertos para o almoço.

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I Noite do Imperiano de Fé Escrito em 17 de janeiro de 2008
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Já estão à venda os convites para a I Noite do Imperiano de Fé, que acontecerá no próximo dia 26, na quadra da escola, com várias atrações. Quem comprar o convite, que custa apenas R$ 15, ganha esta camisa da foto aí em cima. A renda obtida com as vendas será revertida ao barracão, onde o trabalho anda a todo vapor.

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A bela noite de ontem Escrito em 17 de janeiro de 2008
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Tia Maria e o jongo da Serrinha: uma das atrações da noite

Comecei a chorar assim que o Jorginho do Império entrou no palco e, diante de um Teatro Rival vibrante e completamente lotado (os ingressos foram todos vendidos), cantou à capela um lindo samba de terreiro que ele havia nos mostrado dias antes, durante uma reunião do barracão. Depois chorei quando a Andréia Caffé, talento jovem da Serrinha, não conseguiu segurar as pontas e deixou o sentimento escorrer rosto abaixo no meio de sua apresentação.

Choraria - assim como tantos outros choraram, num impressionante acesso de franca emoção - por mais duas ou três vezes no decorrer da noite, da bela noite, de ontem. Uma noite em que o Império Serrano foi grande conforme sua história. Um noite na qual, como bem disse o amigo Jener, aqueles que não torcem para a escola decerto tiveram uma saudável inveja de quem é imperiano.

Com sinceridade, me sinto impotente para descrever o que aconteceu. A F. colocou as fotos num álbum virtual, que pode ser acessado aqui. Tomara que as imagens possam dar ao menos uma vaga idéia do clima que vingou no Teatro Rival. Porque uma coisa é certa: deu um orgulho danado de ser Império Serrano.

P.S. Ainda sobre a festa, recomendo a leitura de dois textos: os relatos feito pelo Eduardo Goldenberg, no Buteco do Edu, e pelo Carlos Andreazza, no Tribuneiros. Andreazza é definitivo ao afirmar: "O Império Serrano precisa de muito trabalho para ter a estrutura duma Grande Rio. É sabido. A Grande Rio, porém, nunca será o Império Serrano". Assino embaixo.

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'O Império tocou reunir' Escrito em 16 de janeiro de 2008
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Hoje, apesar de quarta-feira, não publicarei aqui a dica de nenhum convidado. E o motivo é simples: mais tarde, precisamente a partir das 19h30, o Império Serrano realizará um grande show no Teatro Rival, e não poderia haver dica melhor. O evento tem como um dos objetivos arrecadar fundos para viabilizar um belo desfile no próximo carnaval. Mas, mais do que isso, a idéia é concentrar as melhores energias de imperianos de fé e amigos da escola, dando uma inequívoca prova de força antes da disputa visando à volta ao Grupo Especial.

Nas últimas semanas, trabalhei obsessivamente para que esse espetáculo seja um sucesso. As expectativas são imensas. Primeiro, porque os artistas a quem convidei pessoalmente aceitaram de pronto e com indisfarçável entusiasmo participar do show, trocando o cachê pelo carinho com o Império. Falo de gente de primeira qualidade, como Moiseys Marques, Nilze Carvalho, Cláudio Jorge, Wanderley Monteiro e Dorina.

Reforçando o time, o Jorginho do Império levará para o palco também as imperianas Conceição de Almeida e Andréa Caffé. Quem também estará no teatro será o imperiano João Bosco, que, com seu violão, certamente cantará a preciosa Heróis da liberdade (na minha opinião, o samba-enredo mais bonito da história), além de pérolas que marcaram a sua carreira.

Priorizamos, no repertório, sambas ligados de alguma forma à Serrinha. Criações de Dona Ivone Lara, Délcio Carvalho, Roberto Ribeiro, Zé Luiz, Nei Lopes, Tio Hélio, Campolino, Aldir Blanc, Wilson das Neves, entre outros compositores que honram e orgulham a música brasileira, por terem traçado - e felizmente ainda traçarem - um caminho de riqueza e pujança dentro de nossa cultura.

O pessoal do jongo da Serrinha e a Velha Guarda Show - presidida pelo já citado Zé Luis e integrada por nomes do naipe de Aluízio Machado - serão mais duas entre as atrações da festa em verde-e-branco, cujo encerramento caberá à bateria Estandarte de Ouro comandada por Mestre Átila, com o samba-enredo de 2008.

Então, como disse o poeta, "não me perguntes pra que samba eu vou, porque eu direi: eu vou pro Império Serrano, sim, senhor".

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Contra a juventude Escrito em 15 de janeiro de 2008
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O amigo e grande imperiano Carlos Andreazza lança hoje, a partir das 20h, na Argumento do Leblon, o livro Contra a juventude. A obra reúne alguns dos melhores textos publicados por ele e seus fiéis escudeiros - Felipe Moura Brasil e Bruna Demaison - no site Tribuneiros.

Aviso aos navegantes: quem ainda não conhece a prosa do Andreazza, está perdendo. Numa época de tanta pose e de tão pouco conteúdo, seus textos são um verdadeiro alento: caudalosos, viscerais, adjetivados na medida certa. Em síntese: textos feitos com paixão, quando a moda é amordaçar os sentimentos. Como couvert para o livro, posto abaixo uma das crônicas do amigo (que, aviso logo, está em Contra a juventude).

"Quase memória"

Carlos Andreazza

Vem aí o dia dos pais. É data faustosa para o comércio, ocasião modelo também para um domingo clássico, qual seja, o de almoços os mais chatos. Nada cruel, porém. (Nada cruel para quem é Flamengo nesses domingos dos anos 2000)...

E, otimista, por que não?, de tudo isso escapo e escaparei sempre, ileso [e sem inveja, ora!], hoje como em vint´anos, ao menos dos gastos de bolso e de humor. (Este segundo dispêndio, porque de matéria às vezes faltante, muitíssimo mais caro – óbvio está).

Não poderei, contudo, negligenciar o irônico qu´esta sorte de data, com variantes e exceções, enseja: ao dia dos pais só dá valor quem pai não tem.

(No Natal, ho-ho-ho!, supra-sumo da cousa, penduro à árvore luzezinhas de saudade, uma beleza, e papai, claro, a estrela lá do cume, insuperável há dezessete anos, mármore melhor no meu cemitério d´afetos).

Eu jamais me lembrarei dum dia dos pais vivido na companhia do meu. (Nem sei se tal data havia então)... Sem ele, entretanto, lembro-me de todos, talvez porque todos iguais, talvez porque mais recentes, talvez simplesmente porque reais, talvez porque também futuros – não sei. Decerto que já não sofro. Apenas acho a coisa toda muito cansada, aborrecida. Supérflua. Alheia.

Adquiri, a propósito, o hábito da memória [e não do sarcasmo], que se constrói e que se alimenta, sem dúvida. Acredito nisto. (Tenho fé de remover montanhas)! Cultivo-a para as horas d´inverno, d´aperto, e não só às minhas... De resto, pois que respeito o momento dos outros e preciso [devo mais que preciso] conviver, calo-me. E não penso qu´este sentimento [e a maneira d´encará-lo] um dia se alterará, embora, assim deseje, virá o tempo, o dos frutos, em que experimentará desafios, desenvolvimentos, desdobramentos da ausência, e serei, afinal, memória.

Serei pai, sim, mas qual será a graça? Que graça há num dia em que serei celebrado sem ter a quem celebrar? A memória... Espero tão-só me encontrar digno e à altura de a um filho contar quem foi meu pai, o avô dele.

Quase tudo que há neste mundo descartável tem, ainda assim, mais idade que o tempo em que tive pai – em que fui filho dum pai que havia, concretamente – e tudo está sobretudo destinado a fazer deste tempo bebê. (Nani, por exemplo, cadela poodle da família, querida, finou-se ano passado, aos doze, a pobre, depois de cuspir-se em sangue, e esteve longe de privar com meu pai). Ontem – reflexão tipicamente alcoolizada [e não menos verdadeira por isso] –, bebi um uísque que tinha mais anos qu´aqueles nove em que tive pai. Não é fantástico? (Tudo está destinado ao mesmo fim, não?, mesmo que cercado de puxa-sacos, mesmo protegido em barris de carvalho, variando, com sorte, de pó a mijo). Não é curioso?

A vida é mesmo assim – dirão. E eu, filosófico: que merda."

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Por um voto Escrito em 15 de janeiro de 2008
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Eu e Molica, antes da subida ao palco

A noite longa de ontem, iniciada com o ensaio técnico do Império Serrano na Sapucaí *, terminou no Teatro Odisséia, na disputadíssima escolha do samba do bloco Imprensa que eu gamo para 2008. A parceria assinada por mim, Fernando Molica e Gabriel Cavalcante classificou-se entre as três finalistas e, na hora decisiva, acabou ficando com o vice-campeonato. O placar foi apertado: 3x2 para os autores do samba Na tropa do Imprensa ninguém pede pra sair, que, vale ressaltar, contaram com uma imensa claque.

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Nosso grupo, durante a apresentação no Odisséia

É claro que bate uma frustração quando a gente constata que nosso refrão 'pegou' e chega tão perto de vencer. Mas, para uma primeira experiência, acho que foi bem bacana. Já avisei aos parceiros que, no ano que vem, estou disposto a entrar novamente na briga. Posto, abaixo, a letra do samba que defendemos ontem.

O circo da tropa

Gabriel Cavalcante / Fernando Molica / Marcelo Moutinho

O mosquito picou o presidente
E o nosso Lula amarelou
Tomou bronca do Hugo Chavez
Foi-se o gás do Evo Morales
E no Senado, o tempo fechou

O “seu” Renan
Esqueceu da camisinha
Imprensou de qualquer jeito
E gamou na coleguinha

Relaxa e goza, meu amor
Por que não se cala e me beija?
Sem avião pra viajar
No Imprensa eu vou embarcar

Zé Dirceu tá de telhado novo
Eu já tô careca de saber:
Pra virar circo, só falta a lona
Brasília ou Rio, é a mesma zona

Ô César Maia... pede pra sair!
Quebra esse galho, meu São Sebastião
Quero um prefeito que não seja fanfarrão!

* A gente não pode mesmo elogiar. Ontem saudei, aqui, a iniciativa de abrir a Sapucaí também para os ensaios técnicos das escolas que estão no Grupo de Acesso. Pois bem: a cessão do Sambódromo para o Império foi apenas parcial, de menos de um terço da Avenida, em mais uma comprovação de que a prática é tratar a pão e água quem está fora do Grupo Especial.

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Dupla convocação Escrito em 14 de janeiro de 2008
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O Império Serrano faz hoje, às 21h, seu grande ensaio técnico na Marques de Sapucaí, com a participação de todos os setores da escola - alas, bateria, puxador, casal de mestre-sala e porta-bandeira etc. Trata-se de uma ótima oportunidade de se ouvir (e de se ver) bom samba no pé, ao som dos afinadíssimos ritmistas comandados por Mestre Átila. Sobre o assunto: merece todos os elogios a inclusão das agremiações do Grupo de Acesso nesses ensaios, fato inédito até 2008.

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Depois da Avenida, vou correr para o Teatro Odisséia, onde acontecerá a final dos sambas do bloco Imprensa Que Eu Gamo. Assino, em parceria com Fernando Molica e Gabriel Cavalcante, um dos sambas concorrentes. Contamos com a torcida dos amigos. O 'Imprensa' desfila no próximo domingo.

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Tia Vera do Lamas Escrito em 10 de janeiro de 2008
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Quem costuma freqüentar o Lamas, como este que vos escreve, sabe que ela é dos umas personagens mais queridas do restaurante. Assim como o Arthur Poerner, o Marceu Vieira e o Alfredinho do Bip, só para citarmos três amigos que batem ponto por lá, a flanelinha carinhosamente chamada de Tia Vera é presença obrigatória nas clássicas noites de esticada no tradicional bar do Flamengo.

O retrato mais acabado de sua candura é a frase que pronuncia sempre que estamos indo embora. "Vai com Deus, meu filho", diz ela, lançando bons presságios sobre a noite de (pouco) sono que virá. Pois bem: Tia Vera recebeu uma bonita menção no blog Samba, bohemia e vagabundos, mantido pela dupla Gabriel da Muda e Eduardo Carvalho. A foto publicada aí em cima foi copiada de lá, e eu, aqui do meu canto, faço questão de reverberar a homenagem.

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Os melhores filmes de 2007 Escrito em 10 de janeiro de 2008
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Os membros da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro, entre os quais me incluo, elegeram ontem os 'Melhores Filmes de 2007'. Os filmes selecionados serão exibidos, com debate e entrada gratuita, numa grande mostra que acontecerá no CCBB no mês de março. Confesso que fiquei muito satisfeito com a lista e, sobretudo, com aquele que foi apontado como o número um: o belo A vida dos outros, comentado aqui no blog há alguns dias. Segue a relação, que traz três produções nacionais:

Melhor filme - A vida dos outros, de Florian Henckel von Donnersmarck

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'Santiago': um dos três brazucas da lista

Os dez mais, em ordem alfabética:

. Cartas de Iwo Jima, de Clint Eastwood
. A conquista da honra, de Clint Eastwood
. Império dos sonhos, de David Lynch
. Jogo de cena, de Eduardo Coutinho
. Maria Antonieta, de Sophia Coppola
. Medos privados em lugares públicos, de Alain Resnais
. A rainha, de Stephen Frears
. Ratatouille, de Brad Bird e Jan Pinkava
. Santiago, de João Moreira Salles
. Tropa de Elite, de José Padilha

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A dica de 'Tatiana Salem Levy' Escrito em 09 de janeiro de 2008
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"Acabo de ler O amante de Lady Chatterley, um clássico de D. H. Lawrence, que a Record publica agora pela BestBolso, com tradução de Rodrigo Richter. Embora tivesse vontade de ler o romance há tempos, fui impulsionada pelo filme de Pascale Ferran (que, aliás, é outra dica, caso ainda esteja em cartaz!). O livro é mais um exemplo da literatura de altíssima qualidade que se produzia na Inglaterra no início do século XX. A história de Lady Chatterley, que decide pôr de lado as convenções familiares (sobretudo com o esposo, que ficou paraplégico durante a guerra, logo após o casamento) e sociais para viver uma paixão com Mellors, o guarda-caça do marido, é absolutamente fascinante. Lawrence descreve como poucos o amor físico, com uma sensualidade e um despudor bastante raros. É desses escritores que acredita no amor acima de tudo, e que não o desvencilha do seu lado animal, físico. Lady Chatterley é um romance sensorial, que esbanja volúpia e explora nossos maiores sentidos."

* Escritora e tradutora. Acaba de lancar, pela Record, seu primeiro romance: 'A chave de casa'

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O time do Rival Escrito em 08 de janeiro de 2008
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Escalado o time de convidados para o show do Império Serrano no Teatro Rival Petrobras: João Bosco, Cláudio Jorge, Nilze Carvalho, Wanderley Monteiro, Dorina e Moiséys Marques - além da Velha Guarda, do pessoal do jongo, da bateria nota 10 de Mestre Átila e do puxador oficial, Gonzaguinha. Dá para perder?

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Primeiro ato Escrito em 08 de janeiro de 2008
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Do blog Roda de samba, mantido pelo Frederico Soares:

"Acontece neste exato momento a primeira rodada do curso dos julgadores do Grupo Especial para o carnaval 2008. Um dos quesitos em discussão é Alegorias e Adereços. Logo o quesito do jurado cuja escolha mais gerou polêmica - Bruno Chateubriand. Ele simplesmente não deu as caras nas sede da Liga Independente das Escolas de Samba. A entidade ainda não informou se ele apresentou alguma justificativa, mas o socialite estaria passando uns dias nos Estados Unidos. Começou bem o rapaz!"

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Samba e cinema Escrito em 07 de janeiro de 2008
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João Bosco e a mulher, Angela, estiveram na quadra do Império

. No sábado passado, um grupo de jornalistas e notáveis imperianos reuniu-se no barracão da escola para encontrar uma maneira de ajudar no próximo carnaval e levantar de vez a moral da agremiação. Em clima de confiança e de muito trabalho, abrimos algumas frentes. No dia 16 (quarta-feira), haverá um grande show no Teatro Rival, com a presença da Velha Guarda, do pessoal do jongo, da bateria Estandarte de Ouro, do puxador oficial (Gonzaguinha) e do casal de mestre-sala e porta-bandeira. O evento contará com a participação de imperianos históricos, como João Bosco, e de sambistas amigos do Império, como Nilze Carvalho, Dorina, Wanderley Monteiro, Moiséys Marques e Claudio Jorge, entre outros (esse espetáculo poderia ter como atração também o senhor Arlindo Cruz, se ele não tivesse desaparecido da escola, inclusive dissolvido sua Ala do Banjo, depois de perder democraticamente na escolha do samba deste ano);

. No dia 26, a festa em verde-e-branco se transferirá para a quadra, com a 'Noite do imperiano de fé'. Mais detalhes em breve;

. O ensaio do sábado foi bem bacana. A destacar: a bateria hoje sem rival no Rio de Janeiro e a presença sempre digna de festejos do grande imperiano João Bosco;

. Sobre o carnaval de 2008, aliás, recomendo fortemente a leitura dos mui lúcidos comentários feitos pelo Luiz Antônio Simas em seu blog Histórias do Brasil;

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. Duas dicas cinematográficas: o agridoce A culpa é do Fidel e o doloroso A vida dos outros. No primeiro, a diretora Julie Gravas (filha do 'hômi') narra as desventuras de uma menina (Nina Kervel-Bey, cujo desempenho é espetacular) às voltas com as mudanças em sua criação a partir do momento em que os pais abraçam o socialismo. Acompanhamos, através dos olhos perplexos da menina, a abrupta e radical transformação que se dá em seu cotidiano, e a inabilidade dos pais para lidar com a situação.

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No segundo, o cineasta Florian Henckel von Donnersmarck conduz com mão precisa a história de Gerd Wiesle. Integrante do sistema de vigilância do então governo de Berlim Oriental, Wiesle é convocado a 'espionar' o dramaturgo Georg Dreyman, a partir de escutas instaladas na casa do artista. O mérito do diretor é trabalhar com sutileza o processo de mudança que essa experiência ensejará na vida dos dois personagens. Donnersmarck nunca resvala no clichê e diz o que quer dizer, mesmo quando o que tem a dizer é a dor, sem berrar. Os sussurros tornam seu filme ainda mais bonito.

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O júri da Liesa Escrito em 04 de janeiro de 2008
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Quando a gente acredita que a bizarrice chegou ao extremo, uma notícia fresca logo nos desmente:

"Bruno Chateaubriand será um dos jurados no Carnaval 2008".

O anúncio foi feito ontem por essa lamentável entidade chamada Liesa. Chateaubriand, cujo ofício mais conhecido é o de 'socialite', avaliará o quesito 'alegorias e adereços'.

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'Sou Império, sou patente' Escrito em 03 de janeiro de 2008
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Tenho lido ferozmente nos últimos dias. Tudo - ou quase tudo - sobre samba. Já se foram As escolas de samba do Rio de Janeiro, de Sérgio Cabral; Carnaval - Da Redendora à Praça da Apoteose, de meu saudoso professor e amigo Roberto Moura; Sambeabá, de Nei Lopes; A construção do samba, de Jorge Caldeira; e, finalmente, Heranças do samba, de Aldir Blanc, Hugo Sukman e Luiz Fernando Vianna. Outros estão na mira.

Essas leituras se dão ao mesmo tempo em que venho travando ótimas discussões com um grupo de amigos imperianos - conversas que, aliás, me levaram a reler os belos textos que o Carlos Andreazza escreveu sobre a escola, e que foram publicados ao longo dos anos no site Tribuneiros, encontrando-se ainda disponíveis para acesso. Os livros, o debate e os artigos do Andreazza restauraram minha confiança. Se andava acabrunhado com a situação do Império, hoje aposto todas as fichas numa grande vitória no próximo carnaval. Não há dinheiro, mas começo a sentir o cheiro da reação. Uma reação que nasce do inconformismo e da garra, genuínas marcas imperianas. Noto, em nossos diálogos cada vez mais profundos e apaixonados, a fagulha de uma ira santa que vai, tenho plena certeza, gerar fogo.

A propósito, quero lhes contar uma história. Na verdade, quem a conta é Roberto Moura, no livro já citado, ao abordar o carnaval de 1981. Desfilara mal o Império naquele ano. O enredo Na terra do pau-brasil, nem tudo Caminha viu levou a agremiação à modestíssima 10ª posição, que equivalia ao penúltimo lugar. Mestre Fuleiro, legenda da direção de harmonia verde-e-branco, então comentara: "Este ano foi o toque final. Acho que é o começo do fim de uma grande escola".

Não era. Felizmente, como o próprio tempo mostraria, ele estava enganado. No desfile seguinte - o histórico, e sobretudo profético, Bum bum paticumbum prugurundum -, a Serrinha passou magistral da Sapucaí. Apostando em sua veia questionadora, lembrando as origens do samba e criticando a espetacularização que ameaçava esconder os verdadeiros bambas, o Império conquistou, de forma consagradora, mais um título de campeão.

Os dias de folia, é sabido, aproximam-se. Nosso maior compromisso, em 2008, é com o 1º lugar. Como bem afirmou outrora o Andreazza, "é certo que há lugar entre as poderosas para a sorte de carnaval que faz o Império Serrano". Como bem afirmou também o Luiz Antônio Simas, "Especial é o grupo em que está o Império Serrano". Como bem afirmaram, enfim, Beto Sem Braço, Maurição e Jangada, "pouca coisa não vai nos jogar no chão".

E tenho dito.

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Encontro de bambas Escrito em 03 de janeiro de 2008
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Hoje, no Carioca da Gema, haverá um sensacional encontro entre dois grandes de nossa música: a roda comandada pelo amigo Moacyr Luz receberá ninguém menos do que o mestre Wilson das Neves. Membro da mais nobre estirpe imperiana e baterista de primeiríssimo nível, Das Neves apresentará canções de seus dois ótimos discos, O som sagrado de Wilson das Neves e Brasão de Orfeu. Entre elas, evidentemente, estará seu maior clássico, O samba é meu dom (parceria com Paulo César Pinheiro). Além de Moacyr, a 'cozinha' será formada por Gabriel Cavalcante (cavaquinho), Carlinhos 7 Cordas (violão) Paulino Dias (percussão), Zero (percussão), Malkey Mattos (voz e percussão). O show está marcado para 22h30.

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A dica de 'Raimundo Carrero' Escrito em 02 de janeiro de 2008
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"Impossível não ler A morte de Ivan Ilicht, de Tólstoi. Se ele não tivesse escrito mais nada - nem mesmo Guerra e paz -, esta novela seria o suficiente para colocá-lo entre o mais universal dos escritores. Além da reflexão sobre a futilidade da vida, o russo cria dois personagens notáveis: Ivan Ilicht e Guasserim. O primeiro pela eloqüência, e o segundo pelo silêncio. Tenho admiração por esses personagens silenciosos, cuja maior qualidade está justo na realização literária. Pasolini viu nele um anjo, mas percebo que há ali humanidade, a humanidade que nem um anjo poderia representar. Além do mais, harmonia interna do texto. Essa harmonia que leva à perfeição e a perfeição artística revolve o fenômeno humano".

* Escritor. Autor de vários livros, entre eles 'Sombra severa', 'Sinfonia para vagabundos', 'Somos pedras que se consomem' e 'O amor não tem bons sentimentos', além de bom companheiro de copo.

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João Sem Medo Escrito em 02 de janeiro de 2008
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A crônica do post abaixo trata, em essência, de paixões que independem de maiorias eventuais. Pois o assunto volta agora, já que terminei de ler João Saldanha - Uma vida em jogo. O João Sem Medo foi, sobretudo, um apaixonado: pelo Botafogo, pela Portela, pelo marxismo.

A biografia escrita pelo jornalista André Iki Siqueira tem problemas de redação e de copidesque. Muitas vezes, Siqueira repete palavras numa mesma frase, ou informações que já foram dadas no próprio livro. Além disso, vale-se excessivamente de expressões gastas, recorrendo a termos como “Demais!” (assim mesmo, com ponto de exclamação) para expressar sentimentos, num tom efusivo que destoa de uma reportagem. A coisa se agrava quando o erro é de informação: ao comentar sobre a divisão do PCB, ele afirma que dela se origina um partido chamado PCB do B.

A vida de Saldanha, no entanto, compensa esses equívocos. Aprendi a admirá-lo quando ainda menino, por causa do meu pai. O velho o adorava, o que me espantava pela imensa barreira que havia entre os dois no âmbito da política. O pai sempre foi lacerdista radical; Saldanha era comunista ferrenho. O Botafogo, contudo, os aproximava. Ademais, eles tinham um temperamento parecido, dado a explosões. No estudo de Siqueira, descobri um terceiro ponto em comum, o signo de Câncer, este que também me rege.

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Já conhecia Os subterrâneos do futebol, do próprio Saldanha, e o perfil feito pelo João Máximo para a Relume Dumará, mas a leitura de Uma vida em jogo me permitiu conhecer melhor esse extraordinário personagem. Não tinha idéia, por exemplo, de que Saldanha voara tão alto dentro da engrenagem do Partidão, chegando efetivamente a postos diretivos. Tampouco sabia dos pormenores do célebre embróglio em torno de sua saída do comando da Seleção às vésperas da Copa de 1970, ou dos detalhes de rompantes como o que aconteceu, já na velhice, quando mandou bala em cima do gerente de uma farmácia, que havia destratado sua empregada

Entre as tantas e divertidas histórias, está uma briga com o então colega de jornal Maurício Azedo. Os dois entraram na redação discutindo sobre futebol e quase chegaram às vias de fato. Separados pelos outros jornalistas, foram para seus postos. Quando se pensava que Saldanha voltara ao trabalho e se esquecera do conflito, ele surge com a máquina de escrever nas mãos, pronto para acertá-la sobre a cabeça de Azedo. Os colegas conseguiram evitar o golpe, para sorte da quase vítima. Confrontado com o ato de 'covardia', Saldanha retrucou: "O que tem regra é judô, boxe, jiu-jtsu. Porrada não tem regra"

Confesso que fiquei comovido ao terminar o capítulo que trata de sua morte. Biografias têm esse poder: ao condensar em algumas centenas de páginas toda uma vida, nos dão uma dimensão mais aguda do ciclo que iremos cumprir, do nascimento à morte, do auge à decadência (ao menos corporal). O que posso garantir é que, após a leitura, mesmo sem tê-lo acompanhado de perto como os mais velhos, fiquei com saudade do grande Saldanha. Que tremenda falta ele nos faz...

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