
Há, nesse nosso Rio de Janeiro tão maltratado pelo descaso administrativo, pela violência, pelo deslumbramento noveau riche, uma cidade que escapa à vista mais geral. Uma cidade que, por vezes, foge aos olhos de seus próprios cronistas - e resplandece em pequenos eventos, atitudes, lugares. No sábado passado, esse Rio se fez presente ali na Rua do Ouvidor, onde rolavam os lançamentos do livro Noites de sábado, do Luís Pimentel, e do disco Malandros maneiros, do Zé Luis do Império.
Eu conto, eu conto. Já no fim da tarde, o samba ainda comia solto na roda promovida pela Livraria Folha Seca. Nas mesinhas espalhadas pela histórica rua, as pessoas tomavam suas cervejas e conversavam. Além dos freqüenntadores habituais, como Loredano e Rosana Lobo, Álvaro 'Marechal', Luiz Antônio Simas, Paulo Thiago de Mello, Tiago Prata, Hugo Sukman e Cesar Tartaglia, estavam lá vários outros amigos, como o casal Fernando Molica e Barbara Pereira.
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Os primeiros padrinhos a chegar: "mais uma, por favor"
Foi quando rapazes finamente trajados - terno preto, calça cinza e gravata - entraram no boteco no qual bebíamos. Em seguida, chegaram duas moças, ambas enfiadas em vestidos 'bolo de noiva'. Aos poucos, mais engravatados se juntaram ao grupo, que entornou várias garrafas de cerveja. Soubemos, então, que eram convidados de um casamento que se daria, em menos de uma hora, na Igreja de Santa Cruz dos Militares, localizada na vizinha Primeiro de Março.
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Grupo formado, as cervejas eram esvaziadas em seqüência
Diante da hilária situação, o pessoal optou pelo quase inevitável: convocar o noivo. Fomos informados de que ele se chamava Horácio e não demorou para que começasse o grito: "Horácio, cadê você, eu vim aqui só pra te ver!" Passaram-se alguns minutos e o Horácio despontou na esquina. O grito mudou: "Ih, fudeu, o Horácio apareceu ô!"
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O grupo se junta à roda comandada pelo Zé Luiz do Império
Chamado por praticamente toda a Rua do Ouvidor, o noivo se aproximou e, seguido de perto pelo fotógrafo oficial da cerimônia, juntou-se aos padrinhos (que ainda bebiam). Horácio e seus convidados, àquela altura efusivamente saudados pelo povo, ainda tomaram a saideira e ouviram um pouco do samba que o Zé Luiz cantava antes de ir, enfim, para a igreja. Só faltou mesmo a noiva, Renata, que decerto não esperava tantos convidados extras em seu casamento.
A história também foi comentada pelos coleguinhas Paulo Thiago, Cesar Tartaglia e Aydano André Motta, e pelo nosso professor Simas, todos eles testemunhas do caso, em seus respectivos blogs.
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