
É uma pena que, para defender uma justa posição, o Renato Maurício Prado tenha usado em sua coluna de hoje argumentos tão, paradoxalmente, injustos. Acredito ser extemporânea essa discussão sobre o pentacampeonato brasileiro do Flamengo. É claro, cristalino mesmo, que o rubro-negro foi o legítimo campeão de 1987 - um título reconhecido à época por todos os clubes que disputaram a (então) Copa União, inclusive pelo São Paulo, que agora, numa postura lamentável e vergonhosa, finge ignorar a história.
O problema é que o colunista, ao lembrar o episódio que culminou na criação dos Clube dos 13 (na verdade, eram 16), afirma que os times do então Módulo Amarelo correspondiam à Segunda Divisão e não reuniam "condições técnicas" de disputar o grupo principal. Não é verdade. O América, por exemplo, havia disputado a Primeirona no ano anterior. E mais: conquistado um honroso terceiro lugar, ficando à frente da maioria das equipes daquela que veio a se constituir na "tropa de elite" do futebol brasileiro.
O Fla é, de fato e de direito, pentacampeão do Brasil porque chegou na frente no campeonato disputado à época e, com a anuência dos co-irmãos, negou-se a enfrentar o campeão do Módulo Amarelo. Para sublinhar isso não é necessário desmerecer clubes que acabaram se tornando vítimas involuntárias da "revolução" comandada pelos chamados 'grandes' (o América foi atirado na Terceirona e, infelizmente, nunca mais de recuperou).
Outra coisa que faltou na coluna, como bem lembrou o amigo Luiz Camillo Osório: reconhecer que, assim como o rubro-negro é penta, o Fluminense é bicampeão nacional, já que conquistou o título do torneio de 1970. Embora ainda não tivesse o nome oficial de 'campeonato brasileiro', a disputa reuniu os 20 principais times do país e serviu de modelo para o formato que seria adotado a partir do ano seguinte. A CBF precisa ter vergonha na cara e dar a César o que é de César para acabar enfim com tanta marola.
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