
Foi por indicação do amigo Carlos Andreazza que cheguei ao livro A maleta do meu pai, de Orhan Pamuk. Recém-lançado pela Companhia das Letras, o pequeno volume reúne três conferências do autor turco, que ganhou o Prêmio Nobel em 2007. Nos textos, Pamuk faz reflexões sobre o ofício do escritor, passando por velhas questões como inspiração x transpiração, centro x periferia, nacional x estrangeiro com clareza e elegância.
Gostei, sobretudo, da primeira parte do livro, que traz o discurso do autor na cerimônia de entrega do Nobel. Pamuk lembra da ocasião em que o pai lhe entregou uma maleta, que ele deveria abrir somente quando o velho morresse. O escritor expõe sem medo os temores que lhe assaltaram. O que a maleta, certamente recheada pelos cadernos que o pai preencheu durante anos, revelaria? Uma secreta genialidade? Um fracasso silencioso? Alegrias ou aflições?
Em seguida, diz ter sentido uma espécie de 'vergonha' por ter tais pensamentos "às custas do pai". "Logo dele, que nunca me causara nenhuma dor - que me dera liberdade. Tudo isso deve nos lembrar que a escrita e a literatura estão intimamente ligadas a uma carência no centro da nossa vida, e aos nossos sentimentos de felicidade e de culpa", afirma Pamuk, que encerra o texto de forma comovente (e por isso mesmo não vou entregar o final aqui).
Fica a dica.
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