
"Ando apaixonado pelas trilhas sonoras de Alexandre Desplat. E a prova de que não estou sozinho é que Stephen Frears, Ang Lee e Jacques Audiard, entre outros, apelaram ao seu refinado senso de melodia, harmonia e clima para rematar os últimos filmes deles. Pensando em trilhas num formato mais ou menos tradicional, não tem pra ninguém hoje em dia. Tente se lembrar da música-tema de A moça com o brinco de pérola ou da trilha magistral de A rainha. Suas valsas se impregnam na memória, a delicadeza de seus temas colore sem sublinhar. Em O despertar de uma paixão e em Lust, caution, ele esnobou as sugestões 'orientais' e compôs obras-primas puramente cinemáticas. Um amigo me trouxe esses dois CDs de Nova York e eles grudaram no meu player. O Amazone de Philippe de Broca (2000) deve ser um horror, mas eu derrubaria umas dez árvores para ouvir a trilha de Desplat".
* Jornalista e crítico de cinema. Autor de vários livros, entre eles 'Eduardo Coutinho - O homem que caiu na real' e 'Walter Lima Júnior: Viver cinema'
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