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'Timinho, timinho' Escrito em 14 de outubro de 2007
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Este foi o grito ouvido em uníssono desde a metade do segundo tempo da partida de ontem, entre Fluminense e São Paulo, no Maracanã. É claro que nenhum jornal ou TV registrou o fato - possivelmente o que de mais importante aconteceu durante o jogo, muito mais do que resultados, contusões ou equívocos. Mas alguns, como a Folha de S. Paulo, fizeram ainda pior (como demonstra o texto abaixo): mentiram - e não de forma lírica, como fazia Nelson Rodrigues; mentiram, com o perdão da palavra, escrotamente.

Peço escusas, desde já, pela inevitável profusão de “sic”s nas linhas que se seguem - são dúvidas, perplexidades, diante do exposto - e deixo o pequeno vídeo acima, baseado nos escritos do Nelson, como contraponto, uma espécie de desafogo, à lamentável matéria do repórter Márvio dos Anjos, a tal publicada na edição de hoje da Folha. A reportagem (sic?) é emblemática do atual panorama da imprensa esportiva brasileira. O jornalista, que aparentemente não foi ao Maracanã (ao lado de sua assinatura, consta: “Da reportagem local”), arrola em seu texto uma série de barbaridades sobre o jogo em questão.

Estive no estádio. Vi que inexistiu o pênalti cavado pelo lateral Gabriel e que o juiz, equivocadamente, marcou (em tempo: o tiro não foi convertido em gol). A questão é: o repórter da Folha viu as outras coisas que aconteceram durante o jogo? Por exemplo: o domínio quase absoluto do Flu sobre a retrancada equipe do São Paulo, que ele tenta disfarçar apelando ao expediente, tão caro ao jornal para o qual trabalha, das ‘estatísticas’. A estatística, nos tempos em que vivemos, virou justificativa científica para qualquer estupidez. Marvio observa: “O jogo no Maracanã terminou com 10 finalizações são-paulinas, contra 14 do Fluminense, que jogou durante 15 minutos com um homem a mais”. Conclusão cristalina, não? Denifitivamente, o rapaz nunca leu Nelson Rodrigues.

O repórter da Folha lamenta, ainda, a expulsão do são-paulino Aloísio, argumentando que o atacante sofreu um penâlti que, na avaliação do árbitro, foi simulado. Como em geral é impossível se confirmar, categoricamente, a existência ou não de uma penalidade apenas com a visão da arquibancada, esperei a chegada em casa e vi o replay (este imbecil, segundo Nelson) para constatar: foi, sim, simulação. Aliás, tal confirmação não foi só minha: os três comentaristas da Sportv, nenhum deles torcedor do Flu, a atestaram, e por unanimidade. Se o jogador simula pênalti - e isto não quer dizer que concordo com a norma -, a regra diz que deve tomar cartão amarelo. Foi o que fez o juiz.

Esse cartão amarelo acabou provocando a expulsão de Aloísio, que mais tarde daria um pancada por trás em Arouca. Mas o repórter da Folha não faz referência a outro ato condenável do atacante são-paulino. Porque possivelmente não o viu. Mas eu conto: em certo momento do jogo, que a TV não mostrou, havia um atleta do São Paulo fora de campo, sendo atendido por contusão (sic?). Pois bem: o Flu atacava quando esse mesmo jogador entrou no gramado abruptamente, sem autorização do árbitro e tomou a bola do lateral tricolor, pelas costas.

Ao invés de parar, o juiz deu seguimento ao jogo, o que acabou gerando um contra-ataque do São Paulo. No contra-ataque, outro jogador são-paulino se machucou (sic?). Ainda assim, Leandro, atacante do mesmo time, tentou arrematar a gol, ignorando o colega caído. A bola, então, terminou nas mãos de Fernando Henrique, que, irritado com o fato de o soprador de apito ter deixado a partida seguir mesmo com o jogador tendo entrado de forma irregular em campo e com a seqüencial atitude anti-desportiva de Leandro, recolocou a bola em campo, abdicou do fairplay e não colocou a bola para fora, partindo para tentar o gol que faria justiça ao que se deu no estádio.

E o que o árbitro fez? Parou o jogo e autorizou o atendimento ao atleta contundido (sic?). Em seguida, pediu que os são-paulinos devolvessem a bola. Foi então que Aloísio deu um bico para a frente, tentando claramente acertar um dos atletas do Flu, que estava à sua frente. Seria o segundo amarelo, da série de três merecidos (dois efetivamente recebidos). Mas o juiz não o repreendeu, nem o repórter Marvio dos Anjos notou isso. Assim como não notou a violência da falta - por trás, repito - feita por Aloísio em Arouca.

O repórter da Folha não registrou, também, que o São Paulo talvez tenha sido o time mais beneficiado pelas arbitragens no atual Campeonato Brasileiro. Para clarear a lembrança, basta citarmos o jogo contra o Paraná, com certeza o maior e mais límpido roubo acontecido em todo o torneio, e que legou à equipe paulista três pontos de modo absolutamente ilegal.

Finalmente, Marvio dos Anjos não enxergou que o Flu encurralou o covarde time são-paulino em sua defesa durante 90% do tempo de jogo (por um simples motivo: só uma das equipes entrou em campo para ganhar). Ou que o covarde time são-paulino, antes mesmo de Aloísio ter sido expulso, começou a cair em campo, a demorar na reposição das bolas, em suma, a fazer cera, tentando ganhar tempo para garantir o empate contra um adversário que se mostrava claramente superior. São recursos compreensíveis no caso de equipes retranqueiras, e que - por isso mesmo - justificam o canto dos mais de 40 mil tricolores presentes do Maracanã: “Timinho, timinho”. Não justificam, porém, o adjetivo utilizado na matéria para classificar o jogo: "equilibrado" (sic, sic, sic).

Todos esses fatos dizem muito sobre o virtual campeão brasileiro – o tal “timinho” -, mais ainda sobre parte de nossa imprensa esportiva, subserviente a interesses outros que não o de reportar a verdade, ainda que sob o natural filtro subjetivo. Num plano mais profundo, a matéria de Marvio dos Anjos é a certeza de que Platão foi derrotado pelos sofistas – e faz a gente compreender por que enfim os jornais do estado vizinho, ao contrário dos nossos, trazem “São Paulo” no nome.

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