
1. A revista Bravo! deste mês publica matéria, assinada por André Nigri, na qual especula sobre "quem seria o Marcelo Rubens Paiva" da novissima geração. A reportagem trata dos chamados 'romances geracionais', citando O encontro marcado, de Fernando Sabino, e Feliz ano velho, de Paiva, e menciona, como possíveis representantes do modelo na atualidade, os livros de João Paulo Cuenca e Daniel Galera.
Sem entrar no mérito da qualidade dos dois - ambos são bons escritores -, achei curiosa a analogia. Isto porque, mui diferentemente do que ocorre agora, tanto o livro de Sabino, quanto o de Paiva tiveram em suas épocas vendas bastante expressivas. A verdade é que naquele tempo - pasmem! - realmente havia leitores interessados nos autores brazucas, cujos trabalhos não raro entravam nas listas de mais vendidos. Quem dera - para o Cuenca, para o Galera e para todos nós - que o panorama ainda fosse esse. A literatura brasileira, meus caros, perdeu a relevância.
Como subretranca, a Bravo! traz um artigo em que o editor da revista, João Gabriel de Lima, faz uma análise de conjuntura ainda mais interessante do que a matéria principal. Afirma ele, no texto, que os escritores de sua geração - aquela que hoje tem em torno de 40 anos - dedicaram-se a outros ofícios, como o jornalismo e a publicidade, em paralelo à literatura. João Gabriel cita alguns desses nomes - Arthur Dapieve, Paulo Roberto Pires, Fernanda Young... - e se inclui na lista.
Em contraponto, ele salienta que boa parte dos novíssimos - situados, no artigo, como aqueles que estão à beira dos 30 - vêm conseguindo efetivamente viver apenas de literatura (incluídos aí não apenas a produção de livros, mas o trabalho em traduções, a participação em seminários, projetos, etc.) e saúda este fato com entusiasmo. Não há dúvida quanto a isso, e certamente há outras distinções entre os dois grupos, inclusive estéticas. Mas achei peculiar que, mais uma vez, o cotejo tenha se dado entre essas duas pontas. Talvez por isso aqueles que, como eu, regulam sua idade justamente no meio delas acabem em certos momentos sentindo-se numa espécie de limbo.
2. Aliás: o Marcelo Rubens Paivc não teve fôlego para outro trabalho tão bom quanto o livro de estréia.
3. "Simula que é um personagem trágico que não pode deixar de fazer o que faz porque o destino é inexorável, o que é uma fantasia absurda: o grau zero da crença, o vazio da cosmogonia (...) Só a frieza do olhar de fora pode dar essa dimensão á vida - aqui, agora, ele está no olho do furacão de si mesmo, e a vida jamais pode ser estetizada, ela não é, não pode ser um quadro na parede". No trecho de O filho eterno, Cristóvão Tezza explicita, muito melhor do que eu, algo que precisa ser lido, sobretudo por aqueles que escrevem.
4. Às vezes, dá uma violenta sensação de inutilidade.
5. Mas como bem disse o Caio F., "existe sempre alguma coisa ausente".
6. Last but not least: o amigo Mariel Reis é mais um a entrar para o mundo blogueiro. Seu Cativeiro amoroso e doméstico entra hoje para a relação de links indicados do Pentimento.
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