
"Minha dica poderia ser o novo disco de Teresa Cristina, Delicada, um dos últimos que aportou no meu CD player e reluta em sair de lá. Mas todos vocês que conhecem o talento de Teresa já devem imaginar que não seria diferente. Por isso acho mais importante chamar a atenção para Samba meu, o terceiro – e melhor -disco de Maria Rita. Se nos dois discos anteriores, com um repertório híbrido demais, ela já tinha mostrado talento como intérprete, sem renegar o DNA materno, é no samba que a filha de Elis parece ter encontrado o seu rumo. Deve ser difícil para os talibãs aceitarem a invasão de uma cantora que não cresceu em Madureira e jamais pisou no Bip Bip (Moutinho, isso NÃO é uma indireta – sei que você gosta do disco!). Aqueles que vencerem o preconceito desfrutarão de um dos melhores discos do ano, cheio de composições inspiradas de partidei ros de responsa como Arlindo Cruz, Serginho Meriti e Franco, e pelo menos uma releitura antológica: O homem falou, sambão que Gonzaguinha compôs nos anos 80 e que, agora, na voz de Maria Rita, pode virar o Foi um rio que passou em minha vida do novo milênio. Acredite quem quiser."
* Jornalista e DJ especializado em música brasileira
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