
Quando estou perto de me convencer de que, em 2008, as coisas serão (ainda) mais difíceis, pela falta de grana, pelos costumeiros problemas de organização e outros tantos etc., eu assisto a uma cena como a reproduzida abaixo e volto a acreditar na capacidade de essa escola - que nasceu em 1947 para mudar de vez o carnaval - vencer todas as dificuldades e voltar ao Grupo Especial, seu lugar de direito e de fato.
As imagens, postadas originalmente no blog Tribuneiros, retratam parte da comemoração da feijoada na qual se comemorou o aniversário do Arlindo Cruz. São os minutos finais da festa. No palco, Arlindo canta o hino de 2006, que se tornou um clássico contemporâneo. Na seqüência, emenda com o samba-enredo do último carnaval: Ser diferente é normal.
Recapitulemos: neste ano - e com esse samba a que me refiro - o glorioso Império Serrano foi rebaixado ao Grupo de Acesso. Mas vejam, observem, atentem: toda a quadra canta a música a plenos pulmões. Onde, nesses tempos em que só a vitória ou o dinheiro parecem capazes de delegar mérito, pode-se ver uma coisa assim? A força dessa agremiação me emociona a cada dia. É, de fato, comovente - e impressionante. Além de ser também uma lição, sobretudo para aqueles que, em nome de uma "mudernidade" blasê e poseur, acham que o Rio de Janeiro é uma merda, e que a vida só acontece mesmo é nos limites do circuito Elizabeth Arden.
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