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No Café Literário Escrito em 17 de setembro de 2007
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Foi muito bacana participar, no sábado, do painel Banquete de gêneros, que integrou a programação oficial da Bienal do Livro do Rio de Janeiro. A composição da mesa era esquisita - eu, o espanhol Ildefonso Falcones, autor de um best-seller cuja história transcorre na Idade Média, e Orlando Paes Filho, que escreveu Diário de um cavaleiro templário -, mas a mediação precisa do Fernando Molica fez com que a conversa surpreendentemente rendesse.

Calouríssimo em eventos desse porte e tentando vencer o nervosismo inicial, procurei falar um pouco de minhas impressões sobre a literatura brasileira de hoje - repisando a perda do vínculo entre a narrativa e a vida cotidiana e o confinamento quase sempre estéril dos autores nas experimentações em torno do 'literário' - e também sobre meu livro mais recente. A insistência em colocar meu trabalho no debate foi deliberada, até porque, nas outras mesas a que assisti, senti falta de os escritores tratarem mais de seus livros, e menos dos temas subjetivos que servem de pretexto para juntá-los.

O balanço foi realmente positivo e, apesar de nenhum jornal ter informado sobre o painel (nem antes, nem depois de sua realização), o Café ficou bem cheio. Fiquei feliz, sobretudo, ao ver na platéia tantas pessoas queridas, entre elas dois amigos que são meus irmãos de caminhada na literatura: Flávio Izhaki e Henrique Rodrigues. Só quem nunca teve nada de mão beijada, não pegou atalhos e constrói suas coisas tijolo a tijolo sabe o quanto certos momentos são importantes.

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