
O amigo Pedro Paulo Malta, o nosso Pepê, me deu nesta semana um presente precioso: o DVD Tia Eulália - O Império do Divino, cuja existência até então eu desconhecia. Assisti ao filme ontem à noite e, apesar dos graves problemas de edição, foi impossível não me emocionar.
A alma imperiana falou mais alto ao ver aquela que é a mãe da verde-e-branco de Madureira subindo o morro da Serrinha, mostrando a Rua da Balaiada (onde a agremiação foi fundada), preparando-se para o desfile de 2004 (que seria seu último) ou, já bastante doente, reencontrando-se em seu derradeiro aniversário com Sebastião Molequinho, também fundador da escola. Molequinho aparece em outra cena do filme, recordando o primeiro desfile do Império, em 1948, e confessando sua surpresa com a conquista do título logo na estréia. Quando fala isso, ele tenta disfarçar, mas a voz embarga.
O documentário mostra também imagens da procissão de São Jorge, o padroeiro da escola, da qual Tia Eulália participava todo ano. Reverente - como deve ser -, o diretor Erik Oliveira presta, ao final do filme, uma merecida homenagem a Eulália, que sempre fez questão de desfilar no chão - "lugar de imperiano não é em cima de carro" - e simboliza uma síntese do tripé que sustenta a essência do Império Serrano: tradição, contestação e democracia.
P.S. Ainda sobre o Império: o querido Zé Luís, da Velha Guarda, me ligou ontem, animado com os protótipos das fantasias para 2008, quando a escola vai homenagear Carmen Miranda. Agora, começará a fase da escolha dos sambas (27 foram inscritos). Apesar da habitual falta de dinheiro, todos estão tocando a bola para a frente. É aquilo: imperiano de fé, não cansa, não. E quem quiser fazer parte da nossa família, desfilando ano que vem na Ala dos Devotos, da qual faço parte, já pode avisar aqui nos comentários ou via e-mail.
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