
É bem bonito o documentário Vento bravo, no qual Beatriz Thielmann e Regina Zappa, com o auxílio luxuoso do fotógrafo Walter Carvalho, contam um pouco da vida de Edu Lobo. O filme recém-lançado em DVD pela Biscoito Fino contempla as diferentes etapas da trajetória do compositor, das lembranças fellinianas da infância no Recife (que viriam a dar origem a canções como No cordão da saideira), passando pela fase dos festivais (quando Edu quase virou popstar) e pelas célebres parcerias com Chico Buarque, até chegar à maturidade.
O filme conta com depoimentos de Tárik de Souza, Ronaldo Bastos, Marília Medalha, Abel Silva, Dori Caymmi, Marcos Valle e Paulo César Pinheiro, entre outros artistas que conviveram (e convivem) com o homenageado. Entre os grandes momentos, está o registro da visita feita por Edu a Gianfrancesco Guarnieri. Já bastante debilitado e praticamente sem voz, Guarnieri acompanha, quase em sussurros, o canto de Edu numa das músicas compostas pelos dois para a peça Arena canta Zumbi.
O ponto fraco, por outro lado, fica com o show que vem como ‘extra’ no DVD. Os planos fechados do palco e o áudio captado diretamente da mesa de som prejudicam muito a reprodução do que foi o espetáculo do Mistura Fina. Estive lá em uma das apresentações daquela temporada, as primeiras de Edu após o susto do AVC, e sou testemunha de que houve plena sinergia entre o artista e o público – fato que, no registro filmado, passa ao largo. Para piorar, as canções são rigorosamente divididas em faixas, numa edição que abdica da riqueza de detalhes dos intervalos entre as músicas para apostar na frieza do rigor.
No geral, a melhor cena de todo o DVD está mesmo no documentário e acontece durante o bate-papo entre Edu e Chico, promovido especialmente pelas diretoras. Em certo momento, Regina Zappa comenta que os dois são considerados a dupla ‘Pelé e Coutinho’ da música brasileira e pergunta o que eles acham disso.
Rápido no gatilho, Chico vira-se para Edu e manda de bate-pronto: “E aí, Coutinho?”
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