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O violão e o samba Escrito em 27 de agosto de 2007
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Há algumas semanas, fui conferir o show O violão e o samba, que marcou o lançamento do disco homônimo, de Dorina, Cláudio Jorge e Carlinhos 7 Cordas. A impressão foi tão boa (não obstante a experiência desagradável de assistir a um espetáculo no Cinematheke Jam Club) que comprei o CD naquela mesma noite.

Centrado em composições que jogam luz sobre a relação do samba (ou dos sambistas) com o violão, o disco do trio dá nova roupagem a clássicos como Cordas de aço (Cartola) e Tudo se transformou (Paulinho da Viola), além de registrar, com arranjos inspiradíssimos dos dois violonistas, pérolas recentes, como Zuela de Oxum, de Moacyr Luz e Martinho da Vila, e belezas menos conhecidas, como Meu violão, de Sidney Miller.

Confesso que havia ficado meio receoso quanto ao resultado do trabalho, sobretudo em razão da característica vocal de Dorina. Apesar de boa cantora, ela costuma (ou costumava) exagerar no volume, o que seria trágico em um disco cujo acompanhamento se limita a dois violões. Dorina, no entanto, está perfeita: vale-se do que tem de melhor - a capacidade de cantar com emoção, traço raro nos dias que correm - mantendo a voz serena, em consonância com as cordas, funcionando quase como um terceiro instrumento.

Entre os tantos pontos altos do CD, destaco a gravação do Samba do Irajá, que ganhou um andamento dolente, capaz de sublinhar ainda mais intensamente a beleza de sua melodia. É quando Dorina brilha com maior intensidade, um daqueles momentos capazes de diferenciar os cantores dos meros crooners. Em outro acerto dos produtores, é justamente o samba de Nei que abre o disco, como se anunciasse, já na primeira faixa, a extrema qualidade do que virá.

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