
Na terça passada, encontrei com a Adriana Lunardi no lançamento do romance novo de outra Adriana querida, a Lisboa. Ao me ver conversar com tanta gente que estava na Livraria da Travessa, a Lunardi meio disse meio perguntou:
- Você é sociável à beça, né?.
- Pois é. Estou procurando ser menos - respondi. Talvez isso explique porque o blog esteja nessa fase tão pouco movimentada.
Peço desculpas, mas vou ficar devendo o relato do último dia da viagem a Sampa. De qualquer forma, queria postar um poema (ando lendo muita poesia) que a revista Piauí publicou há algum tempo. Foi escrito pelo escritor polonês Wislawa Szymborska, ainda sob a comoção do 11 de setembro. Acho que a estupidez da morte se acentua ainda mais em episódios como aquele, ou como esse, do acidente com o avião da TAM, para o qual, de algum modo, o poema de Szymborska também fala.
"Fotografia do 11 de setembro"
Wislawa Szymborska
"Pularam dos andares em chamas—
um, dois, alguns outros,
acima, abaixo.
A fotografia os manteve em vida,
e agora os preserva
acima da terra rumo à terra.
Ainda estão completos,
cada um com seu próprio rosto
e sangue bem guardado.
Há tempo suficiente
para cabelos voarem,
para chaves e moedas
caírem dos bolsos.
Permanecem nos domínios do ar,
na esfera de lugares
que acabam de se abrir.
Só posso fazer duas coisas por eles—
descrever este vôo
e não acrescentar o último verso".
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