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Flip 2007 – Brevíssimo balanço Escrito em 10 de julho de 2007
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Estive em todas as cinco edições da Flip e o que tenho (atrasadamente) a dizer sobre o evento deste ano é que foi mediano. Destaco, abaixo, os pontos altos e baixos entre as mesas a que assisti (registro, desde já, que pontos altíssimos foram também a festa da Casa da Palavra e, como de hábito, as conversas com os amigos, regadas a cerveja e cachaça, além da presença sempre luminosa da F.).

Pontos altos

. Foi sensível a melhora nas mediações. O Arthur Dapieve, por exemplo, segurou bem as pontas na mesa que reuniu Jim Dodge e Will Self, driblando com habilidade as ‘pegadinhas’ de Self. Cassiano Elek Machado foi outro que se colaborou bastante para que o painel sobre biografias (com Ruy Castro, Fernando Moraes e Paulo César de Araújo) acabasse confirmando minhas expectativas e se transformando num dos melhores da Flip;

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Ruy Castro, Paulo César de Araújo e Fernando Moraes: ótimo debate

. Aliás, a mesa com Ruy, Fernando e Paulo César mexeu com o público, sobretudo por conta da participação do biógrafo de Roberto Carlos, que se emocionou (e emocionou a todos) quando Cassiano lhe perguntou se ainda ouvia as canções do rei destronado e ele, contando uma história sobre a filha (a quem seu livro é dedicado), sinalizou que sim;

. Ótimo bate-papo rolou também na Off-Flip. O painel com José Eduardo Agualusa e Mia Couto foi divertidíssimo, muito em virtude da mediação precisa e bem-humorada do moçambicano Nélson Saute (uma figuraça!). Mia Couto estava bem mais solto do que na outra mesa da qual tomou parte (no programa da festa oficial) e contou histórias hilárias. Na melhor elas, lembrou o dia em que foi uma multidão de moçambicanos o confundiu com o ator Chuck Norris.

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O gente boa Fernando Molica (mediador), Ishmael Beah e Paulo Lins

. Outro que me surpreendeu foi o serra-leonense Ishmael Beah. Apesar da idade tenra, seu pronunciamento relevou uma impressionante maturidade. E o melhor: ele demonstrou plena consciência de que, se a literatura permitiu que chegasse aonde chegou, não apagou seu passado.

Pontos baixos

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Coetzee: frieza em leitura que poderia ser transmitida por vídeo

. A ‘conferência’ de J.M. Coetzee. O sul-africano, autor de ótimos livros, limitou-se a ler um trecho de seu futuro romance, negando-se a responder perguntas ou a tecer comentários sobre a própria obra. Sei que ele havia avisado que essas eram suas condições para participar (e por isso mesmo nem quis comprar ingresso para seu painel), mas não entendo então por que foi a Paraty. Bastava uma videoconferência;

. A mesa com Lobão e Chacal foi demasiadamente bem-comportada, para decepção do público;

. Mais uma vez alguns painéis que apareciam com lotação esgotada antes do início da Flip contavam com muitas cadeiras vazias. Na mesa com Lobão e Chacal, isso foi gritante: havia pelo menos 100 lugares vagos.

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